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Importância do Cavaleiro das Trevas de Frank Miller

Antecedentes

Batman cavaleiro das Trevas, publicada entre fevereiro e junho de 1986, foi um marco para as Histórias em Quadrinhos. Mas para entender o porquê, temos que voltar mais atrás. Nos anos 50, graças ao psiquiatra Frederic Wertham publica seu famigerado livro Seduction of the Innocent. A tese de Wertham era de que os quadrinhos levavam à delinquência da juventude, incentivando comportamentos moralmente condenáveis na época, como a homossexualidade e o sadomasoquismo, e também a delinquência juvenil. Todo o mercado foi afetado, a auto-censura imposta pela indústria de quadrinhos dos EUA para não desaparecer. As restrições morais do CCA eram extremamente rígidas: o Bem era o Bem e o Mal era o Mal. Sem meio-termo, sem nuances. Essa foi a era de prata.

Batman Adam West

 

As histórias ficavam cada vez mais bobas, nível a série do Batman dos anos 60, foi um marco para os fãs. Mas acredito que preferimos que fique só no passado. E tinham histórias que envolviam competição de surf entre Batman e Coringa, bat-repelente e tubarão, ou raios “E” pra controlar mente. Foi nesta época que quadrinhos passou a ser considerado subcultura e leitura inferior. Nos anos 60 já começou a melhorar com o movimento Graphic Novel de Will Eisner (ele mesmo, do prêmio que recebeu seu nome ), onde se afirmava que quadrinhos não é literatura, nem tão pouco ilustração.

Quadrinhos é um tipo de arte com linguagem própria.

Ainda nos anos 60, Stan Lee veio trazendo problemas reais pros personagens de quadrinhos, onde eles tem que trabalhar e pagar as contas, além e temas como guerra o Vietnam, drogas e preconceitos. Isso também foi levado pros quadrinhos da DC, incluindo o Batman (nesta época surge o Rás Al Ghul).

Mas para entender a importância do Cavaleiro das Trevas, temos que olhar o movimento de Will Eisner. Eu costumo dizer que é o quadrinho de nível acadêmico. Mostrando que o quadrinista leva meses para elaborar seu trabalho, com uma pesquisa aprofundada no tema abordado, para que aborde de forma mais aprofundada, explorando a linguagem e usando de referências não só de quadrinhos, como de literatura, teatro e inclusive cinematográficas. Nisso, tivemos grandes obras como V de Vingança, Um contrato com Deus, etc. Mas até meados dos anos 2000, quadrinhos era como se fosse sinônimo de Super-heróis. Ainda não havia tido o “boom” os animes e mangás, então quando sai uma Graphic Novel de peso de Super-heróis, o quadro dos quadrinistas mudam completamente.

Aqui colocarei um trecho do site do Omelete sobre como foi a repercussão no lançamento (eu nasci em 86, ano do lançamento do TDKR, não tinha como eu acompanhar né!).

“Em 1986, resenhas de quadrinhos ou entrevistas com autores de HQ eram coisas de revista especializada. Cavaleiro das Trevas e Miller, porém, foram destaque em jornais e revistas de grande circulação nos EUA. E o mais incrível: antes da série sair. A Rolling Stone publicou uma famosa entrevista com Miller na edição de janeiro de 1986, quando tudo o que se sabia da minissérie era o burburinho. E o barulho, a partir daí, só aumentou.”

Batman sempre foi um dos ícones dos quadrinhos, e porque não dizer, a cultura pop. Então o tamanho do personagem, é um dos pontos fortes do impacto. Mas claro, não para por ai. Aqui, ao mostrar o Batman 10 anos fora de ação, Miller explora o porquê de Bruce ser o Batman. Entrando mais na psique o personagem, tanto que temos as páginas onde o Bruce meio que conversa com o seu alter ego dentro dele mesmo, onde o Batman fala que Bruce não iria conseguir conte-lo.

Pra qualquer um que não conhece o personagem, certamente acham que Bruce virou o Batman porque viu seus pais morrerem. Entretanto o fã sabe que a razão de Bruce ser o Batman, é uma série de elementos tão complexos. A saber que Batman, é a personalidade verdadeira e Bruce é a máscara. E onde começou a ser explorado de forma mais funda, foi no quadrinho de Frank Miller. Isso passou a ser explorado com diversos outros artistas. Inclusive o estilo narrativo. Pra quem leu Berserk, o comportamento destrutivo de Gatts por vezes lembra a mesma forma como Miller tratou o Batman aqui.

Outros elementos os quadrinhos explorados por Frank, como a influência na mídia apresentando tanto visões antagônicas sobre o tema (no caso, o retorno do Batman à ação), como opiniões a população sobre. Foram usados em outras HQs assim como as primeiras aparições do Spawn. Igualmente usada em filmes como Robocop (não por acaso, tem a mão de Frank Miller por trás)

Além das influências nos próprios filmes o Morcego. Que será tema futuro aqui na Komix.

Mas TDKR, deu espaço para heróis mais violentos, os anti heróis, influenciou na maneira de contar histórias e mostrou para o mundo, junto de Watchmen de Alan Moore (que em breve teremos material sobre aqui no site) que quadrinhos também são para adultos, e pode-se dizer que foram os divisores de aguas das HQs. Tiveram grande influência na criação de selos “graphic novels” em editoras, que com o tempo, até começaram a usar de forma saturada como se fosse um selo de qualidade, para terem vendas garantidas. Ainda que com obras de desenvolvimento duvidoso (no sentido de parecerem apenas mais um quadrinho mensal do que uma obra com um maior investimento do tempo do artista)
Não obstante, é uma obra de suma importância para todo estudioso da área

 

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