Editorial
Esta história é dedicada a uma pessoa que faz parte de minha vida. Uma grande amiga, uma verdadeira irma.

Gabriel Albuquerque

PREFÁCIO

Hope se passa em uma época pós-invasão extraterrestre. O nosso Planeta agora não vive, e um dos poucos lugares onde se pode ter uma “vida” é um local isolado chamado Hope. Esta cidade é controlada com mão de ferro por um tirano chamado Smart. Um jovem chamado Gabriel tem como seu destino encontrar em meio ao mundo destruído aquelas que controlam a Luz e as Trevas, pois elas devem acabar com a tirania.

Durante todo o seu decorrer várias personagens entram e saem com uma grande importância para o enredo. Sempre deixando lições de vida e uma grande ajuda para que as nossas personagens consigam chegar até Smart para cumprirem os seus destinos.

Hope é uma história que envolve dramas, ação e um belo romance entre seus protagonistas. Uma história que tem tudo para prender sua atenção das primeiras às últimas páginas com algumas revelações e surpresas durante o seu decorrer.

Começo de uma História

            Após todos os exércitos do mundo terem se juntando para derrotar a invasão extraterrestre, a Terra entrou em uma grande depressão. A destruição causada pelas armas nucleares teve como consequência a devastação de alguns continentes e outros ficaram totalmente desertificados. Além disso, a radiação também provocou mutações em alguns humanos sobreviventes. Estes, e os que não sofreram nenhuma mutação, não tiveram recursos, imediatos, para reconstruírem suas vidas. O nosso mundo se tornou um local onde não existem governantes, não existem leis. Um local onde todos lutam dia e noite para sobreviverem. Um local onde a terra não tem mais vida, onde o alimento é escasso e muitos morrem de fome. Um local onde a moradia é em qualquer lugar e em lugar nenhum.
Entre os poucos sobreviventes, houve um em especial: Leandro. Especial, pois a radiação lhe possibilitou controlar os Quatro Elementos naturais: a Água, o Fogo, a Terra e o Ar. Isso lhe permitiu sobreviver à medida dos anos.
Passado cinquenta anos, um dos locais que era considerado um refúgio do Mundo devastado, era Hope. Uma cidade dividida em duas e comandada com mãos de ferro por um tirano chamado Smart. Mesmo sendo um local na qual se devem seguir a risca as leis de Smart; é considerado o melhor lugar para se viver. Lá sempre haverá a proteção da ameaça do Mundo externo. Um local selvagem. De criaturas que matam qualquer coisa, ou qualquer pessoa, para obter alimento.

. . .

Leandro, agora com setenta anos, mora em uma casa de madeira em meio às montanhas com um jovem de vinte e um anos chamado Gabriel. Neste local eles sempre estavam seguros do Mundo, devido a sua localidade de difícil acesso.
O jovem, por ter os mesmos poderes de Leandro, foi treinado pelo mesmo para que pudesse controlá-los. Gabriel é um jovem alto, magro, que não aparenta ter muita força; mas revela o contrário em luta. É um jovem bem persistente e sempre procura estar treinando para melhorar suas técnicas e aumentar sua força. Mas engana-se aquele que pensa que é a força física. A força que ele está sempre à procura da perfeição é a força mental. Segundo ele uma mente forte, revela um corpo forte.
Apesar de ter onde morar, e estar protegido, Gabriel nunca conseguiu ser completamente feliz. A sua irmã. Ela tinha sido separado dele durante a guerra contra os extraterrestres. Ele sempre disse que quando o seu treinamento acabasse ele iria sair à procura dela, não se importando com os perigos do Mundo.
Certo dia Gabriel estava treinando perto de uma cachoeira e percebeu uma presença estranha próximo a casa onde ele e seu Mestre moravam. Ele resolveu ir averiguar o que estava acontecendo. Ao chegar às proximidades da casa, Gabriel viu seu Mestre no chão cercado por três homens. Ele correu em direção a eles, pulou por cima de um e caiu ajoelhado perto de seu mestre.
- Mestre? O Senhor está bem?
- Gabriel... – falou Leandro se levantando – Sim eu estou bem.
- Pode deixar Mestre. Eu me encarrego desses três.
Um dos homens em um tom irônico pergunta:
- Você acha mesmo que será capaz de derrotar nós três?
Gabriel olhou bem para os três e dando uma risadinha disse:
- Vocês três já estão mortos. Meu Mestre encarregou-se de acabar com dois de vocês e deixar você... – apontando para o mais forte deles - sem condições de luta.
Os três soldados começaram a rir. Risadas de deboche. Eles não acreditavam que apenas um velho poderia ter derrotado os três.
- Vocês riem? Não deve ser de alegria. Com certeza é de medo.
- Medo?! Morra desgraçado!
O homem desferiu um soco em Gabriel, e este conseguiu segurá-lo com uma de suas mãos.
O homem recuou dando um passe para trás. Ele olhou para os lados e viu os seus amigos no chão. Mortos. Ele ficara muito espantando. E com o medo expressado com todos os seus detalhes em seu rosto, pergunta:    
- Co... Co... Como você fez isso?     
- Eu já lhe disse: meu Mestre já havia matado os seus amigos.
O homem olhava para os seus amigos. Olhava para Gabriel, e em seguida para Leandro. Depois retornava a olhar para os seus amigos. Aquilo não podia está acontecendo. Não era verdade.              
- Se você não quiser morrer vá embora.
- Eu vim até aqui para matar o velho. Eu irei fazer isso.
Eram palavras firmes. Mas medrosas. Percebia-se nitidamente o medo em sua voz.
- Você não o derrotará. Não com todo esse medo que você está. E também porque eu não vou deixar. GARRA DO DRAGÃO! - O homem é atingido pelo poder de Gabriel sem chances de se defender.
Ele cai no chão, morto, com ferimentos no formato de garras pelo corpo.
Virando-se para seu Mestre, Gabriel pergunta:
- Mestre, quem eram aqueles homens? O que eles queriam?
- Gabriel, a hora aguardada acaba de chegar. Você terá que cumprir seu destino: achar a Guerreira da Luz e a Guerreira das Trevas e protegê-las. Protegê-las até Smart, pois o destino delas é matá-lo. Esses homens que vieram aqui estavam atrás de informações sobre elas. Eu não sei quem está por trás de tudo isso, mas é bem provável que isso não seja obra de Smart. Ache as meninas e as protejas. O mundo conta com você.
- Como assim “conta com você”. O Senhor também vai vim comigo, certo? Você precisa me explicar melhor o que eu devo fazer. Como eu devo agir. Contra quem eu devo lutar.
- Tudo se explicará. Essa é a sua missão. A minha eu já cumpri. Na verdade eu já cumpri todo o meu destino aqui na Terra. Agora é hora de cumprir minhas missões no Céu.
- Não! – Gabriel, com as mãos trêmulas e com olhos “enchendo d’água” – O Senhor não pode me deixar. Eu não vou conseguir cumpri-la sem o seu auxílio.
- Eu sei que irá. Eu confio em você. Guerreiro Dragão.
E ao terminar de falar, Leandro fechou os olhos e deu o seu último suspiro.
- Mestre! – Gabriel, já com as lágrimas escorrendo pelo rosto, e com as mãos em Leandro – Por favor, Mestre não me abandone agora... Por favor...
Mas de nada adianta Gabriel chamá-lo. Ele não se mexe mais.
Percebendo que era inútil ele ficar ali chorando a morte de seu Mestre, Gabriel reuniu as suas coisas e resolveu ir cumprir com sua missão. Com o seu destino. E também iria aproveitar para procurar pela sua irmã, pois ao ser chamado de Guerreiro Dragão, ele teve a certeza de que o seu treino havia acabado.
Ao sair da casa, o corpo de seu Mestre não estava mais lá. Havia ido para o Céu. Virara um corpo celeste. Gabriel ficou a pensar enquanto olhava para o céu: “Mestre, eu sei que o senhor está me vigiando. Não se preocupe, eu irei cumprir com minha missão. E o mais importante: irei vingar a sua morte.” Em seguida, Gabriel adentra a Floresta Castell determinado a cumprir com o seu destino.

 

A Criança

Passado uma semana, Gabriel ainda estava na Floresta Castell (recebe esse nome devido a um castelo que existia nela antes do ataque extraterrestre) indo a Hope, que mesmo tendo esse belo nome (Hope – Esperança em inglês), não é um local tranqüilo.
Apesar de estar protegido do Mundo externo, muitas vezes rebeliões, de pessoas que não aceitam o governo, estouram por toda a cidade. Normalmente esses grupos são expulsos de Hope e a “paz” volta a reinar. Há também alguns que tentam entrar à força procurando proteção. Smart só permite a entrada daqueles que ele aprova. Essas tentativas também sempre terminam em brigas sangrentas. 
Gabriel viaja para ela, pois havia conseguido informações durante sua passagem pela Floresta de que a Guerreira de Luz havia estado lá, e fugira por ter sido descoberta. Gabriel concluiu que ela não estaria longe, e que querendo, ou não, teria que passar por Castell. Era o único caminho seguro para se afastar de Hope.

. . . 

Na Floresta Castell, Gabriel está caminhado na trilha principal há alguns dias. Ao olhar para o lado ele vê uma pequena trilha que adentra a floresta densa. A princípio ele a ignora. Mas havia algo nela que lhe intrigava, e com bastante cautela ele foi adentrando na floresta pela estreita trilha. Após alguns metros ela acabava. A sua frente havia uma grande clareira, em forma de circulo, e bem ao centro uma barraca. Gabriel, muito curioso, e se perguntando o que aquela barraca fazia ali, se aproximou dela. Ao chegar perto viu que ela estava aberta e dentro tinha roupas e restos de comida. Também havia madeira queimada bem à frente. Isso significava uma coisa: havia alguém morando ali. Gabriel pegou uma das peças de roupa e através dela deduziu que era uma menina que morava ali.
Gabriel deixou a roupa dentro da barraca e ao retornar ao seu caminho, ele percebeu que algo se aproximava dele pelo chão rapidamente. Ao olhar para o lado, para verificar o que era vários cipós saíram do chão e impediram a sua passagem.
Escuta-se uma voz:
- O que você faz aqui? – era uma voz feminina.
Gabriel sem conseguir enxergar direito, responde:
- Eu apenas fiquei curioso para saber o que esta barraca está fazendo aqui.
A dona da voz aproxima-se do cercado que ela aprisionou Gabriel.
Apesar de não poder enxergar direito, o Guerreiro Dragão conseguiu perceber que se tratava de uma criança.
- Não minta! Você deve ser mais um dos capangas de Smart que veio atrás de mim.
- Não! Eu não vim lhe fazer mal. Como eu já disse: foi apenas curiosidade.
- Sua curiosidade acaba de te matar!
Os cipós em volta de Gabriel começaram a se fechar. Percebendo que não teria outro jeito, ele manipula o fogo e queima os cipós a sua volta. 
A criança era morena, de cabelos pretos longos e olhos pretos.
- Como você queimou os meus cipós? – pergunta a criança.
- Eu posso controlar e produzir os quatro elementos. Eu não quero brigar com você. Desculpe-me por ter invadido o seu território.
Gabriel diz isso, e dá as costas para a criança retomando a sua viajem até Hope.
- Espere! – grita a criança – Você disse que controla os quatro elementos?
- Isso mesmo – responde Gabriel, virando-se para a criança – Por quê?
- Eu escutei dizer que há uma pessoa em Hope que quer matar o Guerreiro que controla os Quatro Elementos.
- É isso mesmo! – vozes que não se sabe de onde vêem.
Da floresta saem quatro homens.
- Criança, qual é o seu nome? – pergunta Gabriel.
- Clarice.
- Clarice fique aqui enquanto eu acabo com esses homens. Não quero que você se machuque.
O que Gabriel não sabia é que havia acabado de ofender a criança. Clarice não era daquelas crianças que cruzam os braços e espera. Ela gosta da ação. Isso normalmente lhe mete em encrencas. Muitas vezes se mete em lugares e situações que são difíceis de se livrar. Dessa vez ela pensou melhor e resolveu esperar um pouco antes de fazer qualquer coisa.
Gabriel aproximou-se dos homens.
- Você acha que é capaz de derrotar nós quatro?! – diz um deles.
- Acho melhor você pedir ajuda para a baixinha – diz outro.
Gabriel manteve-se calado. Ele apenas observava os homens. Isso os irritava. E a Clarice também. Ela queria ver uma boa briga.
- Você não vai dizer nada não?
- Acho que ele paralisou de medo!
Os homens riem, debochando de Gabriel.
Em seguido eles cercam Gabriel, e cada um deles lança de suas mãos um lança-chamas, que o atinge.
- Não deu nem para aquecer.
Depois que a fumaça abaixou, Gabriel estava inteiro e ao seu redor havia uma grande bolha d’água protegendo-o. Clarice ao ver a cena, fica impressionada, e resolve ir ajudar Gabriel.
- Vocês não são de nada! – grita Clarice, chamando a atenção de três deles – Morram! FOLHAS CORTANTES!
Várias folhas aparecerem em volta de seu braço, e logo em seguida começaram a ir à direção dos homens, os atingindo e causando cortes mortais por todo o corpo. Com toda a agitação o outro homem se distraiu. Gabriel aproveitou para utilizar a água da bolha para atacá-lo. Ao ser atingido, o homem fora jogado ao chão. Clarice então aproveitou a oportunidade para prendê-lo com cipós.
- Obrigado Clarice. – agradece Gabriel – Mas eu poderia ter dado conta deles.
- É que eu não resisto a uma briga. Eu prendi um deles. É para matá-lo também?
- Não. Este irá responder as minhas perguntas.

As Companheiras de Gabriel

Gabriel levantou o homem do chão e pediu para Clarice o prender em uma árvore.
- Muito bem. Quem é que está atrás de mim? – pergunta Gabriel.
- O Senhor Smart.
- Por quê?
O homem não responde nada.
Clarice não gosta da atitude dele e faz com que os cipós fiquem mais apertados. O homem começa a ficar sem ar. Gabriel pede para que ela pare com aquilo.
- Responda logo a pergunta se não eu te mato! – exclama Clarice.
O homem respira aliviado.
- Ninguém irá me matar.
Gabriel e Clarice olham desconfiados para ele, e o mesmo começa a liberar toda a sua energia, e isso faz com que os cipós pequem fogo e o solte. Logo após ficar livre, ele solta de suas mãos dois lança-chamas na direção de Gabriel e Clarice. Os dois conseguem desviar.
- Ele está fugindo! – exclama Clarice.
Gabriel faz com que uma grande muralha de pedra apareça na frente do homem, o impedindo de fugir.
- Clarice! Prenda-o! – grita Gabriel.
Clarice usa os seus cipós novamente para prender o homem.
Porém desta vez ele consegue desviar, e utiliza o seu lança-chamas a acertando.
- Pirralha intrometida. – resmunga o homem.
Gabriel aparece por detrás e o prende pelo pescoço.
- Acho melhor você não fazer nada, e começar a falar.
- E porque eu te responderia algo?
Em seguida ele faz com que todo o seu corpo pegue fogo, obrigando Gabriel a soltá-lo.
O homem virou-se para Gabriel e disse:
- Agora que resto somente eu, todo o dinheiro da recompensa pela sua cabeça, ficará para mim! – risos.
- Então porque você não tenta arrancá-la?
O homem utiliza todo o fogo em volta de seu corpo para atacar Gabriel.
O Guerreiro dos Quatro Elementos desvia do poder, e acerta um soco no rosto do homem o derrubando. Na hora que ele ia se levantando, vários cipós o prenderam fortemente ao chão.
- Primeiro: aquele golpe doeu. Segundo: eu odeio que me chamem de pirralha; e terceiro: você irá responder as perguntas, por bem ou por mal.
- Eu imaginei que teria mais opções. – responde o homem rindo.
- Já chega. Eu vou matar esse cara.
- Talvez seja melhor mesmo. – uma voz feminina ao longe.
- Quem está aí? – pergunta Clarice olhando em volta.
De dentro da floresta sai uma menina alta, morena, de cabelos pretos longos e lisos, e olhos pretos.
- Quem é você? – pergunta Clarice, assumindo uma posição de luta.
- Não se preocupe. Eu não vim lutar contra você ou contra o Guerreiro Dragão. – responde a jovem.
Ao escutar isso Gabriel olha para a menina assustado: “Como ela sabe disso?”.
Aproveitando a distração de todos, o homem conseguiu se soltar dos cipós e começou a correr em direção a mata. A menina então levanta um de seus braços, fazendo uma pedra bem grande sair do chão:
- PEDREGULHO! – grita a menina
A pedra então vai à direção do homem com grande velocidade o atingindo mortalmente. A jovem olha para Gabriel e Clarice.
- Me chamo Isla. Sou uma Guerreira de Pedra.  
- Isso não é importante. Você matou a única pessoa que poderia responder por que Smart está atrás do Guerreiro Dragão. – diz Clarice.
A jovem simplesmente ignora Clarice e continua a olhar para Gabriel. Este está sem saber o que fazer e a única palavra que sai de sua boca é um “Obrigado”. Ele gostaria de falar mais alguma coisa, mas nada vinha a mente. Um “Obrigado” não era suficiente. Então ele cometeu, para ele, mais um erro; ele se apresentou.
- Me chamo Gabriel.
Mas porque um erro?
Gabriel não queria que as pessoas não soubessem quem ele era. Essa jovem já sabia até que ele era o Guerreiro Dragão. Qual era o problema de saber o seu nome?
- É você que está atrás das Guerreiras de Luz e Trevas? – pergunta Isla.
- Sim.
Ela também sabia disso. Ela sabia demais. Havia algo de errado.
- Como você sabe disso?
- Eu ando muito por esta floresta. Eu sempre soube onde você e seu Mestre, Leandro, moravam. Houve algumas vezes que acompanhei de longe os seus treinos. Leandro sabia disso. Mas nunca representei perigo para ele e nem para você.
- Por isso que ele nunca me disse nada.
Clarice estava cansada daquela conversa, na qual ela não podia participar, e como era de costume, ela se intrometeu:
- Gabriel, você não estava indo para Hope?
Gabriel volta a sua atenção para a criança.
- Sim. É claro. Eu tenho que me apressar.
- O que irá fazer em Hope? – pergunta Isla.
- Estou indo achar a Guerreira da Luz e das Trevas. Eu tenho que protegê-las até Smart, para que elas possam matá-lo. É o destino delas.
Isla e Clarice olham como que não entendo nada de que Gabriel falara.
Gabriel agradece novamente a ajuda das duas e dirige-se para a trilha principal de Castell, para prosseguir em sua viajem.
Ao chegar à trilha, as duas meninas gritam o seu nome. Ele pára atendendo ao chamado.
- Gabriel nós queremos ir com você. – diz Isla.
Gabriel pensa durante algum tempo. Ele não sabia se aquilo era uma boa idéia. Sabia que elas eram fortes, e seria além de uma companhia, uma ajuda para encontrar as Guerreiras de Luz e Trevas, e ajudá-las na luta contra Smart.
- Se vocês estiverem realmente dispostas a arriscarem suas vidas, podem vim.
As Guerreiras se assustaram pela forma que Gabriel disse essas palavras. Mas o que ele podia fazer, se aquilo era a realidade? Elas, assim como ele, estavam indo para arriscarem as suas vidas.
- Não se preocupe. Nós sabemos dos riscos. – diz Isla.
Gabriel então segue o seu caminho por Castell com suas companheiras.

Uma Noite em Castell

Gabriel, agora junto com Clarice e Isla, retoma sua caminhada até Hope pela trilha principal da Floresta Castell.
- Eu estou cansada de andar. – diz Clarice – Será que nós não poderíamos fazer uma parada?
- A Clarice tem razão. – responde Gabriel – E sem contar que logo vai anoitecer. Nós temos que arrumar algum lugar para passar a noite.
Isla coloca a sua mochila no chão e começa a olhar em volta, a procura de algo.
- O que foi? – pergunta Gabriel.
Sem resposta.
Clarice também faz a mesma pergunta. A Guerreira de Pedra continua sem responder nada. Ela anda de um lado para o outro. Olha para dentro da floresta. Conta passos. Olha a terra. Olha a vegetação a beira da trilha. E quando já cansados de assistir aquilo, Isla finalmente fala algo.
- Clarice, você poderia afastar essas arvores aqui. Este com certeza é o melhor local.
- Como você sabe?
- Relaxa Clarice. Eu moro nessa Floresta desde pequena. Conheço cada canto dela.
- Bom já que é assim...
Clarice utiliza sua energia para fazer com que toda a vegetação se afaste do local apontado por Isla, abrindo uma clareira à beira da trilha.
- Ótimo! – exclama Isla – Aqui dá para montar o acampamento.
Sem contestar, Gabriel e Clarice colocam seus pertences no chão e rapidamente se acomodam na clareira aberta.
- E como vamos nos aquecer? – pergunta Clarice.
- Já que você deu a idéia, então porque não vai pegar alguns galhos secos? – pergunta Gabriel.
- Para quê? Já tem tudo que precisamos bem aqui. – responde Clarice.
Utilizando sua energia ela faz com que várias folhas, gravetos e galhos envelheçam.
Gabriel pega todo o material e monta uma fogueira. Ele a acende manipulando o fogo. Em seguida todos os três sentam a frente da fogueira procurando se aquecerem.
Castell tinha esse problema: quanto mais à noite fica mais frio se é.
Já havia um tempo que os três estavam ali, e nenhuma palavra havia sido dita. Não porque não houvesse. Acontece que as duas meninas estavam receosas em relação a Gabriel. Isla foi a primeira a perder esse receio. 
- Gabriel como você vai fazer para achar as Guerreiras em Hope? Você já sabe onde procurar?
- Para falar a verdade não. Eu nem conheço a cidade toda. Fui somente uma vez, mas não consegui passar pelo Segundo Muro.
- Como assim: “Segundo Muro”? – pergunta Clarice embalada pela pergunta de Isla, a Guerreira de Planta também conseguiu perder o receio.
- Em Hope existem dois muros: o Primeiro cerca a cidade a separando do mundo externo. Essa parte de Hope se chama Cidade Refúgio. O Segundo separa aqueles que Smart acha que são excluídos da sociedade. Essa parte da cidade se chama Cidade Principal.
- Então as brigas acontecem porque um ou outro grupo tenta invadir a Cidade Principal?
- Também. Às vezes aparece um ou outro grupo tentando invadir a Cidade Principal. Mas poucos se arriscam, pois nessas investidas, os soldados de Smart têm ordens de matar a todos. A maioria das batalhas acontece do lado externo, que é quando algum grupo rebelde tenta invadir a Cidade Refúgio para tomá-la e aumentar o seu grupo.
O silêncio novamente. Escutavam-se somente os animais noturnos. Aliás, eles foram os menos afetados pela invasão e utilização das armas nucleares. Porque, ninguém sabe. Talvez seja o fato de que eles sejam muito mais evoluídos do que nós Humanos. Eles provavelmente sentiram o perigo muito antes dele acontecer e conseguiram se preparem melhor para a situação.
O silêncio fora interrompido pelo som de uma barriga “roncando”. Era a de Clarice.
Ela olhou para os dois, e abriu um sorriso de vergonha.  
- Vou procurar algo para vocês comerem. – diz Gabriel.
Gabriel se levanta e adentra na mata, à procura de alimentos. Enquanto isso Isla o observa pensando: “Como ele consegue ficar tranqüilo em uma situação dessas?”.
- Isla, você acha que nós vamos conseguir entrar em Hope? – pergunta Clarice.
- Claro que sim! O Gabriel tem um plano, eu só não sei qual ainda, mas tem.
Plano? Isla não sabia o que falava. Ela se perguntou algumas vezes porque daquela resposta. A única resposta que encontrou fora: “Ele tem que ter um plano. Somente assim eu poderei ficar tranquila.”.
Gabriel dentro da mata recolhe algumas frutas e resolve voltar para o acampamento. No percurso de volta ele avista uma coruja em um galho. “Eu sinto muito corujinha, mas hoje você será o nosso jantar”. Ele se aproxima o máximo possível dela sem fazer barulho. Quando encontra um ponto em que ela não o visse; ele a ataca manipulando o vento, a derrubando da árvore morta. Ele a pega do chão e prossegue o seu caminho de volta para o acampamento. Ao chegar ao local ele encontra Clarice e Isla dormindo. “Acho melhor deixá-las dormindo. Amanha nós iremos andar bastante”.
Passado algumas horas, Isla acorda assustada olhando em volta.
- O que foi Isla? – pergunta Gabriel.
- Nada. Eu dormi e nem percebi. Não poderia ter feito isso. Deveria ter ficado de guarda.
-Não tem problema. Tem carne na fogueira e algumas frutas na minha mochila. Peque. Você precisa comer algo.
Isla vai até a mochila de Gabriel pega uma fruta e depois senta ao seu lado. Ela fica a observar os galhos queimar em meio ao fogo. Ela acha aquilo fascinante e se desliga por alguns minutos.
Ao voltar a si, mas sem tirar os olhos do fogo ela pergunta:
- Gabriel você está triste por causa da morte de seu Mestre. Disso eu tenho certeza. Mas eu posso ver que tem algo a mais.
- E você tem razão, mas não se preocupe. Eu vou ficar bem. Vou ir dormir um pouco. Se a Clarice acordar, fale para ela comer algo. E qualquer coisa me acorde.
Gabriel deita ao lado da fogueira e logo adormece. Enquanto isso Isla o observava pensando: “Um homem com uma missão e muitos segredos. Essa viajem vai ser bem interessante!”.

