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Contos de Azrael – relatos com Padre Gonzales 3

A ilha perdida 1

[1]

… e até que demonstraram um pouco de clemência e me deixaram uma garrafa de rum para passar meu tempo naquela ilha isolada. Garrafa esta que não durou uma noite. A primeira noite eu estava tão chapado que não vi o tempo passar, estava tomada por uma ira, que me deixou o dia inteiro em indisposição. Felizmente achei uma maçã, nunca fui muito de comer maçã, nem em torta ou como sobremesa ,mas hoje até que não acho ruim.  A ilha era relativamente grande, mas não tinha muito o que pudesse servir de alimento, começava com uma floresta densa que vai subindo e logo depois desce de novo, o que me faz crer que tem algo tipo um morro no meio. Talvez seja como um formato circular, a metade de uma bola, podemos dizer. Achei maça, batata, cenoura e manga. Por alguma razão, vi uns restos de baleia e lulas, pelo tamanho dos tentáculos, imaginei que deviam ser do Kraken devido ao tamanho.

Consegui construir umas armadilhas e com elas, peguei uns pássaros que desciam para comer frutos, e as vezes eu conseguia pescar uns peixes. Alimento não foi o maior de meus problemas, mas a falta de água, isso realmente afetou, tive que sobreviver bebendo o sangue de alguns destes animais que eu caçava ou com o suco das frutas quando possível.

As noites costumavam ter bastante neblina, isso atrapalhava um pouco para me localizar, mas estimo que eu estivesse no Triângulo da Bermudas, visto que antes de ser capturado, estávamos perto do Caribe. E assim foi umas infindáveis noites olhando para o céus esperando o que o destino reservava para mim.

Uma noite, no meio de uma neblina, além do horizonte, pude ver algum tipo de navio. Só pude ver a sua silhueta, então não dava para ver que tipo era ou de onde veio. Mas fui logo atrás de lenha para fazer um sinal de SOS quando vi algo que me deixou perplexo. Parecia que um pedaço de uma montanha começou a se mover, emergindo do mar. A silhueta me lembrou a cabeça de uma tartaruga, mas era gigante. E em um movimento mais brusco, pouco a pouco vi aquela silhueta se aproximando do navio.

Começou a aparecer uma espécie de buraco na montanha, devia ser a boca. E de uma vez só, engoliu o navio. Diante daquilo, levei um tempo para recobrar a consciência, voltar a mim. Seria um Jasconius? Sempre achei esse conto um delírio. Sereias, Kraken, outros monstros marinhos, alguns eu sempre fiquei um pé atrás, mas um monstro que era uma ilha?

Então vi que meus dias podiam estar contados, caso eu não arrumasse um jeito de sumir dali. No início pensei que tentar fugir, eu ia ser engolido também, então pensei “ se a cabeça está deste lado, vou fugir pelo outro lado”, mas tem lendas onde ele tenta pegar o próprio rabo. Ainda assim, era a minha melhor chance. Mas, se eu estava vivendo de beber sangue de aves e peixes porque não conseguia água, como eu iria conseguir madeira? Não importava como, eu tinha que fugir, ou aquela criatura podia mergulhar e me levar junto como nas lendas.

Então, que uma noite, comecei a ouvir passos e sussurros. Vinha de longe, será que algum marinheiro sobreviveu? Será que conseguiu trazer algo do navio antes de ser engolido? Será que havia sido tudo uma alucinação?

Comecei a procurar, gritei para ver se tinha algum sobrevivente mata adentro. Quando cansei, fui dormir, mas a noite, me senti sendo observado. E então, na manhã seguinte, foi quando eu vi.

[1] a carta não tem começo. Portanto não sei se de quando foi ou de quem era. Mas me parece que se passa nas grandes navegações, entre sec XIV e XVIII.

Continua…

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