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Contos de Azrael – relatos com Padre Gonzales 4

[continuando a carta do marinheiro]

 

Virei para trás e vi um bloco de gelo gigante. No primeiro momento, fiquei feliz porque eu ia ter água. Não sei o que há com essa ilha, não choveu nem um único dia, e depois da primeira semana, perdi a noção do tempo. Não tinha um lago, cachoeira ou qualquer meio de obter água potável! Mas agora tinha um bloco de gelo aleatório do lado. O problema era exatamente ser aleatório. E ao olhar melhor, tinha uns peixes e frutas do lado. Os peixes se debatiam, morrendo.

Geralmente imagino esta cena como um monte de peixe podre na beira da praia e um fedor, mas… não foi como em imaginação, os peixes pareciam em bom estado para se comer, as frutas estavam todas boas e o gelo. Demorei muito pra ter coragem, talvez nem tenha demorado tanto, a possibilidade de beber água falou mais alto, e testei um pouco do gelo em minha boca. Para a minha felicidade, não era de água salgada. E entre as frutas ainda havia laranjas e coco.

Aquele dia eu pude fazer até um banquete. Pelo menos foi o dia que melhor comi!

A noite caindo, a neblina aumentando, a sensação de está sendo observado voltou. Comecei a ouvir zunidos, parecia um vento forte ou um barulho mais estridente. E vez ou outra, além da sensação de estar sendo observado, eu via um vulto. Que logo desaparecia, ou melhor, se escondia. As vezes aparecia em um lugar que eu podia ariscar de ir ver, e ao correr até o local, havia sumido sem deixar rastros, o que me era muito estranho.

Eu não sei o que era, mas quando tem algo estranho, eu prefiro manter sob a minha visão, estar ciente do que se trata. Em suma, prefiro não ser pego de surpresa, por isso sempre tentava ao menos saber a localização daquilo, mas confesso que não queria realmente me aproximar.

Fiquei em uma situação muito complicada, onde era melhor eu ficar? Pensei em ficar na praia, que por ser uma área mais plana, seria mais fácil de perceber algo se aproximando. A menos que seja um demônio ou espírito. E na sorte poderia ver alguma embarcação se aproximando para um possível resgate, o que eu ainda tentava alimentar esperança mesmo depois do ocorrido com a última. Aparecer um já seria difícil, mesmo sem contar com aquela gigante cabeça. Mas pelo menos fui para uma extremidade diferente torcendo para que a criatura só tivesse uma cabeça, ou que não fosse como em algumas lendas em que ela comia a própria calda. Eu poderia ir para o topo, teria uma sensação de poder observar tudo melhor, só que na verdade estaria no meio da floresta densa. Melhor ficar na praia mesmo, pensei. Acho que aquela noite eu não iria dormir.

De repente a neblina aumentou, comecei a ficar inquieto, afinal, a neblina tirava aquilo que eu tinha como vantagem, a visão geral do ambiente onde eu estava. Seja lá o que eu vi passeando pela ilha, agora poderia se aproximar sem que eu percebesse. E foi o que aconteceu. Um vulto, uma silhueta de um homem, devia ter 1,85 m com um porte físico avantajado, mas não gigante. Cabelos médios, batendo no pescoço. Foi tudo que pude notar, todo o resto era só um vulto.

Por alguma razão muito estranha, comecei a sentir uma certa tranquilidade, como se fosse um amigo. Então que os olhos abriram, um feixe vermelho de um dos olhos, que devia ser também vermelho, e brilhavam. Então veio um clarão. E um apagão. E então eu estava em um hospital!

Fiquei sem compreender. Foi tudo um sonho? A enfermeira disse que eu estava há uns 2 dias dormindo e um tanto desidratado. Mas que eu ia me recuperar. Alguém havia me deixado ali, me acharam em uma praia, logo que amanheceu.

Eu fiquei confuso, tinha perguntas e não sabia o que perguntar. Me acharam em uma praia, como assim? Até fui perguntar sobre embarcações perdidas, mas aquela região isso é normal. Lendas e mais lendas surgem de lá.

Tudo que posso fazer, é relatar o ocorrido. Realmente não faço ideia do que aconteceu, mas acredito que não foi meramente um sonho ou alucinações.

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