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Maus e a propaganda Nazista

Após a 1ª Guerra mundial, foi imposta a Alemanha um tratado que a tratava como a única responsável pela grande guerra. No termo tinha a perda de territórios, restrição no exército e uma indenização pelos prejuízos da guerra. Isso, somado aos problemas que veio com a crise de 29, ajudaram Hitler a subir no poder.

Com um uso de uma forte publicidade, uma imagem meticulosamente arquitetada, um dom da oratória, elementos que ajudaram muito a sua ascensão. Os nazistas colocaram a culpa dos problemas no fraco governo, no tratado e também, nos judeus, com uma propaganda antissemita.

No entanto, isso não começa no sec  XX, de acordo com Bauman, para as elites da Europa pré-moderna, a segregação dos judeus era necessária: eles eram “estranhos” – assim como descrito por Goffman -, um tipo que ameaçava a clareza cognitiva e a harmonia moral do universo por não pertencerem a nenhum grupo específico, e isso os tornava inabaláveis. Além disso, por serem os ancestrais do cristianismo e seus maiores críticos, optavam por não abraçá-lo como sua fé e, por isso, foram considerados criminosos, com más intenções e moralmente corruptos; infiéis por opção que impediam a reprodução da dominação universal por parte dos católicos, e por isso o isolamento judeu representava a auto identidade cristã.

Para fazer toda uma população ir contra o povo judeu, tiveram que focar em uma publicidade que desumanizava o outro, os judeus, como se fossem pragas, e a pior das pragas, que inclusive foi responsável por uma das piores pestes que a humanidade já viu, a peste negra, foram os ratos. E assim, era como tentavam fazer os judeus parecerem, ali, não eram humanos, eram míseros ratos.

a contribuição indireta ao assassinato em massa pela população alemã se deu pela indiferença com que ela encarava a situação dos judeus quando se deparava com ela, resignando-se à ignorância; era menos uma cooperação por vontade ou ódio, e mais uma cooperação por omissão.

Em uma entrevista, Art Spiegelman disse

“Comecei a ler o que pude sobre o genocídio nazista, o que realmente foi muito fácil, porque na verdade havia pouco disponível em inglês. O trabalho anti-semita mais chocante e relevante que eu encontrei foi O Eterno Judeu, um “documentário” alemão de 1940 que retratava judeus em um gueto que fervilhavam em locais apertados, criaturas barbadas com caftan e depois um corte para judeus como ratos – ou melhor, ratos – em um esgoto, com um cartão de título que dizia “os judeus são os ratos” ou os “animais nocivos da humanidade”. Isso deixou claro para mim que essa desumanização estava no cerne do projeto de assassinato.”

Art se refere ao filme “O Eterno judeu” um filme de propaganda nazista anti-semita de 1940, apresentado como um documentário. O título alemão inicial do filme era Der ewige Jude, que retrata a conspiração judaica mundial como a migração invasiva de uma horda de roedores que carregam um grande número de pragas e que destroem tudo o que estiver em seu caminho

Spiegelman, assim como os Nazistas representava os judeus como pragas roedoras, resolveu retrata-los desta forma em sua HQ o autor pretendeu, talvez, foi uma imitação do imaginário racista dos alemães, levando-se em consideração que essa espécie de reprodução do preconceito nazista não é literal, mas fundamentada no conceito de mimesis de Adorno, ou seja, de basear-se em um arquétipo para propor semelhança. No entanto, os Nazistas foram retratados como gato e os americanos como cachorros, o que acaba por retratar também, o jogo de caça e caçador, embora isso não estava na intenção de Art aparentemente. A epígrafe do primeiro volume de Maus retrata muito bem essa situação: “Sem dúvida, os judeus são uma raça, mas não são humanos” , frase pronunciada por Adolf Hitler e que justifica a mistura de homem e animal escolhida por Spiegelman. O objetivo é a tentativa de converter o estereótipo antissemita para seus propósitos de maneira a eliminar todos os elementos animais-naturais de sua obra.

O irônico é que quase cinquenta anos antes de Art Spiegelman publicar a íntegra da seminal obra Maus, com ratos assumindo o papel dos judeus pra contar as atrocidades nazistas nos campos de concentração, uma OUTRA obra de um cartunista amador tenha usado o famoso rato de Disney com o mesmo objetivo. Estamos falando de Mickey au Camp de Gurs, de 1940, uma HQ curta na qual o polonês Horst Rosenthal contava a sua própria história, só que colocando Mickey Mouse como personagem principal, expondo ainda mais todo o absurdo da situação. Mas o que piora esta ironia, é que Uma série de estudiosos especializados em sua trajetória, por exemplo, afirmam que Walter Elias Disneyparticipou de reuniões e comícios do Partido Nazista Americano — há quem diga que ele ~só estava tentando derrubar as proibições às suas obras em países como a Alemanha

Mickey au Camp de Gurs
Mickey usado em História sobre campo de concentração
Mickey au Camp de Gurs
Mickey usado em uma história de experiência em campos de concentração Nazista
O Eterno judeu
filme antissemita Nazista
propaganda Nazista que comparava judeus a ratos
propaganda Nazista que comparava judeus a ratos

 

 

 

 

https://judao.com.br/aquela-vez-em-que-o-mickey-mouse-foi-para-um-campo-de-concentracao/

http://www2.eca.usp.br/jornadas/anais/3asjornadas/artigo_010620151226392.pdf

https://www.nybooks.com/daily/2011/10/20/why-mice/

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