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Indicações de leitura

O último voo das borboletas

O mangá feito por Kan Takahama em 2015, e trazido para o Brasil pela editora Pipoca & Nanquim em setembro de 2019; se trata de um One Shot com pouco mais de 160 páginas.

A história se passa no Japão durante o século XIX, onde Kichou, uma famosa Yuujo que é cobiçada por vários homens. Kichou frequentemente se encontra com um médico holandês chamado Toon, normalmente para conversar ou estudar fazendo uso de alguns de seus livros, já que na época, o Japão ainda era muito atrasado por conta das consequências do Xogunato Tokugawa. A relação dos dois personagens vai se desenvolvendo e mostrando conflitos passados que nos revela uma história de amor um tanto quanto trágica.

Sobre o acabamento gráfico, é inegável que a Pipoca & Nanquim capricha com gosto na estética dos produtos então, com o “Último voo das borboletas”, não foi diferente. A obra veio com uma sobrecapa com alto relevo e verniz localizado no título de frente e verso; a capa interna cartonada toda em um tom que não sei definir se é prateado ou grafite (talvez os dois); as páginas do miolo são todas de uma gramatura alta, bem resistentes e fáceis de se folhear, o que bota a Panini no chinelo. A arte no miolo é toda em tons de cinza com claras técnicas de aguado e um excelente uso de preto, tanto nos personagens como nos cenários. A obra foi adquirida na Amazon pelo valor arredondado de R$42,00, que com sinceridade, não me decepcionou. Com o padrão atual de R$29,90 por todos os mangás de outras editoras, doze reais a mais é um preço justificado levando em conta a qualidade estética e artística da obra.

A partir daqui minha opinião será dada de forma mais detalhada, então podem conter spoilers. Caso ainda não tenha lido a obra ou não quer comprometer sua experiência de leitura, continue por sua conta e risco.

O início da leitura se dá com um capítulo sem nada de muito revelador, servindo para mostrar ao leitor qual a situação e quem são os personagens. A partir do segundo capítulo a situação começa a mudar e com o decorrer da obra os diálogos vão dando várias pistas sobre aquilo que será revelado no final, mas dependendo da sua atenção, é possível perceber antes que a situação seja exposta pelos próprios personagens. A trama dos personagens secundários também é desenvolvida sob o pano a partir de alguns diálogos que se pode notar no decorrer da história, como por exemplo a Tamagiku, que aparece sutilmente logo no primeiro capítulo para ajudar o leitor a notar o profissionalismo da protagonista Kichou. Próximo à metade da obra, descobre-se que Tamagiku está com sífilis e posteriormente acaba sendo afastada das outras yuujos.

Como um entusiasta da cultura, história e literatura japonesa, pude notar vários termos e costumes antigos que são citados e ilustrados no decorrer da leitura, e que em sua grande maioria, são ditos em japonês. A obra trata de explicar tudo em suas notas de rodapé, que nas primeiras páginas chegam a intimidar pela quantidade distribuída entre as folhas. Sobre os diálogos, são muitos, mas a fluidez deles é agradável, sutil e fácil de se acompanhar sem se sustentar em conversas expositivas ou cansativas; por mais que em certo ponto algumas coisas se tornem previsíveis.

A história consegue se manter pela curiosidade em saber para onde a situação vai parar e pela empatia que o autor nos guia a ter com cada personagem presente.

Para concluir, digo que a obra cumpre com excelência o papel de entreter e até mesmo emocionar em alguns momentos. A arte e a narrativa são de ótima qualidade, até mesmo em páginas de puro silêncio como durante a morte do até então marido da Kichou que se trata de uma página totalmente muda e escura que passa todo o peso que era necessário. Os personagens são agradáveis e fáceis de se simpatizar, todos com visuais realistas, apenas com o exagero natural das yuujos. Com tudo que foi dito, digo que vale a pena a leitura, principalmente caso você goste da história e cultura japonesa, como é o meu caso, e por isso minha nota para “O último voo das borboletas” é 8.5.

 

Escrito por: Edgar Clemente
Revisado e editado por: Gabriel Albuquerque
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