A história por trás da máscara do V de Vingança

“Lembre-se! Lembre-se do Cinco de Novembro.”

Devido aos acontecimentos da última década, mais precisamente de 2013 para cá, a máscara conhecida como “A máscara do Anonymous” ou “Máscara do V de Vingança”, tem recebido uma atenção muito especial. Ela surge com força na HQ “V de Vingança” (1982), criada por David Lloyd e Alan Moore; e o seu desenho representa Guy Fawkes.

Mas quem foi Guy Fawkes?

No ano de 1606, a Inglaterra era governada pelo rei absolutista Jaime I. Um rei protestante que favoreceu o anglicanismo e perseguiu católicos e puritanos. Isso gerou a conspiração da pólvora, no qual Guy Fawkes participou. A conspiração foi formada por um grupo de católicos que, insatisfeitos com a política do rei Jaime I, que não concedia direitos iguais entre católicos e protestantes; decidiram assassinar o Rei junto com a maior parte de sua família. Guy Fawkes, como especialista em explosivos, seria responsável pela detonação da pólvora.
Os conspiradores notaram que o ato poderia levar a morte de diversos inocentes e defensores da causa católica, portanto enviaram avisos para que alguns deles mantivessem distância do parlamento no dia do ataque. Para a infelicidade dos conspiradores, um dos avisos chegou aos ouvidos do rei, o qual ordenou uma revista no prédio do parlamento. Assim acabaram encontrando Guy Fawkes guardando a pólvora.
Durante sua captura e interrogação, Fawkes permaneceu resoluto e desafiante, se identificando como “John Johnson” e se negando a fornecer informações aos seus captores. Quando perguntado o motivo de estar em posse de tanta pólvora, respondeu que a pólvora era “para explodir todos vocês de volta para as montanhas sujas de onde vieram, desgraçados e bêbados de scotch”. Fawkes admitiu sua intenção de explodir o parlamento e lamentou seu fracasso. Sua coragem acabou rendendo certa admiração do Rei James, que o descreveu como “um homem de resolução romana”.

Essa admiração não evitou que o Rei ordenasse sua tortura “de maneira progressiva e planejada”. Para a surpresa do torturador William Waad, Fawkes inicialmente resistiu aos tormentos infligidos e não forneceu informações significativas além de declarar que rezava todos os dias para Deus, pedindo o avanço da fé Católica e a salvação da alma podre.
Fawkes e os demais conspiradores foram condenados à morte por decapitação e depois foram estripados e esquartejados. Em um último ato de desafio antes de ser conduzido ao local de execução, Fawkes conseguiu se desvencilhar dos guardas e pular de uma escada, quebrando o pescoço e evitando assim a tortura. Seu corpo foi esquartejado e exposto publicamente junto com o dos outros conspiradores.
Ainda nos dias de hoje o Rei ou Rainha vai até o parlamento apenas uma vez ao ano para uma sessão especial, sendo mantida a tradição de se revistar os subterrâneos do prédio antes da sessão. Uma tradição sardônica dá a Fawkes o título de ser “o único homem que entrou no parlamento com intenções honestas”. Na Inglaterra até hoje existe a tradição de celebrar no dia cinco de novembro a Noite das Fogueiras. Nesta noite bonecos com a imagem de Fawkes são desfilados na rua, agredidos, despedaçados e por fim queimados.
Durante a HQ de Alan Moore e David Lloyd, temos um estado totalitário onde aparece um personagem anarquista disposto a derrubar o governo. Esse personagem, chamado de apenas “V”, usa uma máscara que foi inspirado no rosto de Guy Fawkes com um sorriso irônico. Algumas das semelhanças entre a HQ e os fatos reais estão na destruição do parlamento, a protagonista sendo torturada e a data do cinco de novembro.
Em 2006 a obra ganha uma adaptação para os cinemas com Natalie Portman,
Hugo Weaving e dirigido pelos irmãos Wachowski (Matrix). A máscara ficou mais famosa ao ser usada no movimento Occupy Wall Street, e posteriormente pelo grupo Anonymous, responsávl pela queda de sites governamentais durante a tentativa de implantação das leis SOPA e PIPA.

Comentário de Alan Moore sobre o uso das máscaras:

Suponho que quando estava escrevendo ‘V de Vingança’ pensei do fundo do meu coração: não seria ótimo se essas ideias tivessem impacto? Então, quando você começa a ver que essa fantasia ociosa entra no mundo normal… é curioso. Se sente como um personagem que, criado há 30 anos, escapou de alguma maneira do reino da ficção.
A máscara converte os protestos em performances… cria uma sensação de romance e drama, como em uma ópera. Isto é, manifestar, marchar em protesto, pode ser exigente, muito estressante… muito triste. São coisas que devem ser feitas, mas não significa que sejam extremamente agradáveis, quando na realidade deveriam ser…


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