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Homem de Ferro – O Demônio da garrafa

Essa é uma saga famosa do Homem de Ferro, quando Tony Stark lida com problemas de alcoolismo. Lançado em 1979, durante as edições #120 a 128 da Iron Man Vol.1, os roteiristas David Michelinie e Bob Layton.
Se tratando de uma história de 79, isso significa que existem muitas diferenças em seu desenvolvimento se comparadas as HQs de hoje. Assim como ocorre no cinema, quem está acostumado aos filmes blockbusters, ao assistirem um filme antigo vai estranhar não só efeitos especiais, como o estilo narrativo e direção. Aqui neste quadrinho pode ocorrer o mesmo. Naquela época, os quadrinhos tinham uma narrativa menos dinâmica, com mais narração que funcionam como textos expositivos. Um narrador que explica o que se passa na cabeça do personagem, o que ele quer fazer, e até os balões de pensamento são expositivos. As vezes, temos o narrador dizendo que o personagem vai dar um golpe forte no inimigo, golpe esse que deixa o oponente zonzo, no mesmo quadro onde é desenhado o soco. E composições mais digamos “certinhas”, com quadros seguindo padrões de tamanhos, posições, e vez ou outra aquele quadro de destaque.
A história “demônio da garrafa”, na verdade se consiste em uma história de uma parte que começa e termina em uma revista de menos de 30 páginas. Só por isso, seria muito pouco para abordar este tema, mas o arco é mais amplo. Vem mostrando que há tempos, Tony Stark já vem tendo o costume de beber de forma não tão sociável. Não ficava dando shows ao ficar bêbado, mas vinha aliviando stress na bebida e com o tempo, começando a beber em horários não muito apropriados como segunda de manhã. Importante frisar que o alcoolismo muitas vezes começa a beber de forma sociável, vai bebendo aos poucos até que uma hora podem vim a perder o controle.

Eu diria que não é um quadrinho sobre o alcoolismo, mas sobre um alcoólatra. Com isso, quero dizer que aqui vemos apenas uma faceta deste problema. Isso não gera mérito e nem demérito por si só.
Embora Stark já vinha pegando o álcool como válvula de escape para o stress que vinha passando, vamos acompanhando os problemas que geram este stress. Se for pegar as HQs quando saiam no formatinho da Abril, teremos várias histórias que convergem neste ato final do Demônio da garrafa, o problema é conseguir acesso a todas essas HQs, já que são antigas. Então temos a versão encadernada que saiu, é um compilado que ajuda bastante, mas ainda deixa muita coisa de fora. É citado uns problemas de Tony com Nicky Fury, que não aparece no encadernado, mas que é um dos problemas que afetam diretamente o Stark. Temos a Bethy, que é uma personagem forte e de personalidade, mas não temos muito sobre ela aqui, e ela não é daqueles personagens de grande participação nas mitologias de algum personagem como a Mary Jane, Lois Lane, Alfred, Tia May. No entanto, ao que parece, é uma personagem que havia conhecido Anthony Stark há pouco tempo, cuja a intimidade ainda estaria sendo construída.
A trama tem um grande foco em um plano de Justin Hammer (o magnata vilão de Homem de Ferro 2) para incriminar o Homem de Ferro, e o plano é bem sucedido. A HQ não foge do clichê do herói derrubar o plano do vilão no final, com direito a lutas com uma penca de vilões do baixo escalão que servem mesmo para serem sacos de pancadas, e entre eles, o Chicote Negro (também presente em Homem de Ferro 2). No entanto, ainda que prove a inocência, a imagem está manchada. Algo que vemos bastante nos dias de hoje, as fake news voltadas ao assassinato de reputações. Algo que se diz bastante sobre este tema, é como uma mentira pega muito amis fácil do que a verdade, até porque até provar que era mentira, o estrago já foi feito.
Já na execução do plano de Justim Hammer, Stark vai caindo cada vez mais para a bebida, quando ele consegue provar a inocência mas ainda assim, vê que os cidadãos continuam com medo dele, ele afoga de vez na bebida e ai, começa de fato o “demônio da garrafa”.
Até então, foi muito bem trabalhado, inclusive em como isso afeta as relações e trabalho, temos o Homem de Ferro com problemas em combate por causa de ter bebido além da conta, brigando com os próximos sem razão. Aqui ele passa a aceitar rápido que é alcoólatra. Este é um dos passos mais importantes para lidar com este problema, mas não mostra muito de uma fase de negação, quando o alcoólatra nega o seu problema. Mas isso ainda seria o de menos, que depois que ele resolve lutar contra o alcoolismo, temos apenas um resumão de que os próximos dias foram difíceis, não vemos absolutamente nada desta luta para superar este problema, nada sobre abstinência, ainda que ao fim, mostre que a luta contra o álcool ainda tinha um longo caminho.
Mas também vemos como as pessoas próximas são importantes neste momento. Pode sentir uma falta de como isso afetou o trabalho do Homem de Ferro nos Vingadores. Até tem um momento que mostra isso, um breve momento e não é difícil de entender a ausência dos vingadores aqui. Se não fosse pelo arco do Homem de Ferro ter que limpar seu nome, nem os veríamos. Estamos acostumados a ve – los como amigos, talvez pelos filmes, mas mesmo nos quadrinhos, atualmente os heróis conhece os alter egos uns dos outros, mas nesta época não conheciam. Homem de Ferro era visto como o guarda costa do Tony Stark e nem o Capitão sabia que eram a mesma pessoa. Nem o James Rhodes que viria a se tornar o Máquina de Combate futuramente sabia. E esse momento vez ou outra é citada em HQs futuras, mas não com frequência.
Este arco serviu de inspiração para Homem de Ferro 2, mas sinceramente, prefiro fingir que não o usaram. No filme, se resume a um porre durante uma festa e um comportamento irresponsável por parte de Tony Stark, irresponsabilidade esta que independe da bebida. Então o arco está mais para um easter egg do que uma influência para o filme.

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