. . .

 

 Após algumas horas, Isla percebe um movimento e ao olhar vê Clarice levantando-se.
- O Gabriel já voltou? – pergunta Clarice.
- Há muito tempo.
- Porque você está acordada?
- Eu estou montando guarda. Não se sabe quando vai aparecer algum soldado de Smart.
Clarice dirige-se até as frutas recolhe uma delas e se senta ao lado de Isla. Assim que ela acabou de comer sua fruta ela manda Isla ir dormir. Ela se responsabilizou pela guarda.
- Você tem certeza?
- Posso ser uma criança ainda, mas sou bem poderosa!
Isla levantou-se rindo e disse:
- Você tem razão. Qualquer coisa é só me chamar
- Pode deixar.
Clarice passou o resto da noite montando guarda até o amanhecer.

. . .

Aos primeiros raios de sol, Gabriel se levanta e vê Clarice sentada ao lado da fogueira.
- Passou a noite acordada?
- Não. É que no meio da noite eu troquei de posto com a Isla.
Gabriel sorri para ela e começa a recolher suas coisas. Clarice segue o exemplo de Gabriel, e também junta as suas. A movimentação acorda Isla.
- Nós já vamos?
- Temos que andar bastante hoje. – responde Gabriel.
Isla, com muita preguiça e com os olhos pesados, também junta suas coisas.
Após todos estarem com tudo arrumado, os três voltam para a trilha a caminho de Hope.

. . .

Depois de algumas horas que os três saíram do acampamento, um homem bem alto, forte e careca; junto com uma bela dama de cabelos longos brancos e corpo esbelto; apareceram no local.
- Eles com certeza tiveram aqui. – diz o homem.
- Não se preocupe Vagno. Eles vão parar em algum momento e então nós iremos os pegar.

 

Batalha à Beira do Rio

- Isso com certeza é um problema.
- Com certeza Clarice – diz Isla.
- Só por causa desse rio?! – comenta Gabriel.
- O problema é a correnteza. – diz Clarice.
- Isso não é problema. É só criar uma ponte de pedra.
- E vai funcionar? – pergunta Isla
- Só tem um jeito de saber.
Gabriel chega à beira do rio e põem uma das mãos no chão. Poucos segundos depois uma ponte de pedra havia sido criada, interrompendo a correnteza.
- Pronto. Agora vocês podem atravessar. – diz Gabriel.
No momento em que as meninas chegam à beira do rio para atravessá-lo, a correnteza volta a se mover mais rapidamente e com mais violência, quebrando a ponte.
As duas meninas voltam correndo para a margem do rio, sem entenderem direito o que havia acontecido.
- Gabriel, isso não teve graça. – diz Isla.
Gabriel não responde nada. As meninas o olham e percebem que ele tem o olhar fixo do outro lado da margem. Elas também olham para o outro lado. Lá se encontrava uma garota alta, morena de cabelos cacheados.
- Eu que fiz a correnteza fluir novamente. Ela deve fluir sempre. Se em algum momento ela parar, toda a radiação contida no rio se espalhará por Castell. Se vocês querem atravessar arrumem outra forma. Em seguida ela dá as costas e começa a caminhar de volta para a parte densa da Floresta.
Gabriel e as meninas a observam sumir.
- Ótimo agora que ela se foi, nós podemos fazer novamente a ponte e atravessar o rio. – diz Isla.
- Vocês não irão atravessar este rio. – uma voz bem grossa, masculina, que vinha de trás deles.
Ao olharem viram Vagno e sem terem tempo de perguntarem quem era aquele homem, ele fez seus braços se tornem pedras e avançou em direção aos três.
Primeiro ele tenta acertar um soco em Clarice, mas esta consegue desviar. Depois ele roda o seu braço procurando atingir Isla, que também consegue desviar-se. Vagno pára e bem a sua frente estava Gabriel. Ele corre em sua direção. O Guerreiro Dragão, faz uma muralha de pedra para tentar parar Vagno, mas de nada adiantou. Vagno a destruiu. Na hora de aplicar o golpe em Gabriel, ele foi todo imobilizado por vários cipós.
- Tem gente querendo morrer mais cedo. – diz Vagno.
Ele segura todos os cipós de Clarice e os puxa, trazendo junto a Guerreira de Planta. Ao chegar bem na sua frente ele aplica um soco nela que a joga longe.
- Droga! – exclama Gabriel – Isla vamos ajudá-la!
- Eu não faria isso se fosse você! – grita uma mulher do outro lado do rio.
Gabriel e Isla param e olham para o outro lado. Eles vêem uma mulher de cabelos longos brancos segurando a “menina do rio” com uma faca em seu pescoço.
- Se você não quer que essa menina morra você não irá fazer nada e virá comigo.
Isla ameaçou avançar na moça, mas fora contida por Gabriel. Este, manipulando o vento atravessa o rio e se põem à frente dela.
- Muito bem. Aqui estou, solte-a.
- Ela será a minha garantia que você não irá utilizar os seus poderes. A libertarei quando você estiver nas mãos de Smart.
- Quem são vocês?
- Meu nome é Kadoshy. O do fortão do outro lado do rio é Vagno.
Gabriel olhou para Isla, e lhe disse com os olhos para ir ajudar Clarice. Esta, sem pestanejar, atendeu ao pedido do Guerreiro Dragão.

. . .

Vagno estava prestes a acertar Clarice, aproveitando-se de que ela estava no chão.
Isla, para impedir o golpe de Vagno, o atinge com o Pedregulho. Depois corre até Clarice para ajudá-la a levantar-se.
- Você está bem?
- Sim. Cadê o Gabriel?
- Está tentando salvar a “menina do rio”.
- Porque ele está perdendo o tempo dele? Ela não quis nos ajudar.
Isla não teve tempo de responder a pergunta de Clarice. Vagno já havia se recuperado do poder lançado.
- Droga. Vocês me deixaram com raiva. Eu vou matá-las! – grita Vagno.
Vagno transforma seus braços em pedra e avança contra as meninas. Ele vinha como um tanque. Nada o pararia.
Era o que as meninas pensavam.
Do outro lado Kadoshy grita com Vagno, o ordenando parar.
Ele pára bem próximo delas.
- Não há necessidade de matá-las. Nós já temos o que queremos.
- Essas pirralhas me machucaram, não vou deixá-las viverem!
Vagno arma seu golpe.
- Já chega Vagno! – grita Kadoshy – Vamos embora!
Vagno, mesmo contra a sua vontade, faz uma ponte de pedra e atravessa o rio indo até Kadoshy.
- Pronto. O seu companheiro está aqui, eu estou aqui. Não há necessidade de você continuar com a menina. – diz Gabriel.
- Eu já disse que ela é a minha garantia. Não vou soltá-la.
A “menina do rio”, cansado de tudo aquilo, faz com que a água do rio atinja Vagno, o derrubando. Kadoshy se distrai, e ela aproveita-se para golpeá-la também.
Isla e Clarice também atravessam o rio, e ficam ao lado de Gabriel; que se encontrava surpreso com o que a jovem havia feito.
- Se vocês dois não quiserem morrer, vão embora! – exclama a “menina do rio”.
- Não seja idiota! Você jamais conseguirá nos derrotar! – grita Vagno
Em um excesso de fúria, Vagno fez com que todo o seu corpo se transforme em pedra:
- Vocês irão sentir a fúria de Vagno... PRECIPÍCIO NEGRO!
Ele bate suas duas mãos no chão com uma força brutal, que faz o mesmo se abrir abaixo de Gabriel e das meninas. Todos os quatro caem em um precipício que não se via o fundo.
Gabriel e Isla, pensando rapidamente, fazem com que duas grandes rochas saiam das paredes formando um chão.
- Esse cara já me encheu! – exclama Isla – Vou acabar com ele agora!
Isla fez com que o chão subisse, retornando a superfície.
- O que?! Vocês ainda estão vivos?! – resmunga Vagno.
- Não só estamos como vamos acabar com você! – exclama Isla.
Isla utiliza o Pedregulho em Vagno, mas a rocha lançada, ao colidir com o corpo rochoso de Vagno, se despedaça.
Vagno olha para a Guerreira de Pedra e ri. Ri como se dissesse que ela era uma fraca e precisaria muito mais do que aquilo para derrotá-lo. Mas Vagno não sabia com quem ele havia se metido. Aquilo era uma provocação para Isla. E se tinha uma coisa que ela não suportava era provocação.
Com muita raiva, ela corre na direção de Vagno.
- Isla! Espere! – grita Gabriel, que corre atrás dela.
Ao chegar a Vagno, Isla lhe aplicou um soco, porém sua mão parou no corpo de Vagno. Ela olha assustada para Vagno e este, com um olhar cheio de maldade, pega o seu braço e a joga contra Gabriel que vinha correndo na direção dos dois. Gabriel tentou segurá-la, mas os dois terminaram no chão.
Clarice correu até os dois:
- Vocês estão bem?
- Eu acho que quebrei minha mão, mas eu estou bem. – diz Isla.
- Eu não estou nada bem. – diz Gabriel.
- Por quê? Você está ferido? – pergunta Clarice.
- Tirando o meu orgulho... A questão é que eu estou furioso com esse cara!
- Vocês falam de mais. – diz Vagno – Eu estou cansado de escutar as suas vozes. Se preparem. Dessa vez vocês não irão escapar do meu... PRECIPÍCIO NEGRO!
Antes que Vagno pudesse bater suas mãos no chão, ele fora atingido por um golpe da “menina do rio”.
- Pode deixar comigo. Eu vou matar esses dois.
- Ótimo! Agora ela quer nos ajudar. – diz Clarice.
Vagno a desafia com o olhar. Ela não deixa por menos, e com um movimento de sua cabeça o chama para o combate.
Vagno, que também não aceitava muito bem provocações, corre na direção dela e começa a desferir vários golpes. Ela, por sua vez, esquiva-se de todos eles, afastando-se para trás, atraindo o seu inimigo para a beira do rio. Percebendo que já estava bem próximo a margem, ela realiza um movimento bem rápido, conseguindo desequilibrar Vagno, fazendo-o cair no rio. Ao entrar em contato com a água, sua armadura se desfez.
- Você está exatamente onde eu quero. – diz a jovem.
Ela estica um de seus braços em direção a Vagno e grita:
- CANHAO D’ÁGUA!
De sua mão sai um forte jato d’água que atinge Vagno o jogando rio abaixo.
- Pronto. Agora é a vez de Kadoshy.
- Você acha mesmo que derrotou Vagno? – pergunta Kadoshy
- Não. Mas pelo menos agora ele não é mais um problema para te derrotar.
- Então você acha que é capaz de me derrotar? Faze-me rir.
Kadoshy com alguns movimentos suaves de seus braços faz soprar uma brisa leve e fria. À medida que seus movimentos aumentavam, a brisa se tornava mais forte, até no momento em que ela pára os movimentos com os dois braços esticados.
- VENTOS NEGROS! – grita Kadoshy.
E a brisa suave se torna uma poderosa ventania, que joga todos do outro lado do rio.
Não contente com o primeiro poder lançado, Kadoshy o utiliza novamente. A forte ventania atinge todos, porém dessa vez, Gabriel consegue se esquivar e vai à direção de Kadoshy. Ao chegar próximo dela, ele começa a desferir vários golpes. Ela consegue desviar de todos e aplica um soco, seguido de um chute no Guerreiro Dragão, o derrubando no chão.
As meninas levantam-se e correm em direção a Gabriel. No meio do caminho a terra se abre e de dentro sai Vagno com vários ferimentos.
- Você irá pagar pelo que fez. – diz Vagno apontando para a “menina do rio”.
Ele corre na direção da Guerreira de Água, e lhe acerta um soco com extrema força que a derruba no chão. Clarice e Isla tentam acertar alguns golpes em Vagno, porém a atitude das duas fora em vão. Vagno consegue desviar de todos e acertar golpes nas duas, que as levam ao chão.
Gabriel se levanta e anda até Vagno. Ao chegar próximo dele uma grande muralha de pedra aparece na sua frente.
- Essa luta é entre eu e as meninas. – diz Vagno, enquanto a muralha subia.
Gabriel ao tentar fazer a muralha baixar, manipulando a pedra, é atingido pelas costas por um dos poderes de Kadoshy.
Ele vira-se para ela.
A mulher dos cabelos brancos sorria e ria.
- O que foi Guerreiro Dragão? Não consegue lutar sem suas amiguinhas? – diz Kadoshy ironicamente em meio aos risos.
Gabriel a fita com ódio no olhar, e em seguida parte para o combate.

 . . .

Do outro lado da muralha, as meninas atacavam Vagno simultaneamente, e em todas às vezes ele conseguia se esquivar ou se defender; e em seguida contra-atacava.
- Se continuarmos assim, jamais iremos derrotá-lo. – diz Clarice.
- Não necessariamente. – diz Isla – Você possui alguma técnica mais poderosa do que aquela que você usara antes? – a pergunta se dirigia para a “menina do rio”.
- Sim. Por quê?
- Tive uma idéia. Clarice você irá prendê-lo. Depois eu e você utilizaremos nossos poderes para acertá-lo.
- E isso irá funcionar? – pergunta Clarice.
- Só há uma forma de saber.
- Está certo. Eu e a Isla vamos distraí-lo para você poder prendê-lo. Preste bastante atenção: você terá somente uma oportunidade.
A jovem e Isla correm na direção de Vagno e ao chegarem perto dele, cada uma vai para um lado. O inimigo não soube para onde olhar e terminou preso por várias plantas.
- Essa é a hora! FENDA! – grita Isla, socando o chão e abrindo uma rachadura.
A rachadura “caminhou” até Vagno, e ao chegar nele, se abriu uma fenda. Sem poder fazer muita coisa suas pernas caem na fenda. Em seguida, Isla faz com que ela se fechasse o prendendo.
- Agora é a minha vez. HIDROBOMBA! – grita a jovem, fazendo sair de suas mãos um forte e volumoso jato d’água (mais poderoso do que o primeiro utilizado por ela). Este jato atingiu Vagno com tanta violência que o esmagou contra o chão, o matando.
- Finalmente... – diz Isla ofegante – Finalmente esse cara morreu.
O muro criado por Vagno desmorona; e do outro lado estava Gabriel e Kadoshy trocando socos e chutes.
- Vamos ajudá-lo! – exclama Clarice.
- Parem! – grita Gabriel – Esta luta é minha.
Após falar isso ele é atingido por um chute, que o leva ao chão.
Depois de alguns segundos e recuperado do golpe, Gabriel se levanta:
- Este será o seu fim Kadoshy! – grita Gabriel.
Ele junta suas mãos à frente do corpo, com os braços esticados. De dentro de suas mãos começa a acumular uma grande quantidade de energia.
- RAIO DO DRAGÃO!
E a quantidade de energia acumulada se torna um poderoso raio, que atinge Kadoshy a jogando contra uma árvore. Depois que a energia do raio acaba, a bela dama cai ao chão.
- Acabou. – diz Gabriel ofegante – Agora nós poderemos seguir em nossa viajem.
Isla e Clarice correram até Gabriel.
- Você está bem? – pergunta Isla.
- Cuidado! – grita Clarice.
Ao virarem para trás, Kadoshy estava de pé se preparando para utilizar os Ventos Negros.
- Mas que droga! – exclama Clarice – Agora já chega! Você vai morrer!
Clarice ergue seus braços para o céu, com as mãos abertas, e grita:
- CHUVA DE PETÁLAS!
Após isso várias pétalas caem do céu grudando no corpo de Kadoshy. Depois que o corpo da bela dama estava completamente tomado por pétalas, Clarice abaixou os braços, e exatamente nesse momento, Kadoshy se transforma em uma linda rosa branca.
O espanto tomou conto de todos.
Isla se aproxima da Guerreira de Planta e lhe pergunta com a voz surpresa:
- Desculpa a pergunta Clarice, mas se você tem uma técnica que pode transformar o inimigo em uma inocente flor; por que você não a utilizou antes?
- Dois motivos: primeiro porque a minha energia fica bem baixa, e segundo porque há possibilidade da pessoa não se transformar em uma inocente flor. É uma técnica boa, mas muito arriscada.
- Bom o que interessa é que nós finalmente a derrotamos e poderemos seguir em nossa viajem. – diz Gabriel.
- Assim que descansarmos um pouco, certo? – pergunta Clarice.
- É. Acho melhor descansarmos um pouco.
Ao escutar isso, Clarice se joga ao chão.
Gabriel abre um pequeno sorriso devido à atitude de Clarice. Em seguida ele volta a sua atenção para a jovem que os ajudara.
Ele se aproxima dela, e de longe Isla e Clarice ficam a observar.
- Como você se chama?
- Daniela.
- Você é muito forte.
Um silêncio entre os dois.
- Você não quer que ninguém prejudique esta floresta. A única forma de fazer isso é acabar com Smart. Porque você...
- Não diga nada. Eu sei quem é você e o que você está indo fazer em Hope. E a resposta a sua pergunta é sim. Sim eu adoraria ir com você e ajudar a acabar com o Smart.
- Como soube?
- Está Floresta tem ouvidos. Certamente até Smart sabe que você está indo para lá. As notícias que passam por esta Floresta rapidamente chegam a Hope.
Gabriel sorri para a jovem. Em seguida olha para Clarice e Isla perguntando se elas aceitavam a entrada de Daniela no grupo. Elas consentiram.
- Está certo Daniela. Assim que descansarmos seguiremos viajem, com você junto com nós agora.
- Podem me chamar de Dani.
Os quatro passaram todo o resto daquela manha descansando da batalha contra Kadoshy e Vagno.

O Vilarejo

Após um belo descanso da difícil batalha travada por Gabriel e suas companheiras, todos os quatro retomam a caminhada pela trilha principal de Castell.
Fazia muito calor àquela hora do dia. Por muitas vezes eles tiveram que parar para descansarem. Assim foi boa parte da tarde: andavam algumas horas, descansavam alguns minutos.
Se passado várias horas de caminhada, eles conseguiram atingir o final da trilha. Era à saída de Castell.
Eles não acreditavam. Finalmente a tortura da Floresta havia acabado. Tortura essa recompensada com a vista maravilhosa que eles tiverem.
De lá. Lá do alto da colina, onde terminava Castell, podia se ver toda a Hope ao longe. Aquela visão contrariava tudo que se ouvia a respeito da cidade. Era linda. Os quatro ficaram a observar toda a vegetação rasteira que tinha colina abaixo. E em meio às graminhas se tinham lindas flores. De todas as espécies.
É. Era realmente muito lindo. Nem parecia que eles estavam em guerra. Nem parecia que o Mundo havia sofrido os efeitos nucleares. Era tudo tão calmo. A paz podia reinar ali. Naquele local.
Era uma pena que logo abaixo onde começa o pequeno Vilarejo aos pés do 1º Muro, toda aquela beleza se extinguia. E também era uma pena que a parte bela não podia mais ser admirada pelos quatro. Eles precisavam prosseguir em sua viajem.  
- Vamos meninas. Temos que continuar a nossa viajem.
Eles começaram a caminhada em direção ao Vilarejo.
Havia duas formas de chagar até ele. A fácil, que passava por dentro da linda vegetação da colina; e a difícil, que era preciso dar uma volta por uma pequena e estreita trilha, que circundava a colina. Obviamente eles escolheram a difícil. Não iriam pisar naquela vegetação maravilhosa.
Depois de aproximadamente quinze minutos eles chegam ao Vilarejo.  
- Agora que chegamos você pode dizer o seu plano. – diz Isla.
- Eu não tenho nenhum. – diz Gabriel.
- O que?! – diz Clarice, surpresa.
- Eu posso ajudar. – uma voz feminina vinda de trás deles.
Ao se virarem viram uma jovem pequena de cabelos longos, cacheados em um tom castanho e olhos pretos.
- Quem é você? – pergunta Isla.
- Me chamo Ana Cairo, e provavelmente sou a única que vocês irão encontrar corajosa o suficiente para colocá-los para dentro de Hope.
- Explique-se. – diz Gabriel.
- É o seguinte: todo mundo em Hope já está sabendo que o Guerreiro Dragão está indo para lá, para matar Smart. E eu sei que você – aponta para Gabriel – é o Guerreio Dragão. Eu ponho vocês para dentro e em troca vocês me protegem dentro da cidade.
- E porque faríamos isso? – pergunta Gabriel.
- Porque se não eu conto para todos em Hope que o Guerreiro Dragão está nas redondezas da cidade. Em poucos segundos terá vários caçadores de recompensa e soldados de Smart atrás de você, e dessas meninas. E eu suponho que você não quer que nada de ruim aconteça a elas. Afinal de contas, elas não tem nada haver com a sua missão. O seu destino.
- Nós não iremos fazer nada disso! – exclama Clarice.
- Com certeza não. Que venham os caçadores de recompensa e os soldados. Nós seremos capazes de derrotar a qualquer um. – diz Isla.
Gabriel ignora as meninas. Ele fica a observar a jovem por alguns instantes e em seguida diz:
- Nós vamos aceitar o seu acordo.
Clarice e Isla não concordavam com aquilo. Serem protetoras de alguém? Era demais para elas. Reclamar, elas reclamaram. Surtir efeito no Guerreiro Dragão? Não. Ele tomava as decisões por ali. Se alguém não gostasse podia ficar a vontade de ir embora. Ninguém estava ali forçada ou como prisioneiras.
Vendo de que nada iria adiantar as reclamações, as duas se acalmaram, e aceitaram a ajuda de Ana Cairo.
- Está certo. É só me seguirem.
Daniela se aproxima de Gabriel e sussurrando, pergunta:
- Você tem certeza disso?
- Não temos outra escolha. Ela é a única capaz de nos colocar para dentro de Hope. E sem contar que ela conhece muita gente, ou seja, se nós não concordarmos com ela, estaremos em apuros.
- Mas nós podemos acabar com ela, não podemos?
- Sim, nós podemos. Mas com certeza não é a melhor coisa a fazer.
Os cinco andavam pelo Vilarejo o observando. Ele tinha um ar assustador misturado com um ar de mistério. A cada casebre que eles passavam na porta havia alguém tentando vender algo. A cada passo que davam tinha alguém os olhando com olhares curiosos. Alguns olhares eram tão intensos e profundos que chegavam a assustar.
- Não se preocupem com eles. – diz Ana Cairo – Eles não iram fazer nada com vocês. Neste vilarejo estão aqueles que não conseguem entrar em Hope, mas ainda não desistiram. E também podemos encontrar aqueles que somente procuram proteção estando próximo a Hope. Este local nós vemos de tudo, e achamos de tudo. Inclusive passaportes falsos para entrarmos na cidade. E para sorte de vocês eu sei onde comprá-los.
- Comprar?! Você não disse que nós teríamos que comprar nada. Nós não temos dinheiro algum. – diz Gabriel.
- Não se preocupe. Essa parte do trato é comigo. Eu disse que ia por vocês para dentro. E eu vou.
A frente deles um pequeno casebre de madeira corroído pelo tempo. Ana Cairo bate na porta e de uma pequena janela, na mesma, aparecem dois olhos raivosos que somem rapidamente ao fechar da janela. Em seguida a porta se abre revelando os donos dos olhos raivosos: uma mulher de meia idade, de cabelos curtos e o rosto com algumas rugas.
- Mirza.
- Ana Cairo.
- Ela está?
- Sim. Está lá nos fundos. Quem são esses?
- São meus seguranças. Eles ficarão aqui na sala enquanto eu vou lá atrás.
- Eu te acompanho.
- Ana Cairo. Você não acha melhor eu ir com você? – pergunta Gabriel.
- Não se preocupe comigo. Aqui é seguro.
Ana Cairo e Mirza se dirigiram até uma porta nos fundos da sala. Mirza tira uma chave de seu bolso e abre a porta. Dentro se encontrava uma mulher já de meia idade, cabelos curtos azuis bem claros, quase brancos.
- Ana Cairo! Quanto tempo não lhe vejo!
- Zetery! Como vai minha amiga?
- Mirza, por favor, nos deixe.
- Sim Zetery. Como quiser.
Mirza fecha a porta e fica ali parada de costas para ela com seus braços cruzados, ao mesmo passo que também fica vigiando Gabriel e as meninas. Ela não aparentava ser muito forte, e poderia ser derrotada facilmente. Mas o seu olhar desencorajava a qualquer um.

. . .

Atrás da porta Ana Cairo e Mirza conversavam:
- Muito bem Thaíssa, o que lhe trás aqui?
- Eu preciso entrar em Hope. Eu sei que você pode conseguir os passaportes para mim.
- Claro.
- Só que há um problema: preciso que você consiga-os para meus seguranças também.
- Isso não é problema. Eu tenho aqui passaportes para eles também. Você deu sorte. Esses aqui chegaram a mim tem pouco tempo. Mas isso ficará caro.
- Não se preocupe. Tenho o suficiente.
Ana Cairo tira de sua mochila dois sacos de pano e entrega a Zetery. Ela, por sua vez, os abre e dentro havia várias moedas de ouro.
- Isso será o suficiente.
Zetery entrega os passaportes para Ana Cairo, e esta as guarda em sua mochila.
- Zetery, muito obrigada. Se não fosse você eu jamais...
Antes que Ana Cairo pudesse completar a frase, se escuta uma explosão vinda da sala. Ao abrirem à porta viram Isla e Clarice no chão, a Dani perto delas e Gabriel se preparando para atacar Mirza.
- O que está acontecendo aqui? – pergunta Zetery.
- Esse homem é o Guerreiro Dragão! – exclama Mirza.
- O que?! Ana Cairo você está querendo levá-lo para Hope?
- Desculpe Zetery. Eu não tive outra escolha.
Após responder, Ana Cairo faz uma parede de pedra aparecer na frente de Zetery e sai correndo dizendo:
- Acabem com as duas e me encontrem perto do 1º Muro!
- Mirza! – grita Zetery – Acabe com essas meninas, Mas deixe o Guerreiro Dragão vivo. Smart pagará muito por ele.
Em seguida ela corre atrás de Ana Cairo.
- Droga! – recama Gabriel – Dani cobertura!
Dani utiliza o Canhão d’Água em Mirza, a jogando contra a parede. Neste exato momento Gabriel também sai correndo da casa dizendo:
- Meninas cuidem dela! Eu irei ajudar Ana Cairo!
- Mas... Droga! Venha Clarice. Levante-se. Temos mais uma luta pela frente. – diz Isla.
- Porque nós sempre temos que enfrentar os mais feios? O Gabriel sempre fica com os inimigos mais bonitos. Isso é injusto! – reclama Clarice
- Mas a outra mulher não era bonita.
- Eu sei Isla. Mas ela é mais bonita que essa.
- Chega de papo meninas. Chegou à hora de lutar.

 

. . .

Pelas pequenas ruas do Vilarejo, Ana Cairo corria em direção ao Muro, se esquivando dos jatos d’água lançados por Zetery. Logo atrás Gabriel as seguia.
Ana Cairo entrava e saia de becos, tentando se livrar de sua amiga. Mas em um dado momento ela entra em um beco errado. Este era sem saída.
- Agora... – Zetery ofegante – Você não tem mais para onde correr.
- Zetery se aclame! Eu posso explicar.
- Explique-se para Smart Quando eu lhe levar para ele junto com o Guerreiro Dragão. Eu nunca imaginei que você fosse capaz de trair Smart. De trair Hope.
- Mas eu trabalho para Smart. Eu preciso levar o Guerreio Dragão em segurança para ele. A uma pessoa por trás de Smart que irá conseguir dominar o mundo todo se o Gabriel não tiver no caminho dela. Eu sou amiga dessa pessoa, então se ela dominar o mundo, eu terei vários privilégios e isso pode ser bom para você. Eu poderei te ajudar.
- Você acha mesmo que eu vou cair nessa sua conversa: eu acabei de mudar de idéia: não vou lhe entregar para Smart. Vou te matar!
Zetery muito nervosa começa a correr na direção de Ana Cairo, mas é impedida por uma parede saída do solo. Ela olha para trás e lá estava Gabriel, muito ofegante.
- Eu estou muito agradecido de você ter nos vendido esses passaportes, mas se for para nos entregar para Smart, eu, infelizmente, não poderei deixá-la viva.
- Não se intrometa! Este assunto é entre eu e a Ana Cairo. CORRENTEZA NEGRA!
Uma grande quantidade de água em forma de correnteza sai das mãos de Zetery. Gabriel consegue desviar do poder, e utiliza o Poder do Dragão. Tiro certeiro. A mulher é lançanda contra o muro que ele havia feito, destruindo-o. Zetery parou somente ao colidir com o muro que delimitava o fim do beco, caindo ao lado de Ana Cairo.
- Zetery me desculpe, mas você sabe demais. Serei obrigada a te matar. PEDRAS NEGRAS!
Ana Cairo com o braço esticado na direção de Zetery, e punhos fechados, faz com que várias pedras atinjam a sua amiga, matando-a.
Sem dizer nada Ana Cairo passa por Gabriel e chega até a via principal do Vilarejo. Gabriel assustado por ela ter matado uma pessoa que ela havia chamado de amiga, começa a se perguntar se tinha feito o certo ao aceitar a ajuda daquela jovem. E concluiu que ela não poderia ser boa pessoa.
- Você não vem?
Por mais que ele quisesse responder a verdade, ele não podia. Precisava dela. Por mais cruel que fosse ele precisava dela. Gabriel se põe a andar de volta para o casebre ao lado de Ana Cairo.
Mesmo tendo prometido para si que não iria dialogar com aquela jovem traidora, a curiosidade de Gabriel fora maior.
- Porque você saiu correndo da casa?
- Eu estava tentando salvar os passaportes. Se eu ficasse para lutar eles poderiam terminar estragando, ou sendo destruídos. Vire à direita na próxima esquina.
Ao virar Gabriel esbarra com uma jovem alta, de pele branca, cabelos compridos e olhos pretos. A jovem fora ao chão. Gabriel estendeu-lhe a mão para ajudá-la a levantar-se na mesma hora. A jovem o olhou no rosto com uma expressão cansada e assustada.
- Me desculpe. – diz Gabriel – Por favor, deixe-me ajudá-la.
O sorriso lhe ocupava boa parte do rosto.
A jovem assustada rejeita a ajuda desconfiada de Gabriel.
- Lá está ela! – se escuta um homem ao longe gritando.
A jovem vira-se rapidamente para olhar quem estava a gritar, e ao ver vários homens com facões nas mãos, vindo em direção a eles; ela rapidamente levanta e procura refúgio atrás de Gabriel.
- Saia da frente rapaz. Essa menina tem que receber o castigo que merece.
Gabriel olhou para os homens, depois para a menina. Voltou a olhar para o homem e em seguida para o rosto de cada um que o acompanhava.
- Não sei o que esta jovem fez, mas vocês acham que com essas armas ela receberá o castigo que merece? Não vêem que desse jeito vocês só a estão assustando?
- Você não tem nada haver com isso. – diz o líder deles.
Gabriel ignora o homem e vira-se para a jovem:
- Como você se chama?
A jovem fica em silêncio.
- Está tudo bem. Eu não vou lhe fazer mal e nem deixarei estes homens lhe fazerem mal algum. Mas para isso eu preciso saber o seu nome e o que você fez. - A jovem tira de dentro de sua jaqueta um pão e mostra a Gabriel. O Guerreiro Dragão sorri para a jovem e volta-se para os homens.
- Como você se chama? – pergunta Gabriel, se dirigindo ao líder deles.
- Piacere.
- Muito bem Piacere. Está jovem roubou um pão de você e por isso você a persegue com facões em punho? E ainda junta mais dez homens, também armados, para ajudá-lo? Não estou dizendo que ela está certa. Mas essa não é a assim que vocês irão resolver este assunto.
- Quem você pensa que é para interferir em meus assuntos? Se você não quer sair da frente então eu vou tirá-lo a força!
Duas grandes pedras se soltam do chão, uma correnteza de água e uma de ar se entrelaça em volta do corpo de Gabriel e seus punhos fechados inflamam. Ao verem isso todos os homens ficaram paralisados.
- Tente. – desafia Gabriel.
Piacere a princípio se assusta com aquilo. Chega até a recuar. Mas o seu orgulho falou mais alto. 
- Isso não me assusta. Nem a mim e nem aos meus homens. Não estou certo homens?
Sem obter nenhuma resposta, Piacere vira-se para verificar o porquê do silêncio e terminou por descobrir que estava sozinho. Todos os outros haviam fugido assustados.
- Vá embora. Você não tem a menor chance contra ele. – diz Ana Cairo.
Piacere percebendo a sua desvantagem abaixa o facão que estava carregando e diz:
- Você escapou dessa vez pequena ladra. Mas não conte com a sorte nas próximas vezes.
Em seguida o velho rabugento se afastou deles.
Gabriel volta a sua atenção novamente para a jovem:
- Você está bem?
A jovem, ainda assustada com o ocorrido, faz um gesto positivo com a cabeça.
- Ótimo! Eu e a minha amiga temos que correr. Há algumas pessoas precisando da nossa ajuda.
- Chega de conversa. Vamos rápido. As meninas precisam da gente. Nem sei por que você parou para ajudar essa ladrazinha?
- Se acalme Ana Cairo. As meninas estão bem. Bom como você pode ver, nós temos que correr. Tente ficar longe de encrencas.
- Amanda. – sussurra a jovem.
- O que você disse? – pergunta Gabriel.
- Amanda. – agora em um tom mais alto – Meu nome é Amanda.
- Pronto. Assim a gente não sai daqui nunca. – reclama Ana Cairo.
Gabriel parou durante um instante e se pôs a pensar: “Amanda? Não pode ser. Isso é só uma coincidência. Ela não pode ser a minha...”.
- Gabriel! – Ana Cairo, interrompendo os seus pensamentos.
- Que foi?!
- Vamos logo.
- Esperem um pouco. – diz Amanda – Vocês disseram que suas amigas estavam precisando de ajuda. Eu posso ajudá-las.
- Com todo o respeito ladrazinha, mas como que uma menina como você vai nos ajudar? Você tava fugindo daqueles homens, que nem energia  possuem. Como pretende ajudar a pessoas como nós?
- Meu nome é Amanda.
- Tanto faz. Isso não é importante para gente. Assim como sua idéia ridícula de querer nos ajudar. Vamos embora Gabriel.
- Vamos sim Ana Cairo. Mas ela vem com a gente.
- O quê?! Escuta aqui Gabriel...
- Não Ana Cairo! Escute você! A Amanda disse que pode nos ajudar, então ela vem com a gente. Não me importo de você ter conseguido os passaportes para gente. Não me importo de fingir ser seu segurança. Não me importo de seguir você por todo esse Vilarejo, ou por toda Hope. Mas ainda sou eu que dou as ordens por aqui. E se você tiver achando ruim e ameaçar não no entregar esses passaportes, eu os arranco a força de você.
Ana Cairo, um tanto assustada, concorda com Gabriel e todos os três correm de volta para a casa. Pouco tempo depois eles chegam ao local. Depois de conseguirem passar por todo o povaréu que olhavam impressionados e assustados a batalha; eles viram Clarice, Isla e Dani acertando alguns golpes em Mirza.
- Já chega! – grita Gabriel.
A batalha pára no exato momento em que se é escutada a voz de Gabriel.
- Mirza, a Zetery está morta. Não há mais porque você lutar. Nós vamos embora e você vai poder voltar para sua vida. E todos vocês – agora a palavra era dirigida ao povo – podem continuar com suas vidas.
As meninas dão as costas para Mirza, e andam até Gabriel.
O Guerreiro Dragão tinha muitas qualidades, e uma delas era a piedade. Em certos momentos essa virtude o atrapalhava.
Ele se aproximou de Mirza e lhe estendeu a mão. Ela olha para Gabriel e lhe cospe fogo como resposta. Mas o seu fogo pára na barreira de água criada pelo Guerreiro Dragão.
- Mirza. Pare. Acabou. Não há mais porque lutar. Zetery está morta e você não pode, e não tem condições de nos derrotar.
Mirza, com muitas dificuldades levanta-se e diz:
- Guerreiro Dragão! – Mirza – Eu pessoalmente irei levá-lo para Smart!
Os curiosos que cercavam o local da batalha começaram a se afastar murmurando: “Guerreiro Dragão?” “Eu vou embora. Se me pegam por aqui com esse cara eu vou para em uma cadeia.” “Melhor irmos embora, se não quisermos problemas.”. Muitos foram embora, mas ainda restaram aqueles que não temiam o nome citado, e estavam muito curiosos para saber como a batalha iria acabar.
- Essa não é uma das melhores situações. – diz Gabriel.
- Deixe-a comigo. – diz Amanda.
- Você? Acabar com ela? Não seja ingênua ladrazinha. – diz Ana Cairo levantando-se – Você nem é capaz de roubar e fugir.
- Cale a boca! Você fala demais e a sua voz me cansa. Observe o que a “ladrazinha” é capaz de fazer. Observe o que a Guerreira da Luz é capaz de fazer.
Todos os cinco ficam supressos ao escutarem a revelação da jovem.
Enquanto Amanda se aproximava de Mirza ela sussurrou pra si “Espadas de Luz”, e de suas mãos aparecerem duas espadas de luz.
- Mirza, não me obrigue a utilizar minhas espadas. Não quero matá-la. Renda-se e nos deixe ir.
A única resposta que Amanda recebeu foi o poder de Mirza vindo em sua direção. Sem ter muito que fazer, ela cruza as espadas à frente do rosto e deixa que todo o poder bata nelas. Após a energia do poder acabar, Amanda volta a andar em direção a Mirza. Primeiramente bem lentamente, em seguida ela aumenta a sua velocidade, até estar correndo. E com toda a sua velocidade ela passa por Mirza lhe acertando golpes com as espadas em locais vitais.
Em seguida Mirza cai no chão morta, e todos ficam se perguntando o que havia acontecido, enquanto observavam Amanda se aproximando deles.
- Como você fez aquilo? Ou melhor: o que você fez? – pergunta Isla.
- É que eu não sou muito fã de sangue, então eu em vez de cortá-la, lhe acertei em pontos vitais. A minha espada não corta. Mas o importante é que eu já paguei o favor que devia a vocês. Agora eu posso continuar o meu caminho e vocês o seu.
- Não. Você tem que vim comigo. – Gabriel – Smart está a sua procura para poder roubar o seu poder e a da Guerreira das Trevas, para poder entregá-los a uma outra pessoa. Se os poderes caírem nas mãos dessa pessoa é bem provável que seja o fim do pouco de paz que nós já conseguimos conquistar.
- Eu deveria escutar o lendário Guerreiro Dragão. O controlador dos Quatro Elementos. Mas você não acha que eu posso me defender muito bem sozinha? E sem contar que você chegou tarde. A Guerreira das Trevas já foi embora.
- Como assim?
- Vieram umas meninas aqui e falaram que você não iria vim nos salvar. Afinal de contas a lenda do Guerreiro Dragão já roda por este Vilarejo e por toda Hope há vários anos. E Ele nunca aparecera. Não é atoa que ela perdeu a esperança de que o nosso salvador viesse.
- Mas o que ela, e você, não sabem é que quem irá salvar estas terras são as protetoras dos elementos criadores do Universo. A Luz e as Trevas. O único objetivo que eu irei desempenhar nessa batalha é de protegê-las.
- E como você irá proteger alguém que não está mais do nosso lado? Do lado da justiça? A Marina foi levada por Guerreiras de Smart. A minha amiga. Mas isso não muda o fato de que eu não irei. Porque salvar todo esse povo, se eles não estão nem ligando para mim, para você ou para qualquer um outro? Para que ajudar pessoas que só olham para o seu próprio umbigo?
- Porque é o seu destino.
- Destino... Essa palavra me persegue desde que eu nasci. Todos os dias alguém me lembrava do meu destino. Até no momento em que eu me cansei dele, e comecei a fazer o que eu queria fazer, na hora que eu queria fazer.
- Isso não muda nada. O seu destino continua ali, lhe esperando. E você deve cumpri-lo.  
- Para que? Para quem? Para você também poder cumprir o seu? Para poder salvar todos esse povo pobre, onde não tem onde cair morto? Ou será que é para salvar os corruptos que moram em Hope, que estão pouco se importando com a vida dos outros? Para salvar esses monstros que tiraram a minha família e me separaram do meu único irmão?
Deste momento um silencio se estabeleceu, e a Guerreira da Luz abaixou-se e se pôs a chorar. Gabriel ajoelhou-se e com uma de suas mãos em seu ombro lhe dize:
- Não Amanda. Não é para salvar o povo onde não tem cair morto, é para dá-lhes onde caírem. Não é para salvar os corruptos que moram em Hope, é para lhes ensinarem a forma correta de se lidar com as pessoas e com o mundo. Não é para cumprir o meu destino, é para poder cumprir o seu. Se você não faz isso pelo destino, então faça pela sua amiga, a traga de volta para o lado da justiça. Faça isso pelo seu irmão.
Amanda, em lágrimas, abraçou forte Gabriel, e em seu ouvido lhe diz:
- Eu vou. Desculpe-me pela discussão. Mas é que eu sinto tanta raiva de ter que seguir esse destino. Não gosto de lutas. Porque as coisas tem que ser resolvidas com guerra? Foi graças a ela que hoje eu não estou com meu irmão.
- Eu também não gosto de guerra. Ela também me separou de minha irmã, e tirou a minha família. Mas eu prometi pra mim mesmo que eu vou procurá-la até que me esgote todas as energias.
- O papo está muito comovente, e bonito; mas vem vindo guardas. – diz Isla.
Era muito suspeito guardas de Smart ali. Está certo que eles estavam perto do Muro, mas porque colocar guardas circulando pelo Vilarejo se ali era terra de ninguém?
Ao procurar por Ana Cairo, que era quem poderia responder a esta pergunta, não a viu. Aliás, nenhuma das meninas tinha a visto. Aquilo era mais estranho ainda.
Os guardas continuavam a se aproximarem. E agora não tinha mais o bloqueio do povo. Eles chegariam rapidamente a eles.
Gabriel, pensando rápido, coloca uma das mãos no chão e faz subir uma muralha que impediria a passagem deles.
- Vamos embora. – diz Gabriel.
Ele e as meninas correm na direção do Muro, e aos poucos somem no horizonte.

. . .

Os guardas tentavam achar alguma passagem pelo muro criado por Gabriel inutilmente. Não havia frestas ou buracos. Como do nada ele surgira, do nada ele caira. Era o que pensava os guardas. Na verdade ele caiu devido ao poder de Ana Cairo.
Todos os guardas rapidamente se curvaram para Ana Cairo, assim que ela apareceu.
- Quer que nós contatemos os guardas do 1º Muro, senhorita?
- Não. Ele não esteve aqui. Ele não encontrou a Guerreira da Luz e vocês não sabem de nada.
O guarda, que era o líder dos outros, acata as ordens de Ana Cairo e manda os outros voltarem aos seus afazeres.
Olhando na direção do Muro Ana Cairo diz para si:
- Pode ter certeza Guerreiro Dragão. Nós nos encontraremos de novo. E não será para uma conversa amigável.

 

Cidade Refúgio: O Restaurante

Ao anoitecer Gabriel e as meninas chegam ao Portão de entrada a Hope. Lá se encontravam quatro guardas: dois deles armados com lanças, e os outros dois com espadas.
- Muito bem meninas, chegou à hora da verdade.
Os cinco começaram a caminhada até o portão. Em pouco tempo eles chegaram, e logo um dos guardas foram recepcioná-los dando alguns passos à frente.
- O que vocês querem aqui?
- Nós queremos entrar em Hope. – responde Gabriel mostrando os passaportes.
O guarda, de nome Hakoda, que é o mesmo que tem a posse de uma espada, e é o líder entre eles; pega os passaportes e os analisa. Um por um.
- Está tudo certo. Com um gesto com a mão os mandaram prosseguirem. Eles chegam ao outro guarda de nome Busíris, que os ordena parar. Ele manda todo o grupo lhe entregar os pertences para serem inspecionados.
Ele era bem ranzinza. Sempre reclamava do que lhe era pedido. Os outros dois guardas, Plutarco e Hórus, de posse das lanças; eram responsáveis pela abertura e fechamento do portão, quando autorizados por Busíris.
Como não havia nada de errado com os pertences das meninas, Busíris autorizou a abertura do portão. Agora só restava revistar os pertences de Gabriel.
- São suas irmãs? – pergunta Hakoda se aproximando de Gabriel.
- Duas delas sim. As outras são amigas que perderam suas famílias.
- Realmente. Elas se parecem bem com você. Principalmente aquela ali. – aponta para Amanda. – Mas não se preocupe. Aqui elas, e você, poderão ter paz.
Enquanto Busíris terminava de examinar os pertences de Gabriel, Plutarco se aproximou de Hakoda e lhe sussurrou algo ao ouvido. Gabriel percebeu a ação do guarda, mas preferiu ignorá-la.
- Está tudo certo. Saia fora daqui. – Busíris com o seu jeito simpático de ser.
- O Guerreiro Dragão não tem o direito de entrar em Hope. – diz Hakoda.
Busíris imediatamente retira sua espada da bainha. Hakoda em seguida faz a mesma coisa. Em seguida chega Plutarco com sua lança.
As meninas ameaçaram ir ajudar Gabriel, mas este fez um gesto negativo com a cabeça.
- Venha meninas. Vamos embora. – diz Amanda.
- Vocês não irão a lugar nenhum. – diz Hórus, tomando a frente das meninas.
- As meninas não tem nada haver com isso. É a mim que vocês querem.
- Se elas estão com você, então algo nelas é valioso. Busíris vá até o 2º Muro e pesa para avisar à Smart que capturamos o Guerreiro Dragão.
No momento em que Busíris passava pelas meninas, Isla fez uma grande parede de pedra impedindo a sua passagem.
- Mas o que é isso? Abaixe esse muro imediatamente! – ordena Busíris olhando para Gabriel.
- Eu não fiz nada.  
- As meninas. Hórus faça com que elas abaixem esse muro!
Hórus as ameaça com a lança, mas nenhuma delas demonstra nenhuma reação.
- Anda logo meninas. Abaixem esse muro. Não quero machucá-las.
- Mesmo que quisesse, não conseguiria. – provoca Isla.
Hórus perde a paciência e resolve atacá-las. No momento em que ele tentou acertar um golpe de sua lança em Isla, ele é ameaçado pelas Espadas de Luz de Amanda (ele não sabia que elas não cortavam).
- Mas aquela menina é a Guerreira da Luz! – diz surpreso Hakoda.
Gabriel aproveitou o momento de distração de Hakoda e lhe aplicou a Garra do Dragão, o matando; e corre na direção das meninas gritando:
- Amanda se livre logo dele! – grita Gabriel.
Amanda faz com que Hórus perca sua lança e em seguida com dois movimentos rápidos acaba com o guarda. Em seguida Isla abaixa o muro, e com o auxilio de Gabriel fecha o portão. Por garantia de que os guardas não fossem atrás deles Gabriel, manipula o fogo soldando o portão.
- Isso não vai adiantar por muito tempo, mas nos dará alguma vantagem. Precisamos achar um local pra ficar. – diz Gabriel.
- Eu conheço um. Sigam-me. – diz Amanda.

. . .

Do lado externo da Cidade Refúgio, Plutarco e Busíris ficaram a observar os cinco fugindo e sem poder fazer nada.
- Mas que droga! Nós temos que dá um jeito de entrar para avisar aos outros guardas que o Guerreiro Dragão está na cidade. – diz Busíris.
- Nós temos que capturá-lo o mais rápido possível.
- É mais isso não vai acontecer. PEDRAS NEGRAS!
Era Ana Cairo, matando Plutarco e Busíris. E acompanhado de outros quatro guardas.
- Pronto. Agora dêem um jeito nesses corpos. E não se esqueçam: vocês não sabem de nada, e não viram nada. O Guerreiro Dragão e a Guerreira da Luz juntos... Isso é uma ótima notícia para a Senhorita...
- Senhorita Ana Cairo – um dos guardas a interrompe – nós já eliminamos os corpos.
- Ótimo. Agora vocês que são responsáveis por este portão. Se por algum acaso eu ficar sabendo que vocês contaram para alguém do ocorrido, eu pessoalmente arrancarei a cabeça de cada um. Agora abram o portão para eu passar.
- Não é possível. – responde um deles – Ele está soldado pelo lado de dentro.
- Se virem para arrumarem isso. Eu vou entrar ao meu modo.
Ana Cairo abre um buraco no 1º Muro e passa para a Cidade Refúgio, e em seguida fecha o buraco deixando uma mensagem para os guardas:
- Arrumem esse portão antes que chegue alguém. E lembrem-se: eu arranco a cabeça de vocês!

. . .

Mais ao centro da cidade, após uma breve caminhada, e com a noite já tendo adentrado os seus olhos; Amanda levou o grupo a uma casa de tijolos corroídos pelo tempo. A casa possuía dois andares. Logo na entrada havia um placa enferrujada pendurada no alto com a seguinte escrita: “Restaurante”. E nas paredes havia outras duas: de um lado estava escrito em giz o que ia ser servido durante a semana, e na outra estava escrito: “Alugam-se quartos”.
- Você tem certeza que aqui é o melhor local? – pergunta Dani.
- Podem confiar.
Apenas uma parte da porta estava aberta. Amanda não exitou ao entrar. Ao contrário do resto do grupo que entraram desconfiados.
Não havia ninguém no restaurante. Até parecia abandonado. Suas mesas de madeira já bem antigas. A iluminação precária. O chão já esburacado pelo tempo.
Amanda pôs-se a sentar em um dos longos bancos únicos que compunham as mesas forradas por um pano xadrez vermelho e branco. Em todas elas se encontravam quatro xícaras de cabeça para baixo em seus respectivos pires.
Após um breve momento apareceu um rapaz bem jovem, deveria ter mais ou menos a mesma idade das meninas; um jovem de cabelos curtos pretos, magro, de olhos castanhos e pele branca.
- Boa noite. Vocês bebem alguma coisa?
- Não. Nós não viemos para comer. Eu gostaria era de conversar com a Isís. Ela está? – Amanda.
- Por que você quer falar com ela? Ah! Já sei por quê. Vocês são soldados de Smart. Vieram aqui atrás de Yun.
- Eu já morei aqui junto com Isís e Yun. Será que você poderia chamá-la, por favor.
O jovem, mesmo não tendo gostado do tom de voz de Amanda fora chamar Isís. Por mais que ele não quisesse, não podia arrumar confusão ali. Afinal era onde ele morava.
Alguns instantes depois, chega à mesa uma velha senhora de cabelos grisalhos, e já com as rugas bem aparentes no rosto. Um corpo pesado e lento já tomado pelo tempo.
- Boa noite. Em que posso ajudá-los?
- Boa noite Isís. – responde Amanda.
- Amanda?! É você mesma?
- É Isís. Sou eu sim. Você disse que quando eu precisasse era para voltar, então aqui estou eu.
A jovem levanta-se e abraça Isís com força.
E toda a cena sendo assistida de perto pelo jovem rapaz desconfiado.
- E em que eu posso te ajudar? To vendo que você está com novos amigos, mas cadê a Marina?
- Ela não está mais comigo. Ela preferiu mudar de lado.
- Você está brincando?!
- Antes estivesse... – um olhar triste - Mas eu vim aqui para saber se você tem quartos vagos para gente.
- Sim. Mas é somente um. E como você sabe muito bem os quartos tem somente dois beliches.
- Então ficam vocês no quarto. Eu não vou dormir mesmo. Tenho que está sempre de vigília.
Todos voltam a suas atenções para Gabriel.
- Mas Gabriel, você é que mais precisa descansar. Como você vai proteger a Amanda se estiver cansado? – questiona Daniela.
- Não se preocupem comigo. Eu dou meu jeito.
- Eu não acho isso certo. – Amanda – Já que o seu destino é me proteger então você é que mais merece descansar. É injusto que enquanto eu me aproveito de uma boa cama, você passe a noite toda acordado.
- Desculpe me intrometer, mas quem é você?
- Eu sou o Guerreiro Dragão. A minha missão, ou melhor, o meu destino, é proteger a Guerreira da Luz de uma pessoa que quer roubar os seus poderes. Eu deveria proteger a Guerreira das Trevas também, mas infelizmente ela mudou de lado. Agora que nós conseguimos entrar em Hope, nós vamos atrás dela, acabar com Smart e com a pessoa que quer ter os poderes das Trevas e da Luz. Estas outras Guerreiras estão aqui para me ajudar.
- Você?! Você que é o Guerreiro Dragão?! – diz o jovem.
- Sim é ele sim. Por quê? – questiona Amanda.
- Nada. Só não dá para acreditar que ele seja o famoso Guerreiro Dragão que viria para salvar a todos. Eu sempre o imaginei bem mais alto e forte do que você. Você não se acha muito fraco não?
O jovem tinha uma expressão de deboche no rosto.
- Músculos não querem dizer nada. Se você tem uma mente forte, então você tem um corpo forte. – um velho senhor, com poucos cabelos, já brancos. – E esse jovem que está aqui, Danilo, sem dúvida tem uma mente forte.
Danilo. Então esse era o nome do jovem desconfiado de tudo e todos.
- Yun! – exclama Amanda em felicidade.
- Olá minha querida. E pelo que vejo não é só o rapaz que tem uma mente forte. Você também progrediu bastante.
- Gente Yun é um forte Guerreiro d’Água, e já liderou uma invasão à Cidade Principal. Infelizmente a invasão falhou na época.
- Eu fui um grande Guerreiro. Não tenho mais idade para lutas.
- Bem, vocês devem estar com fome. Eu vou trazer algo para vocês comerem. 
- Espere Isís. Nós não temos dinheiro para lhe pagar. – diz Amanda.
- Não se preocupem com isso.
- Eu vou ir te ajudar.
As duas se dirigem para cozinha.
Em volta da mesa fica o resto do grupo. Yun logo se senta e acomoda-se. Já Danilo não consegue tirar o olhar em Gabriel. Desde o momento em que ele pisou naquele restaurante Danilo desconfia de suas intenções. Aquilo já incomodava o Guerreiro Dragão.
Yun, com sua experiência, percebeu que aquele clima não estava muito bom e logo pediu para Danilo ir fechar a porta do restaurante. Além deles já terem encerrado as atividades do dia, não podiam arriscar revelar a presença do Guerreiro Dragão e nem da Guerreira da Luz.
- Mas Yun...
O velho senhor lhe lançou uma olhada de repressão e o jovem rapidamente se pôs a fazer o que lhe fora mandado.
- Me desculpe. Danilo sempre desconfia de todos. Ele se sente na obrigação de nos proteger. É a forma que ele encontrou de nos pagar por ter lhe dado abrigo.
- Está tudo bem. Então você lutou em uma invasão? Deve ter sido uma batalha bem difícil. – Gabriel.
- Na verdade ela foi até bem fácil. Até no momento em que apareceram duas Guerreiras: uma controlava a Água e a outra o Fogo. Mesmo tendo a presença de Leandro, o inigualável Dragão Supremo; não fomos capazes de derrotá-las.
- Então você lutou ao lado de meu Mestre?
- Sim.
- Uma das formas que usamos para derrotá-las foi com uma das técnicas que seu Mestre me ensinou: a Tsuname. Um poder de água muito poderoso. Ele me disse na época que essa técnica é tão poderosa que só deve ser ensinada a pessoas que tenham extrema destreza em controlar a água.
- Então o senhor poderia ensinar para Dani.
- Para essa jovem?
- Ela é digna de aprendê-la. Ela tem uma destreza fora do comum para controlar a Água.
- E você minha jovem. Acha que pode aprender uma técnica criada pelo Dragão Supremo?
- Seria uma honra aprender uma técnica criada pelo Dragão Supremo, e me passada por você; que foi, ou melhor, é um grande Guerreiro.
Yun a observou durante um tempo e se decidiu:
- Está certo. Vou lhe ensinar. Esteja amanhã aqui em baixo às cinco da manhã. Vou ir arrumar o quarto de vocês.
O velho senhor se retira da mesa e sobe por uma velha escada de madeira que ranchia a cada passo dado em seus degraus.
Danilo ao perceber que Yun não estava mais presente, rapidamente retornou à mesa. Mesmo Isís e Yun confiarem no grupo, Danilo não conseguia. Não até eles provarem que eram de confiança.
- Cinco da manhã?! – diz Daniela
- Não se preocupe Dani, eu vou dormir por você. – brinca Clarice.
- Mas a gente ainda tem um problema: onde o Gabriel vai dormir? – pergunta Isla.
- Gabriel você acha que eu serei capaz de aprender esse golpe? – pergunta Daniela.
Mas Gabriel não escutara a pergunta de Daniela e de Isla. Na verdade ele estava ali sentado olhando pro nada. Até parecia que dormia de olhos abertos. Seus pensamentos estavam longe. Nem a presença do jovem, que não lhe tirava os olhos, não o incomodava naquele momento.
- Hei! Gabriel! A Dani está falando com você! – grita Isla, o retirando de seus pensamentos.
- O que foi?
- A Dani lhe fez uma pergunta. – responde Clarice.
- É? E o que você perguntou?
- Se eu serei capaz de aprender a Tsuname?
- Se você acredita em si mesma, então não há obstáculos que não possa vencer.
- O que você tem? – pergunta Isla.
- Só pensando em uma coisa: a Amanda disse que perdeu o irmão mais velho dela. Eu perdi a minha irmã mais nova. Nós dois estamos à procura deles. E o motivo da separação para os dois lados fora o mesmo. Agora, depois de muitos anos, eu encontro uma menina que tem o mesmo nome que minha irmã. Que tem a idade dela. Vocês não acham que pode ser ela, ou é eu estou ficando louco? Porque se não for ela, é muita coincidência.
- Você não se lembra da sua irmã? De como ela era? – pergunta Daniela.
- Nós nos separamos ainda pequenos. Isso é muito tempo para eu afirmar que a Guerreira da Luz é minha irmã. E sem contar que ela nunca demonstrou nenhuma espécie de energia.
- Mas como você mesmo disse: vocês eram pequenos. Muita coisa acontece em um período tão grande. – diz Isla.
- Porque você não conversa com ela? Se ela for a sua irmã em uma conversa você descobrira – diz Daniela.
- Quem sabe...
E assistindo a tudo isso continuava o jovem Danilo a não tirar os olhos de Gabriel.

 
. . .

            Na cozinha Amanda ajuda Isís a terminar de fazer a janta de todos. Não era uma das melhores cozinhas já vistas. Suas paredes tinham poucos azulejos ainda presos. E o seu chão era de cimento, com alguns buracos. Estava pior do que a ultima vez que Amanda passara por lá. Mas algumas coisas não haviam mudado: o velho fogão a gás ainda estava lá, a chapa pra fritar a comida ainda estava lá. As panelas penduradas no meio da cozinha também. E a favorita de Amanda: a geladeira azul. Uma geladeira antiga que mal funcionava. Era sua favorita, pois por muitas vezes quando não estava funcionando ela brincava de se esconder nela. Ela lembrava de sua infância, nada fácil, mas com momentos muito felizes.
- Amanda posso lhe fazer uma pergunta?
- Você já fez. – brinca Amanda – Claro. O que foi?
- Quando você saiu daqui, disse que estava indo para procurar o seu irmão. Mas voltou com o Guerreiro Dragão. Quando toda essa guerra acabar você vai voltar a procurá-lo?
- Se eu já não o encontrei.
- Como assim?
- Quando eu encontrei o Dragão Guerreiro que ele me disse o seu nome, eu comecei a pensar: “Será que é ele?”. Isís ele tem o mesmo nome de meu irmão. Ele perdeu a sua irmã mais nova, que tem o mesmo nome do que o meu. Mesmo eu não me lembrando direito do rosto do meu irmão, por termos nos separados quando ainda éramos pequenos, algo me diz que é ele. É um sentimento.
- Então porque você não vai falar com ele sobre isso?
- Quem sabe... Vou ir chamar alguém para ajudar a levar as coisas para a mesa.
Amanda se dirige a mesa e pede a ajuda de alguém. Daniela se propõem a ajudá-la. As duas vão para a cozinha em instantes voltam, acompanhadas de Isís, com os pratos já prontos.
- Depois de tanto tempo finalmente vou comer algo de verdade. – brinca Clarice.
Todos se puseram a comer. E assim foi durante umas duas horas: todos se revezavam entre garfadas, falas, brincadeiras e risos. Menos Danilo, que revezava garfadas e olhadas desconfiadas. Desta vez não só para Gabriel, como para todas as outras meninas. Enquanto ele olhava para as outras meninas, Gabriel o observava e observou que quando o olho do jovem chegava a Amanda, parava. Simplesmente parava. Ele a observava por mais tempo. E não desconfiava dela. Digamos que era um olhar clínico. Um olhar que parecia querer decorá-la em sua mente. Gabriel logo concluiu: Danilo havia se encantado por Amanda.  
Acabada a farra da janta (e as olhadas de Danilo), que há muito tempo eles não tinham, as meninas foram para o quarto que iriam dormir. A mais empolgada delas era Clarice, que logo que a porta fora aberta ela já se atirou em uma das camas.
- Maravilha! Está noite eu vou poder dormir em uma cama macia, um bom travesseiro e uma linda coberta. Sem insetos para ficar zumbindo em meu ouvido.
- É mesmo. – concorda Daniela – Há muito tempo eu não sei o que é dormir em uma cama. E você Isla? Tem muito tempo que não dorme em uma?
Isla estava distraída. Estava a pensar, e não escutar a pergunta da Guerreira d’Água.
- Você está bem Isla? – pergunta Daniela aproximando-se dela.
- Estou. É que eu estou pensando no que o Gabriel falou lá embaixo. Sobre a Amanda.
- Eu acho que antes de qualquer conclusão de qualquer um, ele deve conversar com ela.
- Eu acho melhor “morrer” o assunto, pois ela vem subindo. – diz Clarice.
Amanda entra no quarto, e cada uma das três logo arruma algo para fazer.
- Então meninas. O que acharam? – pergunta a Guerreira da Luz.
- Melhor do que dormir no chão. – diz Clarice – Bom meninas não sei quanto a vocês, mas eu vou ir dormir. Boa noite.
- Eu também. – diz Isla.
- Eu vou lá embaixo, ver se a Isís precisa de algo. – diz Amanda.
- Eu vou descer junto com você. – Daniela – Quero ver se o Gabriel precisa de algo.
As duas descem pela escada de madeira, que como tudo na casa e no restaurante, já estava corroída pelo tempo. Havia alguns degraus que já estavam com remendos, outros tinham buracos grandes que eram necessários serem pulados, e outros se pulavam, porque se pisados era perigoso quebrarem. Mas isso não impediu que as meninas descessem rápido e sem medo de que toda a escada viesse abaixo. Ao chegarem ao piso de baixo Amanda e Daniela se dirigem para a cozinha. Lá se encontravam Yun, Danilo, Isís e Gabriel.
- Desculpe interromper, mas nós viemos saber se vocês estão precisando de alguma coisa. – diz Amanda.
- Não nós já terminamos aqui. – responde Isís.
- Gabriel me acompanhe. – Yun – Vou lhe mostrar onde é o seu quarto. Boa noite gente.
- Está certo. Isís obrigado por nos receber. – agradece Gabriel – Boa noite a todos.
- Gabriel eu vou com você. – Daniela – Obrigada Isís. Boa noite.
- Eu vou deixar as duas a vontade. Vou ir conferir todas as portas. – diz Danilo.
Obviamente a fala de Danilo era só uma mera desculpa para continuar a vigiar Gabriel. Mesmo tendo ficado em dúvida entre vigiar o Guerreiro Dragão e admirar a Guerreira da Luz.  
Sobraram somente Isís e Amanda na velha cozinha. Um silêncio se prevaleceu entre as duas, até no momento em que Isís resolve quebrá-lo.
- Amanda você acha que somente vocês cinco são capazes de derrotar Smart?
- Smart com certeza. Mas não sei quanto a outra Guerreira que quer roubar os meus poderes. Ninguém sabe como ela é. Quais poderes ela possui. E ainda por cima a Nina (como Amanda chamava a amiga) agora está do lado desta Guerreira. Apesar de nós termos a vantagem de ter o Guerreiro Dragão ao nosso lado, eu tenho medo do que possa acontecer.
- Só espero que você não se decepcione.
- Do que você está falando?
- Espero muito que ele seja o seu irmão. Pois você já teve muitas decepções em relação a isso.
- Eu ainda vou conversar com ele. Mas apesar de todas essas coincidências, eu não creio que seja ele. O meu irmão nunca demonstrou nenhum tipo de energia.
- Muita coisa pode ter mudado neste tempo em que vocês ficaram afastados. Bom mas se não for ele eu tenho certeza de que você o irá encontrar.
Amanda abre um sorriso para a velha senhora cansada, e em seguida a convida para irem dormir.

 

. . .

Yun leva Gabriel e Daniela para os fundos do restaurante. Lá havia duas portas, uma do lado da outra. Todas as duas de madeira, que não para se diferenciar do resto do prédio, também já estava corroído pelo tempo. Yun abre uma delas. Lá não havia nada. Somente o cheiro de mofo, as paredes sem tinta querendo começar a se esburacarem e o chão de cimento.
- Este quarto iria ser um depósito, mas eu desisti da idéia. Ou melhor, Smart me fez desistir. Quando ele aumentou os impostos não tive mais condições de comprar muitas coisas para estocar. O meu estoque é lá na cozinha mesmo. Não tenho nenhuma cama, mas pelo menos tenho um colchão onde vai ficar um pouco mais confortável.
- Está ótimo. Eu nem um quarto queria.
- Para que é a outra porta? – pergunta Daniela.
- Ela dá acesso para os fundos. Eu o utilizo como um local de treinamento. Amanha você irá conhecê-lo. É isso jovens. Irei dormir. Se precisarem de qualquer coisa não pensem duas vezes. Podem me chamar. Boa noite.
- Obrigado Yun. Boa noite. – agradece Gabriel.
Gabriel e Daniela ficam a observar o velho Guerreiro sumir lentamente no breu que já se havia estabelecido no prédio.
- Suponho que você está aqui para conversar.
- É que eu fiquei pensando no que você dize sobre a Amanda. Acho que o quanto antes você conversar com ela melhor, pois assim você não fica com preocupações em sua cabeça.
- Não se preocupe com isso. Isso não é nenhum problema. Agora acho melhor você ir dormir. Amanha o seu dia vai ser bem agitado.
- E aquela história da Guerreira das Trevas ter mudado de lado. Você também deveria protegê-la. O que você vai fazer?
- Vou tentar traze-la de volta. Se não funcionar então um combate será inevitável.
- Mas se ela ceder toda a sua energia ela não irá morrer? Ela é como se fosse um órgão vital de nosso corpo.
- Na verdade ela passou a ser o nosso corpo. Você por exemplo: pode criar água de suas mãos. A cada ataque é uma parte do seu corpo que sai. Por isso que quando utilizamos muita energia é necessário pararmos e descansarmos, para nos recuperarmos. Imagina um humano comum: após uma grande quantidade de exercícios ele precisa descansar para recuperar os nutrientes de seu corpo. Nós paramos para recuperarmos a nossa energia. Pense na energia como seu sangue. Ele só acaba se for retirado. E quando o sangue é retirado a pessoa morre. Quando a energia é retirada nós morremos.
- Entendi. Só mais uma pergunta: quem vai ficar no lugar de Smart quando essa guerra acabar?
- Não sei. Provavelmente a Amanda. Quando acabar a guerra o meu destino se encerra. Eu vou voltar para a casa de meu Mestre e lá ficarei até o fim. O que acontecerá aqui não será mais problema meu.
- Um pensamento um tanto egoísta para o Guerreiro Dragão. – diz Danilo.
O jovem havia aparecido como um fantasma. Sem barulho algum. O seu aparecimento repentino assustou a Daniela.
- Que isso menino?! Está querendo me matar de susto?!
- Me desculpe. Não era a minha intenção. Então a Guerreira da Luz irá governar Hope. Ela não é muito jovem para isso? Você deveria ficar para ajudá-la.
- O jovem que não consegue confiar em mim. Por mim você não ia mais aparecer. Já tem muito tempo que esta a nos vigiar. Isís e Yun com seus corações enormes lhe acolherem aqui após a morte de seus pais. Suponho que você veio até aqui para querer se juntar a mim e derrotar Smart para vingar a morte de seus entes queridos.
- Eles morreram em combate. Agora além de ter que vingar a morte deles, eu tenho a obrigação de continuar o que eles começaram. Não confio em você. Não acho que seja poderoso o suficiente para ser o Guerreiro Dragão, mas sem a menor dúvida é a única chance que terei de entrar na Cidade Principal.
- Faça um favor para si mesmo e fique aqui. Essa guerra não é sua. Você nem sequer tem energia para batalhar. Como pretende chagar até Smart? Tudo bem que ele também não tem, mas a quantidade de guardas que o cercam, e de Guerreiros que o protegem; faz com que seja impossível para uma pessoa comum chegar até ele. É suicídio. – diz Daniela.
- O que você acha? – pergunta Danilo olhando para Gabriel.
- Amanha nós conversamos sobre isso. Vão dormir.
- Está certo – Daniela – Mas lembre-se: é loucura.
A Guerreira d’Água se retira do pequeno quarto e logo some na escuridão do prédio. E pouco depois deu-se para escutar os seus passos pela velha escada de madeira, que rangia a cada pisada em seus degraus.
- Gabriel você também perdeu seus entes e quer acabar com Smart. Se coloque em meu lugar. Boa noite.
E o jovem também some no breu.

. . .

Danilo subia a velha escada ao se encontrar com Amanda em sua metade
- Olá! – cumprimenta Danilo educadamente, como sempre costuma ser.
- Oi!
- Nós ainda não fomos apresentados formalmente. Danilo. Prazer.
- Amanda.
- Então quer dizer que você é a Guerreira da Luz. É bem mais bonita do que eu imaginei.
- Obrigada. – agradece Amanda sem graça – Bem com licença, vou ir beber uma água.
- Faço questão de acompanhá-la. Afinal de contas uma linda jovem como você não deve se expor a algum risco. Ainda mais sendo a Guerreira da Luz. 
- Não precisa. Eu já conheço tudo por aqui e sem me defender muito bem sozinha. Boa noite.
- Tudo bem. Se você precisar de qualquer coisa pode me chamar. Farei qualquer coisa que você me pedir. Boa noite.
Amanda termina de descer a velha escada bem rápido, sem nem se preocupar se ela iria cair ou não; com o objetivo de livrar-se das investidas de Danilo, enquanto ele por sua vez ficou a observá-la.
Ao chegar à cozinha ela pára por um instante, respira fundo, e consegue beber o seu copo d’água. Mas em vez de beber somente um, ela bebe uns três para conseguir se acalmar e voltar para o quarto.
A Guerreira da Luz retorna ao quarto sempre olhando em volta e adiante para saber se Danilo ainda estava pelos corredores do prédio. Mas ele já havia se retirado para seus aposentos.
Ao entrar no seu quarto, Amanda encostou as suas costas da porta, fechou os olhos e deu uma respirada funda. Ou melhor, ela deu um suspiro muito profundo, e em seguida esboçou um pequeno sorriso.
- Aconteceu alguma coisa Amanda? – pergunta Daniela.
Amanda abriu os olhos rapidamente, e o esboço de seu sorriso logo desapareceu. Rapidamente ela sentou-se ao lado dela na cama.
- O Danilo, o menino que está morando aqui, estava subindo as escadas e começou a conversar comigo. Só que de cinco palavras que ele dizia, seis eram me elogiando. Ele falou que me acha linda, queria me fazer companhia até a cozinha. Depois disse que quando eu precisasse era para chamá-lo. Ele foi extremamente educado comigo. E sem contar que durante o jantar ele sempre estava olhando para mim. Acho que ele gosta de mim.
- Isso explica o sorriso que você estava ao entrar. – diz Isla, descendo da cama.
As duas jovens se surpreenderam ao verem Isla. Para elas a Guerreira de Pedra estava dormindo.
- Acho que ele está fazendo isso somente para entrar em nosso grupo. Ele quer matar Smart com as próprias mãos. – diz Daniela.
- Muitos querem fazer isso. – diz Amanda.
- Ele é diferente. Se vê em seus olhos o desejo de vingança.
- Ótimo! Ele gosta da Amanda e entra em nosso grupo. Ele vai até Smart, o mata. Depois a Amanda mata quem quer roubar a sua energia, e depois o casal fica juntos para sempre.
- Isso não é um conto de fadas Isla. – Daniela – Isso aqui é vida real. Está acontecendo uma guerra lá fora. Você tem que parar de brincar. Leve isso a serio.
- Calma Dani. – Amanda – A Isla não está totalmente errada. Mas concordo com você em não deixá-lo ir. É muito perigoso. Mas porque eu não posso ficar com ele no final? Ele é muito bonito.
- Muito bonito?! Ele é lindo! – exclama Isla.
Risadas entre a Guerreira da Luz e a de Pedra.
- Você é quem sabe. Eu vou ir dormir, e continuo achando isso um absurdo.
Amanda e Isla só deram uma olhada para Daniela e depois voltaram a conversar sobre Danilo. E assim foi uma grande parte da noite. Isla perguntava detalhes sobre a breve conversa do jovem com a Guerreira da Luz, comentavam, riam e depois o elogiavam.

 

Uma manhã na Cidade Refúgio

Aos primeiros raios de sol Yun começa a treinar Daniela. Yun faz com que a Guerreira d’Água realize vários exercícios de aquecimento. Entre um bocejo e outro, dos vários que pareciam não se cessarem, Daniela reclamava com si mesma: “Eu poderia muito bem está fazendo esses exercícios depois do café da manhã”.
O treino era no fundo da loja. Ali era o local em que Yun, durante muitos anos, utilizou para treinar. Um ambiente que no princípio era somente chão batido, mas o Guerreiro d’Água fez dali um excelente campo de treinamento. Ele gramou todo o chão, plantou pequenas plantas que não chegavam a um metro de altura, e entre elas algumas pedras. Era um local muito bonito, mas o mais surpreendente era a árvore que havia bem no meio do local. Uma árvore bem grande e com um ar misterioso. Ela era tão viva que a qualquer momento poderia se levantar e trilhar o seu próprio caminho. Que ela ia abrir os seus olhos, olhar fixamente para você, e em seguida lhe dar um conselho, lhe passar uma sabedoria. Uma árvore que encantou a Daniela. A todo o momento, entre um bocejo e outro, entre uma reclamação e outra; ela olhava para a árvore. Mas quando perguntara para Yun sobre ela só escutara uma seca resposta:
- Continue treinando. Se concentre em o que você está fazendo, não em que o que está a sua volta.
E continuava o mistério da árvore.
Já cansada dos exercícios, e já com o seu estomago lhe “dando murros”; Daniela vê, após duas horas de exercícios, a imagem que iria lhe salvar: Isís. “Se ela está vindo para cá, então quer dizer que tem comida pronta” – pensou. E não foi diferente.
- Yun você quer matar a menina? Está a fazendo treinar sem ter comido antes. Venha vamos tomar café.
- Está certa minha velha. Muito bem Dani, vamos comer algo para depois voltarmos ao treino.
As palavras que ressoaram em seus ouvidos como mágica. Rapidamente ela entrou no restaurante, olhando em volta e seguindo o seu faro até uma mesa com comida e todos já em volta dela, prontos para comerem.
Ao se sentar-se à mesa, Daniela percebeu que a Guerreira da Luz não estava presente.
- A Amanda não vai vim tomar café?
- Quando eu desci, ela ainda estava no quarto. Ela me disse que não ia demorar a vim. – diz Isla.
- Eu vou ir chamá-la. – diz Danilo.
Ele pede licença e se retira da mesa. De lá se deu para escutar os ranchidos dos velhos degraus.
- Então Dani, já conseguiu aprender alguma coisa? – pergunta Gabriel.
- Aprendi que exercitar-se sem comer aumenta o apetite – risos.    
- Ela será capaz de aprender a Tsuname, desde que leve a sério o treino. Devo admitir que a fiz treinar sem comer de propósito. Queria ver a capacidade de sua concentração. Você precisa pensar menos no que acontece a sua volta e concentrar mais no que está fazendo. – diz Yun.

. . .

            No andar de cima Danilo estava à frente da porta do quarto de Amanda. Ele bateu à porta. Não houve resposta. Bateu novamente chamando o nome da Guerreira da Luz, e continuou sem obter resposta. Ele estava prestes a bater por uma terceira vez, quando uma pequena fresta da porta se abriu o rosto da Guerreira da Luz apareceu. Ela bem surpresa pergunta:
- O que você faz aqui?
- O café já está pronto.
- Obrigada. Já vou descer.
- Eu vou lhe esperar então para descermos juntos.
- Não precisa. Daqui a pouco eu desço.
- Se você prefere assim...
Danilo dá as costas para Amanda e se dirige as escadas.
- Danilo! – grita Amanda, saindo do quarto – Eu queria lhe pedir desculpas por ontem à noite. Acho que não lhe tratei da forma apropriada.
- Não se preocupe. Eu que não deveria ter insistido para lhe fazer companhia. Mas devo lhe confessar que é difícil não ter esse desejo estando na frente de uma menina tão linda como você.
O silêncio se estabelece durante alguns segundos. Danilo ficou a espera de uma resposta, mas a única ação vista por seus olhos, foi o rosto de Amanda se baixando vagarosamente e suas bochechas arrossando. Sabendo que daquela boca não se viria nenhuma fala, Danilo se decidiu:
- Bom... Acho melhor eu descer. É bom você fazer o mesmo também. Daqui a pouco a Isís tira o café da mesa. Você a conhece: tudo tem o tempo programado.
Amanda continuou calada e a observar Danilo indo às escadas e a descendo, até sumir de sua vista.
“Amanda o que você está fazendo? Você não pode se envolver com esse menino. Tem um destino a cumprir. Mas eu não consigo evitar. Além dele ser muito bonito, ele é tão gentil, tão educado... Droga! Acho que eu estou gostando dele. O que eu faço?!” – ficou a pensar a Guerreira da Luz, enquanto terminava de se arrumar.

 

. . .

 

            No andar de baixo todos comiam, quando Amanda chega, e logo percebe o olhar de Danilo para ela. Sem conseguir evitar retribuiu o olhar.
- Desculpem a demora. – diz a Guerreira da Luz.
- Está tudo bem. – responde Isís – Pode sentar e ficar a vontade.
Durante todo o café, vários assuntos se iniciavam e terminavam. Várias idéias surgiram, algumas boas, outras ruins; umas todos concordavam; outra ninguém concordava; discussões surgiam devido a essas idéias. E em meio a tudo isso, Amanda e Danilo escutavam, riam, opinavam, e se entreolhavam a todo o momento. E a cada vez que isso acontecia a confusão aumentava mais ainda na cabeça da Guerreira da Luz. “O que está acontecendo comigo? Será que eu estou gostando dele? E se eu tiver? Devo me aproximar dele? Será que isso vai interferir no cumprimento de meu destino?”.
E assim foi até a refeição da manhã acabar.
- Bom agora que já comemos, já descansamos; vamos voltar ao treinamento. – diz Yun.
- Está certo. Meninas me desejem sorte. – brinca Daniela.
- Eu quero é ver esse treinamento. – diz Clarice.
- Por quê? – pergunta Daniela.
- Porque quando você fizer algo de errado, eu vou poder me divertir vendo você suar para corrigir.
- Sua... – ela para e guarda os xingamentos para si.
As duas foram discutindo até os fundos da casa onde se reiniciou o treino de Daniela.
À mesa ficaram o resto do grupo.
- Vocês vão fazer alguma coisa hoje? – pergunta Isís.
- Eu estou pensando em ir até o 2º Muro para planejar como nós iremos entrar na Cidade Principal. – diz Gabriel.
- Amanda já morou aqui. Talvez ela saiba algum segredo. – diz Isla.
- O que eu sei é que no 2º Muro existe somente um portão para se entrar e sair na Cidade Principal. E ele é vigiado 24 horas por dia por oito guardas: quatro ficam desse lado, os outros quatro ficam do lado da Cidade Principal. AH! Claro! Tem os outros quatro guardas que ficam em cima do muro. Que além de terem uma visão privilegiada, estão armados com arco e flecha, e podem atingir qualquer um de longe. Só passa por aquele portão quem Smart quer que passe. A revista feita pelos guardas desse portão é perfeita. Eles não deixam passar nada. Nunca houve nenhuma ocorrência de invasão.
- É parece ser bem difícil entrar. Mas de qualquer forma eu vou lá para ver se eu consigo achar algum defeito nessa defesa.
- Eu vou com você. – diz Isla – Se nós não acharmos nenhuma forma, colocamos ele abaixo. Isso não será difícil para gente.
- Assim como não vai ser difícil chamar todos os guardas de Hope para nos prender.
- Calma Gabriel. Eu estou apenas brincando. Vamos até lá e descobriremos um jeito de passar por aquele muro.
- Você vem Amanda? – pergunta Gabriel.
- Não vou ficar e ajudar Isís.
- Está certo. Vamos Isla.
Gabriel e Isla deixam o restaurante e começam a caminhada até o 2º Muro.

 

. . .

 

            Nos fundos do restaurante o treino de Daniela continuava sendo bem difícil para a Guerreira d’Água. A cada novo exercício ela se esgotava cada vez mais, principalmente nos mais difíceis, que muitas vezes ela precisava repetir. O que lhe irritava muito. Mas o pior era ter que aturar as risadas e piadas de Clarice, que no começo não a irritaram, mas aquela brincadeira já havia passado dos limites. E a cada vez em que ela brigava com a Guerreira de Planta, Yun a chamava a atenção dizendo para ela se concentrar nos exercícios.
Após um breve descanso, Yun retoma os exercícios.
- Dani por enquanto o seu corpo se demonstrou apto a aprender a Tsuname. Mas agora vamos ver em relação a sua energia. Para isso você deve me atacar com uma de suas técnicas.
- Você tem certeza disso?
- Ataque logo!
Daniela então tomou certa distancia de Yun, e o atacou com o Canhão d’Água. Quando o poder chegou perto de Yun fora parado e depois toda a água contida nele cai no chão. Daniela e Clarice ficaram bem surpresas com o que viram.
- Se você atacar os seus inimigos desse jeito jamais irá vencê-los. – comenta Yun.
- Está certo. Vou lhe atacar com tudo então. HIDROBOMBA!
Desta vez Yun desviou-o para o alto e depois dispersou toda a água contida em forma de chuva. E novamente Daniela e Clarice ficaram surpresas com o que viram. Ou melhor, ficaram não só surpresas como também admiradas com a facilidade em que Yun manipulava a água.
- Esses são os seus poderes? Vergonhosos. Se você quer aprender a Tsuname primeiro você precisa melhorar esses poderes.
Yun fez aparecer no chão várias poças d’água, de tamanhos e profundidades diferentes.
- Você deve transformar todas essas poças em um grande lago sem que nenhuma de minhas plantas se afogue. Eu vou lá dentro. Quando eu voltar vamos ver se você já conseguiu.
- Isso vai ser moleza!
Mas Daniela estava enganada. Ao tentar mover uma das poças, ela simplesmente não saiu do lugar. Era como se houvesse algo a prendendo no solo. Muito esforço estava sendo feito sem nenhum resultado positivo.
- Mas que droga! Porque você não mexe! – grita Daniela.
E continuou a tentar mover a poça imóvel.

 

. . .

 

Na cozinha, Danilo ajudava Isís a arrumar todos os preparativos para a abertura do restaurante. Como Danilo não era muito de palavras, o silêncio mandava no ambiente. Foi assim durante algum tempo, até Danilo resolver fazer uma pergunta que já estava a muito “presa” em sua garganta.
- Isís, quando a Amanda morava aqui, você e Yun sabiam que ela era a Guerreira da Luz?
- Sim. Ela ficou aqui exatamente para proteger a sua identidade. Mas depois que Smart anunciou que ela seria procurada rua por rua, casa por casa, buraco por buraco de Hope; ela achou melhor ir embora para não nos causar problemas. Ela aproveitou para começar a busca pelo irmão dela.
- Entendi.
E novamente o silêncio retoma o seu posto de dominante entre os dois. Dessa vez o seu reinado durou menos tempo. Alguns minutos depois, Amanda apareceu na cozinha.
- Interrompo alguma coisa? – pergunta a Guerreira da Luz.
- Não de forma alguma. – responde Isís – Na verdade foi bom você ter chegado. Vocês dois podiam ir comprar algumas coisas que estão faltando.
Amanda queria responder que não iria fazer aquilo devido à companhia que sua amiga lhe arranjara: Danilo. Ela queria se manter o mais afastada possível dele para poder pensar direito sobre o que ela sentia em relação a ele. Mas isso era o que sua cabeça queria não o que o seu coração mandava. E como o coração, naquele momento, estava acima da razão, ela não conseguiu dizer a verdade.
Isís chega com a lista.
- Não é muita coisa. Mas é melhor que vocês irem juntos, por que assim não fica muito pesado para ninguém. E também é uma ótima oportunidade para vocês se conhecerem melhor.
“Se conhecerem melhor.” Essas palavras soaram com tanto peso nos ouvidos de Amanda, que ela chegou a ficar paralisada durante alguns segundos. Só conseguiu voltar a si quando Isís chamou o seu nome.
- Está tudo bem Amanda? – pergunta a velha senhora.
- Claro. – responde ainda meio desnorteada – Vamos logo comprar o que precisa.
Amanda toma a lista da mão de Isís e sai rapidamente do restaurante. Rápido como ladrão foge da polícia. E lá ficou esperando Danilo, e se preparando para aquele passeio com o menino que gosta dela.
- Vamos?
Amanda toma um susto, com a voz de Danilo.
- Desculpe não quis assustá-la.
- Está tudo bem. È que eu estou meio nervosa com essa situação.
- Você não quer ir comigo?
- Não! – é claro que não – É nervosismo de algum guarda me reconhecer.
- Não se preocupe. Com essas roupas elas não irão te reconhecer, e nós iremos evitá-los ao máximo. E também qualquer coisa eu lhe protejo – um sorriso se abre.
“Eu lhe protejo.”. Aquelas palavras soaram lindamente nos ouvidos de Amanda. Mesmo sabendo que poderia muito bem se proteger sozinha, as palavras a tornaram indefesa. Naquele momento ela queria um perigo, procurava um perigo enquanto andava por Hope atrás dos produtos da lista. Ela queria ver Danilo a protegendo. Seria lindo. Seria tudo.
As compras que tinham tudo para serem maravilhosas começaram a se tornarem chatas. O silêncio que sempre acompanhava Danilo em todos os locais chegava a aterrorizar. Ou melhor, aterrorizava a Amanda. Mas o temido silêncio é quebrado com uma pergunta de Danilo:
- Amanda. – a menina chega dá um salto de susto – O que houve com a Guerreira das Trevas, que também era uma grande amiga sua? – sempre com o olhar fixo à frente.
Após se recuperar do susto Amanda com uma expressão bem triste em seu olhar e em seu rosto responde:
- Você deve está falando da Marina. Ela achou que estando do lado de Smart estaria mais protegida. Ela perdeu a esperança de que o Guerreiro Dragão viria a nos encontrar. Que ele viria até Hope. Foram doze anos escutando sempre a mesma história. Até eu já estava começando a me perguntar o porquê de ter esses poderes, se aquele que iria me mostrar o caminho nunca havia aparecido.
- Mas você não perdeu a esperança e ele apareceu. Então porque você não vai atrás de sua amiga? Porque você não vai falar para ela que o Guerreiro Dragão finalmente chegou?
- Ela é minha amiga sim com certeza. Mas eu não vou correr atrás dela agora. Eu vou esperar. Mais cedo ou mais tarde ela vai aparecer nessa guerra, e neste momento eu a trarei de volta.
- E se ela não quiser voltar?
- Então, infelizmente, eu terei que lutar contra ela.
E novamente o silêncio aterrorizante volta a acompanhar os dois jovens pela sua caminhada pela cidade atrás dos mantimentos pedidos por Isís.

 

. . .

 

Após uns trinta minutos andando pela Cidade Refúgio, Gabriel e Isla chegam ao seu objetivo: o 2º Muro. E lá já estavam a observar por mais de hora.
- A Amanda tinha razão. Esse muro está lotado de guardas. Mas se eu soubesse que eles só ficavam ali parados o dia inteiro, sem fazer nada, eu teria ficado no restaurante. – comenta Isla.
- Se quiser pode ir embora. Eu vou observar mais um pouco. Em algum momento deve acontecer algo que me de uma idéia para invadir a Cidade Principal.
E ali ficaram os dois durante mais algumas horas a observar o movimento dos guardas que protegiam a entrada para a Cidade Principal.
As horas pareciam que estavam andando para trás. Parecia que cada segundo era uma hora. E elas foram passando lentamente. E continuava sem nada acontecer. Os mesmos guardas. As mesmas posições. Até pareciam estatuas.
- Cansei. – diz Isla – Eu vou embora. No restaurante você me conta o que aconteceu. Se você conseguiu algum plano.
- Tem certeza? Você vai perder a ação.
Isla então olha para o Muro, curiosa para saber o que estava para acontecer. E o que estava acontecendo? Os guardas. Os guardas finalmente estavam se movimentando. Aquela visão deu um alívio para Isla. Enfim algo iria acontecer.
Alguns outros guardas chegaram ao local. Eles se cumprimentaram. Um deles fez um sinal para aquele que estava em cima do muro, e este fez um sinal para dentro da Cidade Principal. E o que o Guerreiro Dragão mais queria ocorre: o portão do 2º Muro se abre. Alguns guardas saem e outros entram. Alguns deles trocam de posto com os que estavam em cima do Muro. Assim que eles atravessam o portão, ele se fecha e todos os guardas, que Gabriel e Isla observavam vão embora.
Falando assim, parece ser bem demorado todo esse processo. Mas não. Era algo já tantas vezes treinado e tantas vezes executado, que se tornara algo de no máximo um minuto. Um minuto. Parece pouco. Não para o Guerreiro Dragão. Seus olhos brilhavam. Um sorriso estava em seu rosto. Uma idéia havia se criado.
- Interessante. – diz Gabriel. – Vamos Isla. Vamos voltar para o restaurante.
- Quando você me disse que ia acontecer algo. Para mim ia ser algo de interessante. Não uma simples troca de turno.
Gabriel estava tão concentrado em seu plano. Pensando nele. O aperfeiçoando. Tentando deixá-lo perfeito que nem escutara Isla, e continuara a fazer seu caminho para o restaurante, enquanto Isla tentava arrancar algo dele. Porém nenhum dos dois perceberam que estavam sendo seguidos por um homem. Um homem alto, de cabelos compridos pretos e pele branca; carregando consigo duas espadas.

. . .

 

Após uma breve caminhada pela Cidade Refúgio, Danilo e Amanda regressam das compras pedidas por Isís.
- Chegamos. – diz Amanda.
Isís aparece na porta da cozinha e logo pede para Danilo guardar todas as compras na cozinha, e para Amanda preparar as mesas para receberem os clientes.
Antes que Amanda terminasse a arrumação das mesas, Danilo já havia guardado todas as compras e foi ajudar a Guerreira da Luz.
- Como que eu posso te ajudar? – pergunta Danilo.
- Vai colocando as toalhas nas mesas que estão faltando.
Os dois jovens foram forrando as mesas de lado opostos, e a cada mesa forrada os dois se aproximavam um do outro. Até sobrar somente uma mesa.
- Pode deixar. – diz Danilo, com o seu jeito educado de sempre.
- Tudo bem.
Amanda senta em uma das cadeiras e fica a observar o jovem estendendo a toalha e a ajeitando para que nenhum lado fique maior do que o outro, sem deixar nenhuma dobra. A Guerreira da Luz fica admirada com o cuidado que ele tem para deixar tudo perfeito.
- Você sempre é assim? Perfeccionista?
- Não. Eu não sou perfeccionista. Pelo menos não comigo mesmo. Na verdade eu só procuro a perfeição quando eu faço algo para Isís e Yun.
- Eu entendo. Já que foram eles que lhe acolheram quando você perdeu seus pais.
- E é por isso que eu vou com vocês para a batalha contra Smart.
- Gabriel permitiu isso?
- Ainda não. Mas ele vai.
- Não sei. Não sei se ele quer envolver mais pessoas inocentes nessa guerra. A destruição de Smart é meu destino e da Guerreira das Trevas. E ele vai como nosso protetor.
- Então porque a Clarice, a Isla e Dani estão com vocês?
- Elas vieram de livre e espontânea vontade.
- Assim como eu.
- É diferente. Elas têm energia. E você? Você não.
- Eu sei lutar. Sei manipular espadas. Não me importa. Se eu não posso ir para vingar a morte de meus pais, então eu vou como seu protetor. Não foi por mero acaso que vocês vieram parar aqui, justo no mesmo local que eu me encontrava. Você acredita no seu destino. Eu acredito no meu. E ele me diz que é para ir com vocês.
- Não. Essa guerra não é sua.
- Você diz isso porque ela realmente não é, ou porque você não quer que eu vá para me proteger?
.O jovem que quase não fala conseguiu em uma breve fala deixar Amanda sem reação. Ela ficou ali. Parada. Somente a olhar o rosto branco de Danilo Ela queria responder que era para a proteção dele. Que era para ele ficar ali a esperando regressar. Que era para ele esperar ela voltar e dizer tudo o que ela sentia por ele, e os dois em fim ficarem juntos. Mas não. As palavras não vinham. Nem para a verdade e nem para a mentira. Ela simplesmente ficou ali. Parada. Sem se movimentar e sem emitir nenhum tipo de som.
Danilo pôs sua mão no rosto de Amanda, olhou bem para os olhos dela e lhe disse:
- Não tenha medo de dizer a verdade.
Mas de nada adiantou. Amanda retirou a mão de Danilo e levantou-se.
- Amanda...
Uma última tentativa do jovem em fazer a Guerreira da Luz falar. Ela parou. Olhou para Danilo por cima do ombro. E depois se retirou para o seu quarto. O deixando ali. Sozinho com seus pensamentos. “O que será que ela iria me responder?” “O que será que ela quis me dizer com aquele olhar?”.
- Chegamos. – a voz de Isla interrompe os seus pensamentos.
Danilo vira-se rapidamente para a porta, enquanto desmancha a expressão de dúvida de seu rosto e a substitui por um ar sério e voltou a ser o jovem silencioso.
- E então conseguiram alguma coisa? – indaga Isís.
- Acho que sim. – responde Isla – O Gabriel veio calado o tempo todo. Acho que ele tem um plano.
- Sim. Eu já tenho um plano. Mas durante o almoço eu falo sobre ele. Como e quando nós vamos executá-lo.

 

O Plano

Todos se sentam à mesa para almoçarem antes de começarem a trabalhar.
Em meio às garfadas Gabriel fala sobre o seu plano de invasão a Cidade Principal.
- No momento em que o portão se abrir esta noite, não haverá guardas em cima do muro. É o momento em que ele estará mais vulnerável. Isla irá aplicar o Terremoto próximo ao portão para poder impedir que ele se mova. Que ele nem abra e nem feche. Isso fará com que eles ataquem. Nesse momento a Dani utiliza a Tsuname neles. Ela poderá atacar tranquilamente, já que não haverá guardas em cima do muro para atacarem de longe.
- Assim que ela aplicar o golpe nós corremos para dentro. – diz Isla completando o plano de Gabriel.
- Após a Dani aplicar a sua técnica nós iremos correr para dentro, certo? – todos concordam com um sinal positivo com a cabeça – Os que sobrarem, não será problemas para se derrotar. E se algum dele tentar subir no muro, a Isla poderá manipular a terra para que não ocorra.
- Gostei do seu plano. – elogia Amanda – Mas e lá dentro? Serão muitos guardas para se enfrentar.
- Não se preocupem. Consegui um mapa que mostra passagens clandestinas por dentro da Cidade Principal. É utilizado por contrabandistas. Se nós seguirmos esse caminho não iremos enfrentar nenhum guarda, e chegaremos rapidamente ao Castelo de Smart. – diz Gabriel enquanto mostra o caminho no mapa.
- Não irá funcionar. – diz Daniela.
Todos olham surpresos para a Guerreira d’Água.
Ela sem olhar nos olhos de ninguém explica:
- Eu não irei utilizar a Tsuname. Na verdade esta noite eu não estarei com vocês.
Um breve momento de silêncio e surpresa.
Ainda sem olhar para ninguém, Daniela continua a sua explicação.
- Eu falo sério. Eu não pertenço a esse grupo. Tirando o Gabriel, apesar dele não contar; nenhuma de vocês precisou de uma pessoa para lhe ensinar. Nunca precisaram de um Mestre. Os seus poderes são perfeitos. E vocês aprenderam a controlar a energia, criaram as suas técnicas; sozinhas. Enquanto eu sou uma vergonha como...
- Cale a boca! – grita Amanda – Pare com essas asneiras. Deixe de se fazer de vítima.
- Não estou me fazendo de vítima! – grita Daniela levantando-se – Você acha que nesse nível ridículo em que eu me encontro terei condições de entrar na Cidade Principal? Terei condições de enfrentar Smart? De enfrentar a pessoa que quer roubar a Luz e as Trevas? Deixe de ser ingênua Amanda! Eu pretendo viver durante muitos anos ainda.
Amanda levanta-se de sua cadeira, caminha até Daniela e, para surpresa de todos, a Guerreira da Luz aplica um tapa no rosto dela. A Guerreira d’Água ficou parada com a mão eu seu rosto tentando entender o porquê de Amanda ter feito aquilo.
- Eu não estou sendo ingênua. Eu só falei a verdade. Mas ela dói, não é?! Você está arrumando desculpas para não aceitá-la. Mas pode ficar tranqüila. Este tapa não foi por causa de seu insulto. Eu não me ofendi. Na verdade não tenho motivos para isso. Este tapa foi para você enxergar a verdade. Você acha que todos nós nunca precisamos de alguém para nos ensinar algo? Você acha que nós estaríamos neste nível se não houvesse alguém para nos ensinar no começo? Mas você não precisa. Você é boa o suficiente para isso. É talvez seja melhor mesmo você ir embora. Talvez você realmente não pertença a esse grupo.
Daniela ficou sem reação. Ficou parada olhando para Amanda, enquanto os seus olhos enchiam rapidamente de água. Quando toda a água estava para escorrer pelo seu rosto, o seu corpo voltou a funcionar. Ela saiu correndo direto para o quarto. Deu-se para ouvir a porta batendo.
- E precisava de tudo isso? – pergunta Clarice.
- Às vezes são necessárias palavras duras, porém verdadeiras, para que se enxergue a realidade.
- Uma simples conversa poderia ter resolvido tudo.
- E às vezes são necessários os dois. – diz Gabriel levantando-se – Eu já volto.
Todos observam Gabriel indo à direção as escadas. As velhas escadas. A cada passo em seus degraus era um rangido diferente. Desta vez pareciam que eles falavam. Cada som fazia uma pergunta diferente para as meninas. Mas todos eles se encontraram no final da velha escada. E todas as perguntas se tornaram uma só: “O que será que vai acontecer?”.
Gabriel bateu na porta e logo em seguida a abriu. Lá estava Daniela. Deitada na cama deixando que todas as lágrimas escorressem pelo seu rosto.
- Vá embora.
- Assim que eu falar o que você precisa ouvir.
Daniela ainda deitada vira-se para Gabriel.
- Eu só quero que você saiba que ninguém te obrigou a vim com a gente e ninguém irá obrigá-la a ficar conosco. Ninguém irá te obrigar a enfrentar Smart com a gente. Desde o princípio você soube que a derrota de Smart e daquela que quer roubar a Luz e as Trevas está destinado a Amanda e a Guerreira das Trevas. E a mim, como protetor delas. Falando da Guerreira da Luz, fique você sabendo que em nenhum momento ela estava errada em suas palavras, por mais ásperas que elas tenham sido. Não há porque se ter vergonha de ter um Mestre. Todos nós precisamos de ajuda em algum momento. Não há perfeição neste mundo. Mas se você quer desistir por vergonha, então você sim será uma Guerreira fraca. Não tenha vergonha daquilo que você tentou e não conseguiu. Tenha vergonha daquilo que você não tentou, por medo de tentar.
Após suas palavras, Gabriel se retira do quarto e deixa Daniela pensar sobre o que ela realmente quer fazer. E desce a velha escada. Dessa vez seus ranchidos não fizeram perguntas. Eles simplesmente anunciaram a chegada do Guerreiro Dragão ao andar de baixo. Ao chegar à mesa que todos se encontravam, os olhos ali presentes lhe perguntaram: “E então?”. Gabriel olha para cada um deles e começa o seu discurso:
- Seguinte gente: a Dani não quer continuar com a gente. Se alguma de vocês também não quiser fiquem a vontade de irem embora. Mas vão agora, pois depois desta noite não haverá mais volta.
- Não! A derrota de Smart é a forma que eu tenho de honrar à Fenícia. Minha Mestra.
- A Clarice tem razão. – concorda Isla – Não estou a fim de ser cassada por “esse cara”. E eu também tenho que honrar o meu Mestre. Kaya.
- A Dani tinha que está aqui para escutar isso. Ela iria ver que todas nós tivemos ajuda de alguém.
- Eu escutei. Mas isso não muda a minha decisão. – diz Daniela.
Uma grande surpresa para todos a ver ali. Normalmente a velha escada anuncia quem está vindo do andar de cima. Será que dessa vez ela havia falhado? Ou será que ela não quis anunciar a chegada de Daniela? Bom tanto faz. A questão era: ela realmente estava indo embora. Sua mochila estava em suas costas. E ela só passara ali para dar adeus a Gabriel.
- Eu só passei aqui para dar adeus e dizer que foi uma honra lutar ao lado do Guerreiro Dragão. Adeus. Boa sorte na luta contra Smart.
Daniela sem olhar para trás sai pela porta do restaurante e rapidamente some na paisagem deprimente da Cidade Refúgio.
O silêncio, um velho companheiro, aparece novamente. Dessa vez ele parece que veio somente de passagem. Rapidamente ele é mandado embora por uma pergunta:
- E agora? Como vamos entrar na Cidade Principal? – Clarice.
Antes que pudesse ser respondida, se houve um grande barulho. Era a porta do restaurante. Ela estava no chão. A expressão de surpresa se forma rapidamente nos rostos de todos. E aumenta ainda mais quando as Guerreiras e Gabriel vêem que quem havia derrubado a porta tinha sido Ana Cairo. Sim. Ela mesma. A mesma Ana Cairo que havia os ajudado antes.
- Olá gente! O que temos para o almoço? – pergunta com um sorriso de canto de boca. Um sorriso que transmitia maldade.
- O que significa isso Ana Cairo?! – pergunta Gabriel levantando-se e tomando a frente de todos.
- Como assim Gabriel? Eu vim almoçar. E trouxe um amiguinho. Huang.
Entra no restaurante aquele mesmo homem alto, de cabelos compridos pretos e pele branca, carregando consigo duas espadas; que havia seguido Gabriel e Isla.
- Ele tem um gosto bem exótico: ele adora comer carne de traidores e beber o sangue deles. E se vocês forem espertos vão adivinhar o que será servido hoje. – ninguém fala nada – Vocês são ruins de adivinhação. Vocês! Vocês serão o prato de hoje do meu amigo. Tirando a Amanda que tem que chegar viva para a Senhorita poder absorver os poderes da Luz.
- Sua traidora! – grita Isla.
Ana Cairo fica só a rir.
- Você invade o meu estabelecimento. A minha residência. Ameaça os meus convidados. Você não tem dignidade. Não merece estar nesse mundo. – diz Yun.
- Papo de velho chato. Odeio velhos. Bom é o seguinte tem uma forma de todos escaparem sem ferimentos. Gabriel e Amanda vem comigo e a vida de todos será poupada. Não é uma boa proposta?
- Eu vou acabar com você! – exclama Clarice.
- Calma Clarice. – Gabriel – Nós iremos com você.
Um “O que?!” de todos pode ser ouvido.
- Entendam: essa guerra é minha e da Amanda. Não irei arriscar a vida de vocês.
Gabriel e Amanda se aproximam de Huang e Ana Cairo. Rapidamente Huang coloca as suas espadas no pescoço da Guerreira da Luz. Gabriel esboça uma reação, mas rapidamente é contido por Ana Cairo.
- Calma Gabriel. Isso é só para garantir que você não irá fazer nada pelo caminho. E para garantir que não seremos seguidos... – um estalar de dedos – trouxe alguns amiguinhos para brincar com vocês.
Quatro guardas aparecem cercando todos.
- Adeus.
- Meninas vão ajudar Gabriel e Amanda. Eu cuido desses Guerreiros.
- O velhote acha que é capaz de nos deter. – diz um deles.
Risadas são dadas e se encerram ao serem atingidos por um forte jato d’água.
- Vão!
Isla e Clarice correm em direção a Ana Cairo e Huang. Elas conseguem chegar à porta derrubada antes deles e impedem a passagem.
- Meninas eu não queria lutar mais já que insistem. Huang.
O homem das espadas solta Amanda e começa a desferir golpes das laminas afiadas em Isla e Clarice. A única coisa que as duas conseguem fazer é se esquivarem. E a batalha toma a rua. Onde olhos curiosos se juntam para ver a batalha. E outros correm com medo dela.
- Não era para isso ter ocorrido.
- Significa que não era para você ter vindo aqui – diz Gabriel.
- Acho que terei que lutar contra vocês.
Amanda faz com que as Espadas da Luz apareçam e chama Ana Cairo para a batalha com o olhar.
Se aproveitando disso, Gabriel foi ajudar Isla e Clarice.

 

. . .

 

Dentro do restaurante Yun batalha contra os quatro Guerreiros, que utilizam o ar como seu elemento; enquanto Danilo fica perto de Isís. Percebendo que o velho Guerreiro d’Água estava começando a ter dificuldades em derrotar os Guerreiros, ele foi ajudá-lo.
- Isís fique aqui. Vou ir ajudar Yun.
Assim que ele deu o primeiro passo se escutou um estrondo, e em seguida algo passando na sua frente e colidindo contra a parede. Era Huang, que havia sido atingido por uma das técnicas de Clarice. Ao olhar para o homem, Danilo viu uma de suas espadas no chão. Antes que ele pudesse levantar-se, o jovem a pegou. Em seguida as meninas chegaram.
- Vão ajudar Yun. Eu cuido desse cara.
Mesmo achando aquilo uma idiotice, as meninas atenderam ao pedido de Danilo, e foram ajudar ao velho Guerreiro.
Quando Huang levantou-se viu Danilo a sua frente o desafiando com sua própria espada.
- Não seja idiota menino. Você irá morrer se lutar contra mim.
- Se for para proteger a Guerreira da Luz...
Um duelo de espadas se inicia. Mas em pouco tempo Danilo vai ao chão.
- Não quero matá-lo meu jovem. Desista desta batalha. Eu sou mais forte.
- Eu não sei muitas coisas. Mas uma que eu aprendi e jamais esquecerei é que nem sempre o mais forte é aquele que obtém a vitória.
- São palavras bem sábias para um jovem. – diz Gabriel aparecendo por detrás de Danilo.
Huang aproveitou-se da pequena distração de Danilo e iniciou uma investida contra os dois, mas fora interrompido pelas técnicas de Isla e Clarice. Após recuperar-se do golpe que recebera, Huang levanta-se e vê que Yun também estava ali.
- Mas onde está os Guerreiros?
- Essas meninas acabaram com eles. E para o seu bem você não irá mais lutar. Meninas. Gabriel. Vão ajudar Amanda. – diz Yun – Eu e Danilo iremos nos certificar que esse cara não vá a nenhum lugar.
Eles correram na direção da Guerreira da Luz, que confrontava Ana Cairo. Ao chegarem ao local do combate, eles vêem Amanda utilizando as Espadas de Luz para tentar acertar Ana Cairo, porém nenhum dos seus ataques estava surtindo efeito.
Em certo movimento, Ana Cairo aproveitou para desequilibrar Amanda e lhe aplicar um chute que a levou ao chão.
- Você está bem? – pergunta Gabriel se aproximando dela.
- Eu não vou desistir. – diz Amanda levantando-se com o auxílio de sua espada e de Gabriel. – Eu não vou desistir. Sou a Guerreira da Luz. Tenho que derrotar a qualquer um que se oponha ao meu destino.
- Mas você precisa mudar a sua forma de lutar. Desse jeito você está apenas jogando sua energia fora.
- PEDRAS DA MORTE! – grita Ana Cairo.
Duas grandes pedras voam em direção aos dois Guerreiros. Mas antes que pudessem ser atingidos por elas, Isla consegue manipulá-las e desviar a sua trajetória para os lados.
Gabriel aproveita essa pequena distração e aplica as Garras do Dragão no inimigo.
- Nada mal. – diz Ana Cairo recuperando-se do poder recebido – Mas não é bom o suficiente para me derrotar.

 

. . .

 

No outro canto do restaurante Yun e Danilo mantinha Huang como prisioneiro, o ameaçando com sua própria espada que o jovem havia roubado. Enquanto Isís ficava ao longe observando toda a batalha.
Porém Danilo é um jovem apaixonado, e ao ver que sua amada estava em perigo quis ir salvá-la. E neste momento ele “baixou” a guarda, e distraiu Yun. Obviamente o inimigo aproveitou-se da situação golpeando Yun.            
- É neste momento que o burro que tenta virar herói morre!
O jovem rapidamente vira-se para Huang.
- Tenta. – desafia Danilo.
Os dois batem as espadas umas nas outras. Hora com força suficiente para provocar faíscas. Hora fraca onde só se ouvia o som das lâminas se encostando. Durante alguns minutos Yun (que no momento em que Huang levantou-se correu para perto de Isís, zelando a proteção de sua velha esposa) ficou a observar junto com Isís o duelo de espadas entre o jovem e o assassino. E também viu a hora em que o jovem perdeu sua espada. Logo pensou: “Preciso fazer algo para ajudar”. Mas antes que o velho bondoso pudesse pensar em executar algo, o jovem conseguiu pegar a sua espada novamente, e acertar um belo golpe em Huang. Um golpe que cortara a pele do assassino na altura do umbigo.
- Jovem insolente! – resmunga Huang com uma das mãos no ferimento que sangrava muito e rapidamente.
Ao tentar retornar para a batalha, o assassino não obteve forças, e cai no chão.
Danilo se aproxima dele e o olha com um ar de superioridade:
- O herói, por mais burro que seja sempre vence. – ironiza.
Essas foram as últimas palavras que Huang escutara. Ele fechou os olhos e pouco depois parou de respirar.
- Danilo vá ajudar as meninas e Gabriel. Eu ficarei bem. – diz Yun.
O jovem não pensa duas vezes e parte para o outro lado do restaurante. Antes que pudesse chegar, ele vira as meninas utilizando suas técnicas simultaneamente. E vira Ana Cairo desviando de todas elas. O seu breve percurso acaba ao encontrar com Gabriel.
- Vocês nunca iram me derrotar. – Ana Cairo – Não com essas técnicas. Então poupem o meu tempo e entreguem a Guerreira da Luz.
- Você não irá levá-la!
Danilo avança em direção a Ana Cairo com a espada roubada em mãos, e desfere vários golpes em sua inimiga. Mas de nada adianta. A Guerreira consegue desviar de todos os golpes, e em seguida o acerta um chute que o joga longe.
Amanda se aproxima do jovem.
- Essa briga não é sua. Deixe conosco.
Gabriel e as meninas começaram a tentar acertar golpes em Ana Cairo, porém esta conseguiu desviar e defender deles. Enquanto isso Amanda acumulava grande quantidade de energia.
- Saiam da frente! – grita a Guerreira da Luz. – RAIO DE LUZ!
Ao se virarem as meninas e Gabriel viram a técnica de Amanda vindo em sua direção com muita velocidade e força. Eles conseguiram desviar-se, e a técnica acerta Ana Cairo. Ela tentou se proteger atrás de uma parede de pedra. Inútil. O poder de Amanda cria uma grande explosão que joga tanto Ana Cairo, quanto as meninas e Gabriel ao chão.
Assim que a poeira baixou, Amanda começou a ver os vultos de seus amigos. Gabriel já conseguia ficar de pé e ao seu lado ainda deitada estava Isla. Atrás de Gabriel, sentada e encostada na parede estava Clarice. Na frente do Guerreiro Dragão via o vulto de Ana Cairo. Deitada. Amanda começou a esboçar um sorriso de alívio. Aquela batalha havia acabado.
Não. Ela havia se enganado. Ao ver o vulto de Ana Cairo se levantando o sorriso esboçado em poucos segundos desmanchou-se.
- Não se preocupe Amanda. Ela vai ter o fim dela agora. – diz Danilo.
O jovem sai de perto de Amanda e em instantes some na poeira que ainda restava. O que não durou muito tempo para se dispersar. Quando toda ela não existia mais. Amanda não conseguia ver Danilo. Mas conseguia ver muito bem Ana Cairo, que mal conseguia se manter em pé, indo à direção de Gabriel e das meninas.
- Pare Ana Cairo! – grita Gabriel – Você não tem mais condições de continuar a lutar.
- Essa menina ainda está viva! – exclama Clarice, que tinha acordado e se aproximado de Gabriel com sua mão direita em seu braço esquerdo que estava bastante ferido e sangrava.
- Sim eu estou. E vou levar a Guerreira da Luz comigo. – diz Ana Cairo interrompendo cada palavra buscando fôlego.
- Gabriel acabe com ela. Não tenho mais energia.  – diz Amanda aproximando-se dele.
- Não posso. Também não tenho. A Clarice não tem condições de luta. E a Isla está desmaiada.
- Então quer dizer que eu sou a vitoriosa – Ana Cairo entre tosses e risos.
Mas logo as tosses e risos cessaram. Seus olhos se arregalaram. Um filete de sangue saiu de sua boca. E ao olhar para baixo ela viu uma espada atravessada em seu corpo. Poucos segundos depois a espada sai de seu corpo, e a Guerreira cai inerte ao chão, revelando que quem desferira o golpe tinha sido Danilo.
- Pronto agora ela não irá incomodar mais ninguém.
Escuta-se ao longe. Um som que vinha da rua: “Sai! Sai da frente!”.
Danilo corre até a porta e vê que são guardas que se aproximavam do local. E eles não eram poucos. Não havia como os enfrentar. Não nas condições em que eles se encontravam.
Yun se aproximou de todos e disse:
- Gabriel pegue Isla e venha comigo.
Sem pensar muito Gabriel obedece ao velho senhor e o segue até os fundos do restaurante. Por detrás da misteriosa árvore, havia um alçapão escondido entre as folhagens que dava acesso a um porão.
- Aqui vocês irão ficar seguros.
- Você quer dizer “nós”. – diz Amanda.
- Eu preciso enfrentar esses soldados.
- Eu vou ficar para te ajudar. – diz Gabriel – Eles são muitos.
- Você já tem a quem proteger.
Yun empurra Gabriel para dentro do porão e fecha o alçapão. Em seguida ele o esconde novamente com as folhagens.
- Abra a porta Yun! – grita um dos guardas da rua.
- Yun. Meu velho... – diz Isís que saira do seu esconderijo.
- Minha velha você deveria ter entrado no porão também.
- A essa altura da minha idade não há porque eu viver sem você.
Isís mostra a Yun uma espada. O velho senhor sorrir para ela e diz:
- Foi uma honra ter vivido com você todos esses anos. E vai ser uma honra maior ainda morrer ao seu lado.
Os guardas quebram a porta e rapidamente chegam aos fundos do restaurante.
- Onde estão eles?
- Não há ninguém aqui além de mim e de minha velha. Você invadiu a minha residência. Peso que se retire imediatamente.
- Vamos ver se você vai ter essa ousadia quando tiver de frente para o Senhor Smart.
- Porque você não vem me pagar então?! – ironiza.
- Você é velho demais.
- Ele não está sozinho! – exclama Isís.
O guarda dá um sorriso de indiferença.
- Prendam-nos!
E do porão Gabriel, Danilo e as meninas escutam a última batalha de Yun e Isís. O casal de velhinhos que os protegeram quando mais precisaram. O casal que morreu por eles, e que serão lembrados para sempre em seus corações e mentes.

 

O Beijo      

Em vários momentos da batalha a vontade de Amanda era sair dali e ir ajudar o velho que já ajudará tanto. Mas Gabriel não deixara. Ele não podia deixar que ela fosse pega pelos guardas e levada à Smart.
A batalha acaba. Um silêncio pavorante no porão. E do lado de fora se escuta os guardas vasculhando todo o terreno.
- Eles fugiram. Não tem ninguém na casa.
- Aqui fora também não achamos nada. Vamos embora. Reúnam todos os outros.
E do porão se escuta todos os homens saindo do restaurante.
Passado alguns minutos, Gabriel com muita cautela abre o alçapão. Antes de abri-lo completamente ele deu uma olhada por uma fresta ao redor. Ao ver que estava tranqüilo, ele o abriu por completo. Primeiro saiu somente ele e Danilo. Eles olharam todo o restaurante. Não havia ninguém. Até os corpos de Yun e Isís eles haviam levado. No restaurante tudo estava quebrado e nos quartos todas as camas reviradas.
Danilo foi até o porão e disse que as meninas podiam sair.
A primeira a sair foi Amanda. Saira bem apressada. E logo começou a procurar pelo corpo de Yun. Mas não achava. Ela olha com os olhos cheios d’água para Danilo, como se dissessem: “Não acredito que o corpo de Yun não está aqui. Por quê? Porque eles fizeram isso?”.
Danilo não podia responder a essa pergunta. Ele apenas virou-se e desceu para o porão. O jovem pegou Isla no colo e subiu com ela. Ele encostou a Guerreira de Pedra na árvore mística. Quando olhou em volta Amanda não estava mais por ali.
Ele perguntara por ela para Clarice, e esta disse que ela havia entrado. O jovem logo vai atrás dela.
- Nós vamos realizar a invasão Amanda. Mas não pode ser realizada agora. Não no estado em que encontramos. – é isso que o jovem escuta de Gabriel ao entrar no restaurante destruído.
- Não há porque esperar. Eu consigo lutar e tenho certeza que você também. E quem deve matar Smart sou eu, e não as outras meninas.
- Eu sei que você quer vingar a morte de Yun e que ele era especial para você. Mas não adianta você se desesperar. – diz Danilo.
- Vocês não sabem de nada! – grita Amanda.
A Guerreira da Luz sobe correndo a velha escada, que agora perdera alguns degraus; e no caminho deixou que suas lágrimas escorressem.
- Eu vou ir falar com ela. – diz Danilo.
O jovem sobe com cautela a velha escada, pulando os pontos em que lhe faltava degraus. Aqueles que rangiam, rangiam mais agora. E os que não rangiam, passaram a rangir. E enquanto o jovem subia e os degraus rangiam, Gabriel ficava a pensar: “Temos que acabar com Smart. Ele não destruiu somente essa casa. Ele também conseguiu destruir mais um coração.”.
- Gabriel – Clarice – Você vai aceitar o Danilo em nosso grupo?
- Ele pode não ter energia. Ele pode não conseguir manipular os Elementos. Mas ele tem o espírito de um Guerreiro. Ele tem coragem de enfrentar a qualquer um que o desafie. E o principal: ele luta com o coração. E agora passou a lutar por alguém. Pela Amanda. Bom, vou ver se ainda tem água nesta cozinha. Procure descansar.

. . .

            No andar de cima, Danilo acha Amanda no quarto que era de Yun e Isís. A porta estava aberta e ela sentada na cama olhando um porta-retrato com a foto dos três. Danilo sentou-se ao seu lado.
Amanda sem tirar o olhar do porta-retrato diz:
- Porque eles tinham que morrer? Por quê?
Danilo não conseguia responder a esta pergunta, então preferiu ficar calado. Um breve silêncio. E em seguida uma outra pergunta com os olhos na foto:
- Você não tem a resposta não é?
- Não sei se isso ajuda, mas eles sempre falavam de você. E isso sempre despertou a minha curiosidade de como você era. Então no dia em que você entrou no restaurante, eu te observei. Observei como agia e como falava, eu tive certeza de que Yun e Isís não erraram em nenhum dos elogios que eles faziam de você para mim.
- Obrigada Danilo.
Uma lágrima cai no porta-retrato.
Danilo levanta o rosto de Amanda e enxuga suas lágrimas.
- Lágrimas não combinam com a menina forte e determinada que eu conheci ontem, e durante a batalha de hoje.
- Pessoas fortes e determinadas também choram.
Os dois se calaram. Entreolharam-se durante alguns segundos, e bem lentamente seus lábios se aproximaram até se encostarem e um beijo acontecer.
Amanda, como se estivesse assustada rapidamente retira seus lábios dos de Danilo e volta novamente seu olhar para a foto.
- Desculpe. – diz Amanda.
- E porque se desculpar? Nós dois queríamos isso.
- Eu sei. Mas eu não posso me envolver com você. Pelo menos não por agora. Você está decidido a ir comigo e isso pode ser ruim para nós dois em meio a uma batalha. – ainda sem olhar para o jovem.
- Você preferiria que eu lhe esperasse aqui.
- Não posso sofrer mais com perdas de pessoas que gosto. Está sendo muito difícil aceitar a perda de Yun e Isís. Se acontecer algo com você eu não sei se teria forças para continuar a lutar...
Danilo retira o porta retrato das mãos de Amanda e levanta o seu rosto.
- Você realmente gosta de mim?
- Sim. Gosto muito.
- Então você irá me deixar lutar. Não há porque não estarmos juntos nesta guerra. Você já está separada do seu irmão, porque se separar de mim também? Eu posso não ter energia, mas isso não muda a minha vontade de acabar com Smart. Ao contrário da maioria que se esconde, eu sempre treinei para que esse momento chegasse. Eu não irei desperdiçá-lo. E eu também vou poder te proteger.
Amanda abre um pequeno sorriso no canto da boca.
- Viu você já está rindo.
- Você me convenceu, mas tem um problema.
- Qual?
- O meu protetor é o Gabriel.
Os dois riem.
- Seria impossível para mim te deixar aqui.
- Seria impossível para eu ficar aqui sem te ver e sem poder fazer isso.
Danilo se aproxima novamente dos lábios de Amanda e lhe dá outro beijo. Um beijo mais demorado. Mais apaixonado.

A Invasão

Após algum tempo escuta-se o rangido dos degraus novamente. Era Amanda que vinha descendo com Danilo apoiado em seu ombro.
- Gabriel será que você pode cuidar de Danilo quando terminar com Clarice?      
- Claro. É só ele sentar aqui perto de mim.
- AI! AI! Cuidado Gabriel. – reclama Clarice.
- Você quer ficar com esse braço curado até o final do dia? Então pára de reclamar.
Risos.
- E então. – Isla que já havia se recuperado de seu desmaio – Vocês se resolveram?
- Sim. Nós conseguimos nos entender. – responde Danilo.
Isla faz um sinal concordando com o que escutara. Mas Amanda não ficara satisfeita com isso, e a chamou em um canto para conversar.
- Qual é o seu problema com o Danilo?
- Eu não confio muito nele. Acho que ele está se aproveitando da situação. E também não acho que é uma boa idéia deixá-lo ir conosco.
- Quem deve matar Smart sou eu. Quem deve me proteger é o Gabriel. E mesmo assim você e a Clarice estão nessa guerra conosco. Nós demos um voto de confiança para vocês. Você poderia dar um para ele também.
Amanda volta para perto dos outros, enquanto Isla fica ali parada pensando sobre o que a Guerreira da Luz falou.
Após algumas horas, Gabriel já havia se recuperado e cuidado dos ferimentos de Danilo e das meninas. Agora eles se alimentavam com o pouco de comida (que podia ser consumida) que os guardas deixaram. Enquanto se alimentavam e olhavam em volta a tristeza pairava no ar. Parecia que cada objeto quebrado chorava. E aquilo comoveu todos.
- Este lugar está triste. Tudo aqui chora. Assim que vocês terminarem nós iremos sair daqui e iremos procurar algum outro lugar para ficarmos até o final do dia. – diz Gabriel.
E assim foi feito. Logo que todos acabaram suas refeições, eles partiram dali. Partiram do lugar onde um casal de gentis velhinhos se sacrificaram para que eles pudessem prosseguir com a sua missão.
Ao sair do restaurante Amanda deu uma última olhada para trás e ficou a imaginar Yun e Isís na porta acenando. E como se ela estivesse conversando com eles. A Guerreira da Luz disse: “Nunca vou esquecê-los. Nunca vou poder esquecer aqueles que me ajudaram tanto. Nunca vou esquecer aqueles que se sacrificaram por mim e pelos meus amigos.” E uma lágrima escorre pelo seu rosto.

 

. . .

 

            Após andarem pela Cidade Refúgio durante um breve tempo, eles conseguiram achar um local bem perto do muro e que era bem escondido. Era uma casa bem grande que havia sido abandonado há muito tempo. Quando havia perigo de invasão ela era utilizada como ponto de observasão pelos guardas. De lá se via o portão inteiro, e boa parte do muro.
A casa tinha cheiro de mofo. Dentro não havia nada. Suas paredes e o chão estavam, em boa parte de sua extensão, com rachaduras e buracos. O teto faltava telhas, e a maioria estavam quebradas. E onde que era para haver janelas se encontravam madeiras tampando a entrada de luz. Enquanto ainda era dia, eles conseguiam ter luz através das telhas que faltavam. Mas logo que a noite caiu um breu tenebroso se formou em toda casa. A única forma que eles encontraram de iluminação foi Gabriel manipular o fogo.
E lá eles ficaram. Sentados no chão. Respirando um ar de poeira misturado com mofo. Um ar de ansiedade misturado com medo. Poucas palavras foram ditas. Eles não podiam se arriscar a serem descobertos. Não a aquela altura. Eles estavam muito perto de conseguirem dar um passo importante na guerra. Talvez o mais importante de todos.
Depois de muito esperarem, a hora havia chegada. E palavras (finalmente palavras) saem de Gabriel.
- Escutem bem o que iremos fazer: agora que não temos mais a Tsuname, eu irei utilizar o Poder do Dragão. O resto do plano continua sendo o mesmo.
- Mas esse poder irá tirar bastante energia sua. – diz Amanda.
- Danilo irá me proteger. Ele irá à minha frente. A sua habilidade com as espadas será muito útil.
- Não. Eu não sei se sou capaz disso. Na luta contra Huang eu não consegui lhe acertar nenhum golpe.
- Você é capaz! – exclama Isla – Você é um Guerreiro destemido que não tem medo de enfrentar ninguém. Você provou isso ao matar Ana Cairo e ao enfrentar Huang. Eles poderiam ter matado você sem dificuldades, e mesmo sabendo disso não teve medo de enfrentá-los. Agora pare de falar besteiras e vamos à invasão.
Amanda olhou para Isla surpresa pelas coisas que ela havia dito. A Guerreira de Pedra deu uma piscadela para Amanda como se dissesse: “Fique tranquila. Vou dá um voto de confiança para ele.”.
- Ótimo! Vamos entrar na Cidade Principal e acabar com Smart! – exclama Gabriel.
- Vocês não vão passar pelo 2º Muro.
Uma voz que vinha de fora da casa. Uma voz feminina. Na porta estava um vulto. A voz era conhecida. Mas como ter certeza que a dona da voz era a mesma pessoa que eles imaginavam ser? A certeza se confirmou quando ela se aproximou do fogo. Era Daniela. A surpresa e o espanto tomaram conta do ambiente.
- Dani?! – todos.
- Como eu disse antes: vocês não irão entrar na Cidade Principal.
- Do que você está falando? – pergunta Amanda.
- Vocês não podem entrar sem mim!
Novamente o ar de poeira e mofo se transformou em um ar de surpresa.
- Então quer dizer que você virá conosco? O que lhe vez mudar de idéia? – pergunta Amanda.
- Depois que eu fugi eu fui entender as suas palavras e as de Gabriel. E percebi como estava errada. Eu presenciei cenas de covardia no trajeto do restaurante até a saída da cidade. Eu não posso deixar que esse tipo de coisa continue acontecendo. Voltei correndo para o restaurante. Ao chegar lá vi tudo destruído. Imaginei que vocês tinham sido capturados, ou algo pior. Resolvi vim para o 2º Muro. Eu ia passar por ele. Ou morreria tentando. Se vocês estivessem com Smart, eu iria salvá-los. Mas eu percebi essa casa. E imaginei que vocês estivessem aqui. E estava certa.
- Seja bem vinda de volta. – diz Gabriel – Antes de irmos quero dizer uma coisa. Eu farei de tudo para vocês passarem. Então se algo acontecer comigo vocês irão continuar sem mim. Vamos à invasão.
Antes que Amanda pudesse sair da casa, ela é puxada por Gabriel.
- Preciso te falar algo importante.
Amanda olha assustada para ele. O que poderia ser tão importante para ser dito ali? Naquele momento? Em um momento de concentração máxima? Mas era sim importante. Mais do que a Guerreira da Luz podia imaginar.
- No restaurante muito se foi falado para mim, e com certeza para você também, sobre a possibilidade de sermos irmão. E para mim essa é uma possibilidade certa. Você é a minha irmãzinha que foi separada de mim na guerra. Eu só não imaginava que ela iria se transformar na Guerreira da Luz.
- Em muitos aspectos eu posso dizer que eu também tenho a certeza de que você é o irmão que eu sempre procurei. E o fato da sua missão ser me proteger fica mais evidente ainda. Mas eu não posso dizer que é você. Eu não me lembro do meu irmão.
- Não é o que o seu coração sente. Não se preocupe há uma pessoa que ira confirmar isso para você. Smart. Apesar de eu achar que você deve confiar no seu coração.
- E eu confio.
- Então você sabe que eu sou seu irmão. Eu percebi isso quando lhe vi pela primeira vez no Vilarejo. Eu ia ficar calado. Ia esperar a guerra acabar para depois tocar neste assunto. Só que ele foi citado. E com uma força intensa.
- A minha vontade era de ir correndo para você, te abraçar e te dizer “eu te amo meu irmão.”.
- E porque não fazer?
Amanda abriu um largo sorriso e fez. Abraçou Gabriel e disse as palavras. Gabriel respondeu que também a amava. Um abraço apertado. Que matava a saudade. Um abraço fraterno e intenso. Apesar de ter durado poucos segundos, parecia que tinham durado horas. Parecia que eles haviam conseguido recuperar todos os abraços que não haviam sido dados em todos estes anos longe um do outro.
Eles teriam ficado mais tempo se não fosse por Isla que os apressou.
- Vamos logo!
A apreensão e ansiedade para passar pelo 2º Muro eram muito grandes.
- Gabriel, porque Smart é quem tem a resposta?
- Eu não tenho certeza disso. Mas ele estava presente na batalha em que nossos pais foram mortos, e nós fomos separados.
Amanda faz um sinal com a cabeça concordando com as palavras de Gabriel. Em seguida a conversa dos irmãos é interrompida pelo chamado de Daniela.
Era chegada à hora. O portão estava se abrindo.
Gabriel rapidamente manda Isla se posicionar para o ataque. Quando o grande
portão de ferro estava aberto pela metade Isla utiliza o Terremoto. O tremor do golpe faz com que grandes rachaduras apareçam por vários pontos do chão e do 2º Muro. Os vários soldados que se encontravam nos pontos de observações em cima do Muro desceram rapidamente com medo de que ele caísse.
Os guardas imediatamente tomaram a frente do portão em duas linhas de dez homens. Os vários outros restantes (já que aquele portão era o ponto de Hope mais importante, havia muitos guardas), começaram os avisos para que eles fossem embora. Mas os avisos foram totalmente ignorados. Eles não iriam embora. Eles estavam prontos para morrerem tentando entrar na Cidade Principal. O guarda responsável por todos os outros, mandou fechar o portão. Assim que ele começou a se mover, Isla e Gabriel fizeram sair várias pedras grandes e pesadas, impedindo o fechamento do portão.
- Ataquem! – grita o guarda responsável.
Os vários guardas começaram a avançar em direção a eles. Daniela rapidamente toma a frente de todos, e utiliza a Tsuname. O poder falha. O desespero começa a tomar conta dela.
- O que você está fazendo?! Utiliza logo o poder! – grita Isla.
O grito da amiga a deixa mais apavorada.
- Dani. – Gabriel bem perto dela – Esqueça tudo. Apenas se concentre em sua energia.
Ela fecha os olhos. Concentra-se ao máximo. Os guardas estavam perigosamente pertos. Ela grita:
- TSUNAME!
O poder funciona desta vez. Todos os guardas que avançavam são pegos pela quantidade absurda de água que saira das mãos de Daniela, e são lançados contra as fileiras que protegiam o portão. Alguns deles foram esmagados contra o Muro. Outros simplesmente pela força da água. Alguns morreram afogados. Outros sobreviveram, mas sem condições de se levantarem.
Este era o momento.
Eles correram para a Cidade Principal. Finalmente eles conseguiram. Finalmente eles estavam dentro. Mas o que fazer? Para onde ir? Essa era a pergunta que as meninas fizeram a Gabriel.
- Aqui está a resposta.
Um mapa.
Ela retira de seu bolso um mapa que dava acesso até o castelo de Smart. O objetivo deles. Era um caminho comprido. Mas não podia haver paradas. Teria que ser feito de uma só vez. Se em algum momento eles se dessem ao luxo de parar, seriam pegos pelos guardas.
Uma sirene começa a ecoar por toda a Hope.
- Não vamos mais perder tempo. – diz Gabriel.
O grupo começa a correr. A correr pela parte de Hope em que, segundo Smart, foi criada “para segurança daqueles que tem o privilegio de ficar longe dos problemas do resto do Mundo”. Na verdade ele queria era separar aqueles que têm energia daqueles que não tem. Como ele é um que não possuiu para a maioria, uma habilidade especial, mas não para ele; então os seus pensamentos era separar os “anormais” dos “normais”.
“Normais”?
“Anormais”?
Não era isso que a Cidade Principal demonstrava. Apesar de ser noite e a sirene está soando em toda a Hope, a Cidade Principal perecia morta. Não havia tempo de todas as pessoas terem saído das ruas. Se aquela é uma parte tranquila de se viver em Hope, então porque naquele horário não se havia “alma viva” na rua? Talvez não fosse tão tranquila assim.
Em compensação isso não tirava a beleza daquele local. Grandes prédios. Grandes casas. Ruas bem iluminadas.
Após algumas horas correndo sem parar, seguindo em direção ao Castelo e desviando sempre dos guardas, eles finalmente conseguem chegar ao objetivo.
O Castelo de Smart ficava no alto do morro. Havia um grande pátio antes do portão. Nele estavam muitos guardas. Havia sido feito um reforço na defesa do Castelo. Isso era uma coisa óbvia de acontecer. Tão óbvia que não havia sido pensada.
- E agora? – pergunta Clarice.
- Deixem comigo. O Poder do Dragão irá resolver.
Assim dito. Assim feito.
Os guardas não tiveram tempo de reação. Logo foram jogados contra a parede e caíram mortos ao chão. O poder também destruiu o portão.
Não havia mais o que pensar. Era entrar no Castelo e acabar com Smart. Todos correm preparados para combater mais soldados.
Danilo não deixa Amanda ir. Ele a puxa pelo braço e diz:
- Eu não sei o que vai acontecer lá dentro, então tome cuidado.
- Você também. – responde a Guerreira da Luz sorrindo.
Um beijo acontece.

. . .

 

            Ao entrarem, ao contrário do que pensavam, não havia guardas. Não havia ninguém. Somente uma escada ao fundo da grande sala. E lá em cima Smart. O velho tirano, de pele branca e sem cabelos no topo da cabeça, somente nas laterais; um corpo tomado pelo tempo, onde as rugas já lhe tomavam o rosto, e sua barriga dizia o quanto ele se tornara sedentário. Era aquele tirano. Aquele tirano que eles iam matar.

 

Morre o Velho Tirano

            - É uma honra ter o Guerreiro Dragão no meu humilde castelo.
Além de ser tirano era cínico. Um sorriso amarelo que lhe tomava toda a boca. Não havia honra nenhuma na presença de Gabriel naquele local. Não havia honra nenhuma da presença de nenhum deles.
- Smart, eu vim aqui lhe matar, pois esse é o meu destino. Então preparasse para morrer.
O sorriso se torna uma gargalhada.
- Não seja boba menininha. Você não irá me matar. Não antes de conseguir vencê-la.
Por detrás de Smart aparece a Guerreira das Trevas. Uma jovem menina de mesma idade de Amanda. Pequena, de cabelos compridos ondulados e olhos castanhos claros. Sua pele era branca.
- Marina?! – diz Amanda.
- Vou deixar vocês conversarem. – diz Smart
O velho tirano chama vários guardas com um estalar de dedo. Em pouco segundos todos eles estavam cercados.
- Divirtam-se. Eu tenho muitas coisas a fazer.
- Você não irá fugir.
Gabriel utilizando a Garra do Dragão abre caminho por entre os guardas e avança escada acima.
- Gabriel! Espere! – grita Amanda, que se aproveita do caminho aberto por Gabriel e vai atrás dele.
No meio da escada Marina entra na frente de Gabriel impedindo a sua passagem
- Você não irá seguir mais adiante.
Gabriel vendo que Smart estava indo embora utiliza seus pés para manipular o chão do castelo, que era todo em pedra, e faz uma barreira impedindo a fuga de Smart.
- Você quer mesmo morrer. Espadas das Trevas.
Das mãos de Marina aparecem duas espadas negras. Elas eram iguais as de Amanda, sem ser pela cor.
- Era para você está ao nosso lado. A morte de Smart não está destinada somente a Amanda. Você também faz parte dela. Assim como faz parte do meu destino protegê-la também.
- Você não veio na época que deveria. Eu lhe esperei, mas você não apareceu. Nós temos como mudar os nossos destinos. Eu mudei o meu. Agora preparasse para lutar.
- Não irei lutar contra você.
- Então morra.
Marina utiliza as suas espadas para desferir golpes em Gabriel. Este simplesmente desvia de todos eles. Em seguida chega Amanda, já com as Espadas de Luz em mãos.
- Marina você não deixou de ser a minha amiga. Mas se for necessário lutar contra você, então eu lutarei.
A Guerreira das Trevas não respondeu apenas girou sua espada em direção à amiga. E ali começou um duelo de espadas. Um duelo entra as Trevas e a Luz. Um duelo entra duas amigas.

. . .

            Gabriel queria fazer algo a respeito daquela briga. Mas não podia. Ele deveria era pegar Smart. Ao se deslocar em direção a ele, o bloqueio de pedra se desfez. Gabriel só pode olhar espantado com aquilo. Em seguida o que se desfez foi o chão sobre seus pés. Ele caiu no chão duro e gelado da grande sala.
Ao se levantar Daniela, Isla e Clarice estavam ao seu lado. Danilo havia ficado enfrentando os guardas, que para ele não estava apresentando nenhuma dificuldade. Tava como matar um enxame de insetos não venenosos.
- O que aconteceu? – pergunta Isla.
- Fui eu que fiz isso. Meu nome é Thaíssa. Sou a Guerreira de Pedra Negra. Eu vim aqui para matá-la.
Antes que pudessem fazer qualquer movimento todos os quatro são atingidos por uma grande quantidade de água e arremessados contra a parede. Sem poder se recuperarem direito a dona do poder se apresenta.
- Meu nome é Maíra. Sou a Guerreira de Água Negra.
Ao conseguirem levantar eles são atingidos por uma grande rajada de vento, e vão novamente ao chão.
- Meu nome é Clara. Sou a Guerreira de Vento Negro.
Apresentações feitas. Gabriel e as meninas conseguiram levantar.
- Suponho que quem comanda vocês é a Guerreira dos Quatro Elementos Negros.
- Você continua o mesmo em Gabriel.
Aparece uma jovem de pele branca, cabelos longos pretos e olhos pretos.
- Eu sempre suspeitei de você Rubia. Não fazia sentido Smart querer o poder das Trevas e da Luz. Mas para você seria tudo. Você se tornaria invencível.
- Exatamente. E você está estragando o meu plano. Meninas podem matar essas três. O Guerreiro Dragão é meu.
Começa uma batalha das Guerreiras contra as Guerreiras das Trevas.

 

. . .

 

            Danilo consegue acabar com todos os guardas. Ao chegar à porta viu que muitos outros vinham em direção ao castelo. Parecia que todos os guardas de Hope vinham para a batalha. Danilo olhou em volta procurando Gabriel ou alguma das meninas. Todas batalhavam naquele momento. Não tinha outro jeito ele teria que cuidar de todos aqueles guardas sozinho.
Sem poder acreditar nisso ele olhou novamente para todos. Ao passar o olho na luta de Amanda e Marina, ao fundo Smart estava tentando fugir. Ele ia passar pelas duas que estavam ocupadas demais para perceberem a presença do tirano.
- Você não vai a lugar algum.
Danilo rapidamente corre para a escada. Quando Smart chega ao pé da escada. Danilo estava lá. Com suas espadas apontadas para ele.
- È melhor você não se mexer.
- Meu jovem. Olhe em volta. Todos estão lutando. Todos os guardas de Hope estão vindo para cá. Você terá que me deixar ir se não quiser morrer.
- É um risco que vou correr.
Ao perceber que os guardas entraram no castelo, Danilo girou em volta de Smart e posicionou-se atrás do Tirano. E suas espadas cruzaram o seu pescoço. Os guardas rapidamente pararam. Não podiam atacar e por a vida daquele que eles servem em perigo.
- Parem todos! – grita Danilo.
Um grito que fez as batalhas pararem.
Ele veio subindo de costas as escadas. Passou por Amanda e Marina, e chegou ao topo.
- Essas batalhas irão parar agora.
Rúbia do andar debaixo reúne suas Guerreiras e diz:
- Ele é irrelevante nessa guerra. Ele sempre foi um boneco para mim. Sempre fui eu que comandei Hope.
Em seguida Clara faz com que o vento se transforme em uma afiada lâmina e a atira em direção a Smart e Danilo. O jovem ao perceber o perigo, solta Smart e o vento-lâmina atinge a garganta do velho tirano o matando.
- Que pena. Morreu sem saber que foi usado. – diz Rubia. 
Todos se surpreenderam com as palavras de Rubia e a ação de Clara. Inclusive Marina.
- Ela mentiu para mim. Ela me disse que Smart iria utilizar os nossos poderes para a união de Hope. E eu acreditei. Como sou burra. – diz Marina a si mesma.
- Me desculpe Marina. Às vezes é necessário sacrifícios. – diz Rúbia, com tamanha indiferença.
Marina ficara parada. Atônica. Ela não conseguia acreditar na burrice que ela cometera. “Como pude ser tão facilmente iludida? Eu sou a Guerreira das Trevas. Tenho um dos poderes que criou o Universo, e ainda consegui ser enganada.” – pensou.
- Você não cansa de usar os outros. Desde sempre você fez isso. – diz Gabriel – Isso vai acabar agora.
- Antes de você se matar é bom que saiba que o seu Mestre foi morto por mim. E foi bom você ter achado sua irmã antes de sua morte. É uma pena que o reencontro durou pouco tempo.
Gabriel não pode resistir à fúria de seu corpo, e avançou em Rubia. Um duelo de titãs iniciara.
- Meninas, nós iremos matar essas meninas ao morreremos tentando. – diz Daniela.      
Inicia-se um outro duelo.

 

. . .

 

            No andar de cima Danilo tenta entender o que aconteceu. Após ver o corpo de Smart no chão ele começou a pensar que tudo havia sido em vão, pois não tinha sido a Guerreira da Luz que o havia matado. Ele se aproximara de Amanda.
- Smart está morto. E agora? Você não conseguiu cumprir o seu destino.
- O meu destino é matar aquele que controla Hope. Ou melhor, é o nosso destino.
Amanda olha para Marina, que a esta altura já estava ajoelhada no chão. A Guerreira das Trevas olha para Amanda. E em seguida abaixa novamente a cabeça.
- Eu não posso. Não sou digna de compartilhar tal tarefa com você.
- Porque você errou? Todos nós erramos na vida. O importante é perceber o erro e tomar atitudes para compensar o erro cometido e evitar que eles aconteçam. Se for do meu perdão que você precisa, você já o tem.
Marina levanta-se do chão, de cabeça baixa. Sem coragem de olhar para sua amiga ela diz:
- Vá em frente e acabe comigo. Eu cometi crueldades contra o povo de Hope.
Amanda levanta a cabeça de Marina e olha bem no fundo de seus olhos:
- Nina, se você quer se redimir, cumpra o seu destino ao meu lado.  
A Guerreira das Trevas sucumbiu às lágrimas. Um forte abraço veio em seguida. Não muito demorado. Ele fora interrompido por Danilo.
- Meninas o reencontro de vocês é lindo. Mas eu não vou dá conta de todos esses guardas.
Amanda e Marina olham para a escada e uma correnteza de guardas vinha subindo. A Guerreira da Luz vira-se para Danilo
- Eu vou para a batalha de minha vida, então se eu não...
Danilo põe o seu dedo nos lábios de Amanda.
- Não diz nada. Só tome cuidado. Eu vou te esperar no final.
Um beijo acontece.
Depois Amanda vira-se para Marina:
- Nina pronta para libertar Hope?
- Pronta para cumprir o nosso destino?
As duas se entreolham e concordam com gestos simultâneos de suas cabeças.

A batalha final estava prestes a começar.   

 

A Última Batalha

 

Duas batalhas aconteciam. Uma era uma batalha de titãs: Gabriel contra Rubia. O Guerreiro Dragão contra a Guerreira dos Quatro Elementos Negros.
A outra batalha era entre as Guerreiras e as Guerreiras Negras (as de Gabriel  contra as de Rubia).
Agora uma terceira e quarta iam começar. Danilo contrariando a lógica e arriscando sua vida desceu as escadas em direção aos vários soldados que haviam entrado no castelo.
- Amanda, se eu não voltar dessa luta saiba que desde a primeira vez que eu te vi eu soube que você era a pessoa que eu sempre esperei para conhecer. Eu te amo!
Antes que Amanda pudesse falar qualquer coisa, Danilo desceu as escadas correndo, com suas espadas em punho. Os guardas correram em sua direção, e assim se iniciou a terceira batalha. Danilo com suas duas espadas e muita coragem contra os vários guardas de Smart, ou melhor, dizendo, de Rubia.
A Quarta batalha também iria começar naquele exato momento.
- Pelo que vejo você conquistou um coração. – diz Marina.
- Nina, nós temos que cumprir com nosso destino. Vamos à batalha.
Escuta-se uma explosão. Ao olharem para baixo viram Gabriel agachado tentando recuperar o fôlego.
- O que foi Guerreiro Dragão? Já cansou? Mas eu só comecei a brincar agora!
Rubia percebe que alguém se aproximava dela. Sem se virar para trás ela diz:
- Isso é muito feio Guerreira da Luz. Atacar os outros pelas costas é covardia.
- E quem disse que eu quero te atacar?
E de cima veio um poder da Guerreira das Trevas. Rubia conseguiu perceber a tempo e desviou-se.
- Patético. Marina eu te dei uma oportunidade de se livrar desses poderes. Você iria viver com tudo do bom e do melhor em meu Reino. Pelo que vejo prefere ficar ao lado desses fracos. Então você também irá morrer.
Rubia utiliza o vento para atacar os três. Cada um foi lançado para um canto do castelo.
- Fracos.

 

. . .

 

            - Mas que droga! Elas são muito fortes! – diz Clarice.
Ela falava a respeito das Guerreiras das Trevas. Muitos socos, chutes e poderes foram trocados, mas as únicas prejudicadas foram as Guerreiras. Elas estavam começando a ficar sem idéias de como derrotá-las.
- Clarice você terá que utilizar a Chuva de Pétalas. – diz Daniela.
As meninas concordaram com o plano da Guerreira d’Água. Ela e Isla utilizam ao mesmo tempo a Tsuname e o Terremoto para distrair as Guerreiras das Trevas.
Funcionara. As Guerreiras das Trevas desviaram-se dos dois poderes e caíram no de Clarice. Rapidamente as várias pétalas grudaram em seus corpos. Depois de alguns segundos todas as três se transformaram em rosas negras.
- Ótimo! Vamos ajudar Danilo.
Antes que pudessem dar algum passo, as Guerreiras escutam:
- Patético.
As três viram-se e vêem as Guerreiras das Trevas em pé, sem nenhum arranhão. A energia delas estavam no topo. O medo tomou conta.

 

. . .

 

            Amanda se recupera do golpe de Rubia e, com o auxilio das Espadas de Luz, desfere vários golpes na Guerreira dos Quatro Elementos Negros.
Marina também se recupera e vai para perto de Gabriel, que ainda não tinha conseguido se recuperar totalmente.
- Gabriel, você está bem?
- Claro. Vamos ajudar a minha irmã.
Mas não estava claro. Gabriel não estava bem. Ele já havia gastado bastante energia nesta batalha. Marina percebeu isso e tentou impedi-lo de voltar a luta. De nada adiantou. Ele não escutara a Guerreira das Trevas. Ela sem poder fazer muita coisa pediu o auxílio das Espadas das Trevas e entrou novamente na batalha.

 

. . .

 

            Depois de muito sangue derramado, com um braço e uma perna cortados, tendo sangue de outros com o seu misturado por todo o seu corpo e sem uma de suas espadas, que havia se quebrado na batalha; Danilo conseguiu matar a maioria dos guardas. Ainda haviam alguns. Deviam ser uns 20 a 30.
- O que foi?! Venham! Tentem me matar! – grita Danilo.
O seu corpo ensangüentado, a sua determinação em não morrer, a sua coragem de enfrentá-los mesmo em sua condição, metia medo nos guardas. Eles não podiam continuar com aquela briga. Eles não podiam lutar contra aquele jovem. Por mais que eles tinham jurado lealdade a Rubia, eles não podiam lutar contra alguém naquele estado. Ainda havia honra em seus corações.
- Nós não iremos mais lutar. Você ganhou esta luta. Nós nos rendemos.
Todos eles jogam suas armas no chão. E em seguida dão as costas para a última batalha e se retiram do Castelo. Cada um deles volta para sua casa. Para sua família. No percurso eles percebem o mal que Rúbia, através de Smart implantou em Hope. Agora a missão deles como guardas e com o exemplo de determinação de Danilo, era espalhar a todos o que estava acontecendo. Quem realmente estava certo e quem estava errado na guerra.
Porém dois deles ficaram. Aproximaram-se do jovem que se mantinha em pé apoiando-se em sua espada.
- Eu ainda sou capaz de machucar vocês. Afastem-se! – diz Danilo.
- Nós estamos aqui para te ajudar. Eu me chamo Chang e este é Taky. Não se preocupe jovem. Nós vamos ficar aqui até o final da batalha e conseqüentemente da guerra.
Os dois guardas encostaram Danilo em uma das grandes pilastras que havia na sala de frente para a batalha. Em seguida pegaram suas armas e se posicionaram a frente do jovem.
- Caso alguém venha a tentar lhe machucar, nós iremos dar as nossas vidas para protegê-lo. Assim como você fez para proteger aqueles que vieram acabar com o mal destas terras.
Ali ficaram. Os dois guardas que juraram lealdade a um jovem que lhes ensinara uma lição de vida. Lute com toda a sua força por aquilo ou por alguém que você ame.

 

. . .

 

            Clarice é jogada contra uma das pilastras. Rapidamente Daniela e Isla verificam se ela está bem. Clarice confirma que sim.
- Tem que haver um jeito de destruí-las. Se continuar desse jeito nós iremos morrer. Eu estou quase sem energia. – diz Isla.
- Elas conseguiram resistir muito bem aos nossos poderes. Elas quase não se feriram. Em compensação nós estamos acabadas.
- Há uma forma. – diz Clarice – Mas se não der certo, eu estarei fora desta batalha. Eu utilizarei toda a minha energia neste poder. Isla abra um buraco no teto.
Isla não entendera direito o porquê do buraco, mas atendeu ao pedido de Clarice. Assim que um pedaço do teto sumiu, raios do sol caíram diretamente sobre o corpo de Clarice. Ela ficou parada ali durante alguns segundos. De olhos fechados.
- O que ela está fazendo? – pergunta Clara.
- Não interessa. Meninas: ataquem! – grita Thaíssa.
As Guerreiras Negras responderam ao comando de Thaíssa imediatamente, e avançaram em direção as meninas. Daniela e Isla tomaram a frente de Clarice.
- Saiam meninas. Já está pronto.
As duas rapidamente saíram da frente da Guerreira de Planta.
- RAIO SOLAR! – grita Clarice.
Os raios de sol que lhe iluminavam são desviados na direção das Guerreiras Negras. O poder atingiu Maíra e Clara com toda a sua potência as jogando contra uma das pilastras, que não resistiu ao impacto e se quebrou. Mas as duas Guerreiras resistiram.    
- Parabéns. Você conseguiu ferir bastante as duas. Mas agora está sem energia. Somos três contra duas, ou melhor, uma. Vocês duas estão em um estado que valem por uma só.
Thaíssa achou aquilo engraçado. Ela começara a rir, enquanto as outras meninas se juntavam a ela, com vários ferimentos pelo corpo. A Guerreira de Pedra Negra se distraíra tanto com suas gargalhadas que nem percebera que os poderes de Daniela e Isla se aproximaram rapidamente dela. Ela foi atingida direto. Agora as meninas conseguiram ferir mais um pouco o inimigo.
- Meninas é o seguinte. Eu não tenho mais energia, mas continuarei lutando. Se for para morrer prefiro morrer lutando pela coisa certa a me acovardar diante o inimigo. – diz Isla.
- Então você acha que é capaz de nos derrotar? Está na hora de vocês morrerem.
As três Guerreiras Negras lançaram ao mesmo tempo os seus poderes. Isla e Daniela utilizam os seus poderes. Eles se colidem. Uma grande explosão. Após a fumaça dispersar todas as seis estavam no chão.
A primeira a se levantar fora Isla. Ela caminhou até as Guerreiras Negras e verificou que elas haviam morrido. Finalmente. Mais uma batalha havia acabado. A guerra estava muito próxima de acabar. Faltava agora eliminar Rúbia.
- Meninas levantem-se. As Guerreiras Negras estão mortas. – diz Isla.
Elas se levantam. Machucadas e sem energia, mas orgulhosas por terem contribuído com mais um passo para o final da guerra.
- Meninas! – grita Danilo.
Em sua voz se sentia a dor que ele sentia devido aos seus ferimentos.
As meninas se aproximam dele. Desconfiadas devido à presença de Chang e Taky.
- Quem são eles Danilo? – pergunta Isla.
- Quem irá nos proteger já que não temos condições de lutar.
As meninas sentiram confiança nas palavras de Danilo. Elas se acomodaram por ali. Apesar da vontade delas ser de irem lutar. Irem ajudar a acabar com Rúbia. Mas a razão conseguiu falar mais alto do que a emoção. E ali elas ficaram a assistir a batalha de titãs. Impotentes. Batalha essa a qual Rúbia vinha tendo muita vantagem. Amanda, Marina e Gabriel estavam tendo muita dificuldade para vencê-la. Até para acertar um simples golpe.
E isso só podia resultar em uma coisa: chão. A todo o momento um deles ia ao chão. Rapidamente se levantavam e retornavam a luta, para irem ao chão novamente. Em um momento Marina e Amanda caíram perto das meninas e de Danilo.
- Meninas nós podemos fazer alguma coisa para ajudar? – pergunta Daniela.
- Se vocês tivessem energia sim, mas esse não é o caso. Acho melhor vocês ficarem por aqui. – diz Marina.
- A Nina tem razão.
Em seguida chega Gabriel. E atrás dele um poder de Rúbia.
- Droga! Protejam-se! PODER DO DRAGÃO!
Os dois poderes se colidiram. A explosão fora tão grande que boa parte de Hope sentiu e escutou.
De um lado estava as Guerreiras, Danilo e os guardas, do outro estava Rúbia. Em pé. Parecia que ela não havia sido afetada pela explosão. No meio estava Gabriel. Também estava em pé. Mas com muitos machucados e quase sem energia.
- Desista. Você não é capaz de continuar esta luta. – diz Rúbia.
- Isso é o que você pensa.
Um duelo de chutes e socos se reinicia.
Do outro lado Amanda e Marina se recuperam do choque da explosão e ajudam aos outros. Após todos estarem novamente acomodados elas voltam a sua atenção para a briga de Gabriel e Rúbia. E, para não perder o costume Gabriel vai ao chão. Em seguida Rúbia pára perto dele.
- Acabou.
Gabriel utiliza o vento para afastá-la dele.
- Não! Eu vou deixar você fraca o suficiente para a Luz e as Trevas te matar. Esse é o destino delas não o meu. Se prepare. RAIO DOS QUATRO ELEMENTOS!
Uma poderosa rajada de fogo envolta por duas correntes, uma de ar e outra de água; e anéis de pedra circundando todos os outros três. Fora isso que saira das mãos de Gabriel. Fora isso que atingira Rúbia.
Gabriel depois desabou no chão. Amanda corre em sua direção, seguida por Marina. Ela se ajoelha ao seu lado e põem a cabeça de seu irmão em seu colo.
- Você está bem?
- Só estou sem energia. Não se preocupe. Vou ficar legal.
Rúbia tinha outros planos. Ela apareceu como que do nada e acertou golpes em Marina e em Amanda.
- Você me machucou muito! Jamais ninguém fez isso comigo. Não vou admitir que você viva!
Ela não iria ter piedade de Gabriel. E não teve. Utilizou o poder mais forte no Guerreiro Dragão a queima roupa. Ele foi jogado contra uma pilastra e depois caiu no chão que nem uma pedra.
Amanda corre novamente até ele. Marina também vai. Ao chegar Amanda põem novamente a cabeça do irmão em seu colo.
- Você vai ficar bem. Deixe agora eu cumprir com meu destino.
- Eu já cumpri com o meu. Agora eu vou dormir um pouco.
- Não! Você vai ficar bem. Eu e a Nina vamos acabar com a Rúbia e depois vamos achar alguém para te curar. – neste momento as lágrimas já desciam.
Gabriel põem sua mão no rosto de Amanda e enxuga uma de suas lágrimas.
- Você é forte. Sabe cuidar de si, e se tornará uma excelente governanta para Hope.
- Eu não quero! Não sem você. Eu acabei de te encontrar. Não quero me separar de você.
- Adeus Mandinha. Eu te amo e me orgulho de ser seu irmão. – o silêncio tomou conta do castelo.
Gabriel fecha os seus olhos. Em seguida uma única e solitária lágrima escorre pelo seu rosto. Não se sabe se era de tristeza por está deixando esse mundo, ou se era de alegria por ter conseguido encontrar a sua irmã e saber que ela está e vai ficar bem.
Já o rosto de Amanda estava todo tomado pelas lágrimas. Ela abaixou sua cabeça sobre o corpo de Gabriel e deixou que todas as lágrimas descessem. As outras meninas também choravam a morte do Guerreiro Dragão. Até o jovem Danilo, que queria ser forte e não chorar, não resistiu e deixou escapar algumas lágrimas.
Marina se aproximou de Amanda e pôs uma de suas mãos em seu ombro.
- Não há mais o que fazer amiga. – as lágrimas também estavam evidentes no rosto dela, apesar de conhecer Gabriel há pouco tempo.
- Há sim. – o choro cessara – Acabar com aquela que matou o meu irmão!
Amanda põem o corpo de Gabriel suavemente no chão, lhe dá um beijo no rosto e levanta-se.
- Desculpa Guerreira da Luz. Acho que exagerei na quantidade de poder. – risos.
Amanda não podia aceitar aquilo. Ela já havia matado o seu irmão, e ainda por cima a provocava?! Era demais para ela. Uma de suas virtudes era a paciência. Mas naquele momento ela se esquecera dessa e de todas as outras. Ela liberou toda a sua energia. Agora o silêncio não era mais de tristeza, era de espanto pela quantidade de energia.
- Não vou admitir que você viva. Não vou admitir que a pessoa que matou muitos inocentes, viva. Não vou admitir que a pessoa que machucou os meus amigos, viva. Não vou admitir que a pessoa que matou o meu irmão, viva.
- Estou esperando. O que você tem para mim?
Logo o ar cínico de Rúbia desaparece ao perceber e ver a grande quantidade de energia que Amanda acumulava.
- Você irá pagar por todas as atrocidades que cometeu. RAIO DE LUZ!
Rúbia conseguiu rapidamente usar o seu poder mais forte para parar o poder de Amanda. Eles se equilibraram, e pararam. Não havia vantagem para nenhum lado. Mas matar Rúbia não era só o destino de Amanda. Marina também fazia parte dele. Ela também expulsou toda a sua energia.
- Você não está sozinha. RAIO DAS TREVAS!
Agora Rúbia não tinha como defender-se. A Luz e as Trevas se misturaram em um único poder e a atingira. Ela fora ao chão. Amanda se aproximou dela.
- Você não pode me derrotar. – diz a Guerreira dos Quatro Elementos Negros.
- Acabou Rúbia. Eu cumpri com o meu destino assim como meu irmão. Eu derrotei você. A princípio eu não iria te matar, mas você não me deu outra escolha. Espero que você consiga se arrepender de seus crimes no Inferno.
Amanda dá as costas para Rúbia, que em seguida para de respirar e morre.
A Guerreira da Luz anda até os seus amigos.
- Você está legal Amanda? – pergunta Danilo.
Ela não diz nada. Passa por todos os seus amigos e senta ao lado do corpo de seu irmão. Ali ela fica por várias horas. Enquanto os primeiros raios de sol entravam no Castelo e a iluminava. E seus amigos só puderam a observar. A observar a Guerreira da Luz. A observar aquela que havia sofrido muito e agora iria finalmente poder descansar das lutas.

A Nova Hope

A calmaria podia ser sentida. Ela se misturava com a tristeza da perca do Guerreiro Dragão. Mas o que fazer agora? Eles não sabiam. Ficaram ali parados na grande sala do Castelo, que estava bem destruída devido à Última Batalha. Ficaram a pensar sobre o que iria acontecer com o povo de Hope. Falando deles, eles ainda não sabiam que a guerra havia acabado.
Algum tempo depois do fim da guerra formou-se um grande murmurinho do lado de fora do Castelo. Isso chamou a atenção de todos. Ainda preocupados com a segurança das meninas e de Danilo, Chang e Taky foram verificar. Ao chegarem ao portão toda a população de Hope estava lá. Crianças e adolescentes. Adultos e velhos. Homens e mulheres. Eles se misturavam. Cidadãos da Cidade Refúgio e da Cidade Principal se misturavam como se fossem uma única grande Cidade. Um Estado onde não há diferenças entre seus habitantes. Todos unidos para poderem saudar aquela que livrou a Cidade de tempos de tensões. Onde não se podia se sair de casa sem ter medo. Toda a população havia ido saudar a Guerreira da Luz e das Trevas.
Chang e Taky retornaram dando as noticias.
- E então vamos até lá? – pergunta Daniela.
- Nós precisamos. Temos que dá uma satisfação a este povo. Seria o que o meu irmão varia. – diz Amanda que havia saído de perto do corpo de seu irmão.
- Chang. Taky. Peguem o meu irmão e o coloquem em um local limpo e confortável. Ele merece descansar em paz.
Taky imediatamente realizou o pedido de Amanda, e logo o corpo de Gabriel estava no melhor local possível do Castelo.
Chang ajudou Danilo levantar-se e a andar até o portão. O mesmo fez Daniela com Clarice. As primeiras a chegarem foram Amanda e Marina. Atrás das duas ficaram as outras Guerreiras e Danilo apoiado por Chang. Estavam todos ali. Feridos. Sem energia. Cansados. Mas felizes por toda a guerra ter acabado. E surpresos ao ver todo o povo de Hope ali parados, sem falar nada. Podia-se até escutar a respiração deles. Estavam ali aguardando as palavras de Amanda. Afinal, tinha sido espalhado por toda Hope que ela e a Guerreira das Trevas tinham acabado com todo o mal que havia sido implantado em Hope.
Tanto Amanda como Marina não sabiam o que falar. Não sabiam o que fazer. Estavam ali paralisadas. Danilo se aproximou de Amanda e lhe disse ao ouvido:
- Você consegue Amanda. Pense no que seu irmão diria. Depois deixe que as palavras simplesmente saiam.
Amanda sorriu para Danilo.
Ela respirou fundo e começou a falar:
- Povo de Hope. – o medo estava em sua voz – Eu sou a Guerreira da Luz. Chamo-me Amanda. – uma pausa para respirar e pensar – Esta ao meu lado é a Guerreira das Trevas. O seu nome é Marina. Nós duas derrotamos a pessoa que espalhava o mal em nossa Cidade. Para aqueles que pensam que era Smart, estão enganados. Havia alguém que estava usando-o como uma marionete para os seus planos sinistros. A maioria de você já devem ter escutado sobre o Guerreiro Dragão. Ele era o meu irmão – suspiro de tristeza - ele deu a sua vida para proteger a mim, a Marina, a essas Guerreiras que estão atrás de mim e a vocês. Foi graças a ele que chegamos até aqui. Com sua sabedoria e determinação. – lágrimas - Nesta viajem eu encontrei alguém muito especial para mim. Este jovem Guerreiro se chama Danilo. Mesmo sem possuir energia ele combateu a muitos e contribuiu para nossa vitória. Agora vocês, povo de Hope são livres. Vocês poderão tomar seus próprios destinos.
Amanda ficou a olhar o povo esperando que eles tivessem alguma reação. Que eles voltassem para suas casas e seguissem suas vidas. Mas não. Eles continuaram ali parados. Estáticos.
-E quem irá governar Hope? – uma voz no meio da multidão.
Amanda não soube responder. O povo queria que fosse ela. Começaram a gritar o seu nome. A Guerreira da Luz olhou para seus amigos. Todos eles deram seus votos de confiança para ela.
- Eu governarei Hope. Mas não haverá “punho de ferro” em meu governo. Todos terão direitos iguais. Não será implantado o terror. Será implantada a paz. Serão tempos felizes. Hope se tornará uma só. Este 2º Muro irá cair. Todos terão o direito de ir e vir onde, como e quando quiserem.
O povo de Hope vibrou em alegria. Ali eles ficaram a comemorar durante algum tempo. A festa se estabeleceu em toda a Cidade até o cair da noite. Pela primeira fez o povo pode comemorar sem medo de serem impedidos.
Mas esta festa se restringiu ao povo. As Guerreiras e Danilo se restringiram ao Castelo e aos cuidados de seus ferimentos. Ficaram só a escutar a felicidade do povo.
- Vocês conseguiram. Vocês libertaram Hope. – diz Isla.
- Nós. Nós libertamos Hope. – diz Marina.
- Acho que você gostaria que seu irmão pudesse estar compartilhando desta felicidade também. – diz Daniela.
- Mas ele está. – diz Amanda – No final ele estava sorrindo então ele estava feliz por ter conseguido me proteger até o fim. Naquele momento ele já havia cumprido com o destino dele. Ele sabia que eu não corria mais perigo. Se em algum momento ele visse que eu ainda corria perigo, ele iria combater a Morte. Foi um grande homem. E um irmão melhor ainda.

. . .

 

            Passado alguns dias o 2º Muro foi derrubado por Isla. Uma nova e grande festa estabeleceu em Hope. Agora ela era uma única e unida Hope.
- Você fez uma grande feito. – diz Danilo – Mas porque não sorri?
- Eu estou feliz Danilo. Mas eu ainda sinto falta do meu irmão. Acho que nunca superarei este sentimento.
Danilo abraçou fortemente Amanda e lhe disse:
- E não precisa.

 

. . .

 

            Passou-se mais alguns dias. Tudo estava normal. A paz predominava com toda sua força em Hope. O povo estava feliz. Guardas rondavam a Cidade para manter essa paz e não para impor medo. No castelo as Guerreiras haviam se tornado, além de grandes amigas, as principais protetoras de Amanda e Marina. Chang e Taky tornaram-se chefes dos guardas. Marina quase não parava no Castelo. Sempre andava pela Cidade atrás de coisas a fazer. A única que passava o tempo todo no Castelo era Amanda. Sempre a perguntavam se queria sair. Dar um passeio. Ela recusava sempre com o mesmo pretexto:
- Não estou muito a fim de passear.
Aquilo preocupava. Danilo fora conversar com ela várias vezes, mas em nenhuma obteve resultado.
Certa manhã ela reuniu Danilo e as Guerreiras. Ela parecia muito triste.
- Meninas. Danilo. Eu preciso falar algo muito sério. Como vocês sabem e o povo de Hope sabe a Marina também é responsável por governar esta utopia. Então eu vou deixar tudo nas mãos da Guerreira das Trevas. Eu vou fazer uma longa viajem.
Aquela decisão surpreendeu a todos. Como assim viajem? Hope vivia em paz? Vivia. Mas para que viajar? Porque viajar? Estas foram as perguntas feitas por todos.
- Eu preciso. Este local não me faz bem. Eu fico parada sem ter o que fazer o dia inteiro, todos os dias. Eu quero conhecer outras partes do Mundo. E se houver outro lugar em que eu também possa se útil como eu fui aqui?
- O seu destino era libertar Hope. Você fez. Não há mais o que fazer. – diz Isla.
- O meu irmão não tinha mais o que fazer. Por isso ele morreu. Por cumprir o seu destino e o seu papel ao nosso lado. Se eu não morri, então eu não cumpri por completo o meu destino. Eu estou indo atrás dele. Mas eu voltarei. Não se preocupem eu voltarei.
Amanda se retira da conversa e vai até o seu quarto. Ela arruma suas coisas e toma o caminho até a saída de Hope. Era uma caminhada breve. Em alguns minutos ela chegou à saída. Andou por todo o terreno onde era o Vilarejo, que ela acabou com ele, e deu moradia a todos que viviam ali; até chegar à entrada da Floresta Castell.
Ela deu uma ultima olhada para toda Hope. “Obrigado por tudo gente. Em minha viajem sempre os terei em meu coração.” – pensou.
Antes que entrasse na Floresta ela escutou alguém gritando o seu nome. Era Danilo. Ele vinha correndo com suas espadas em mãos e uma mochila nas costas.
- O que faz aqui?
- Eu vou com você. Não posso deixá-la seguir viajem sem alguém para protegê-la. E eu tenho certeza que o seu irmão quer que eu a proteja.
Amanda riu. Em seguida disse:
- Prefiro que você fique e proteja as minha amigas. Eu não posso perder outra pessoa especial em minha vida.
Danilo mesmo contra sua vontade atendeu ao pedido de Amanda. Um forte abraço seguido de um beijo. Aquilo marcou a despedida dos dois. Mas não era para sempre. Era temporária. Danilo tinha certeza que ela iria voltar. A única coisa que lhe restou a fazer era assistir Amanda sumir Floresta adentro.
Amanda agora caminha para encontrar o seu destino, assim como o seu irmão fez há vários anos atrás. E mesmo ela estando sozinha, tinha lugares guardados em seu coração para suas amigas, para Danilo e principalmente e especialmente para seu irmão. Aquele que nunca será esquecido e jamais substituído.

 

 

 

F I M