Hope. The New War

PREFÁCIO

Hope, The New War; é a continuação de Hope. As personagens são as mesmas da primeira história. Porém dessa vez entra em cena uma nova cidade: New Life. Ela (assim como Hope era) é dominada por um tirano. O desafio das Guerreiras de Hope agora, é derrotar este tirano que pretende dominar a cidade modelo para o mundo.

Mas como fazer isso sem a ajuda de Amanda e de Gabriel? Realmente será um grande desafio. Mas será mesmo que elas lutarão sozinhas?

Muitas surpresas aguardam os leitores desta incrível história, cheia de ação, suspense e romance.

Enfim em Casa

            Havia se passado um ano desde que a tirania de Smart acabara. Um ano que Rúbia havia sido derrotada. Agora Hope vive tempos de paz e tranquilidade.
Tranquilidade essa que era mantida pelos guardas. E estes eram comandados por um homem, ou melhor, um jovem: Danilo. Um jovem que tinha a inteligência e a coragem para comandar um exército.  O mesmo jovem que somente com uma espada confrontou Rúbia e suas Guerreiras Negras, que lutou contra todo um exército, que, mesmo sem condições, prosseguiu na batalha sem pensar em recuar nenhum momento. Toda essa coragem espalhou-se pelo mundo e seu nome passou a ser conhecido. Ele conseguiu inspirar muitos a lutarem pela liberdade de suas cidades.
Toda coragem provém de algum lugar. No caso de Danilo, não era de um local e sim de uma pessoa. Ele já tinha uma coragem natural elevada, mas ao conhecer Amanda essa coragem se elevou ao máximo, e ele enfrentaria qualquer inimigo que o desafiasse; como assim foi.
Não muito diferente do jovem corajoso, o nome de Marina também se espalhou. Sua forma de governar Hope era um exemplo para as novas cidades que surgiam e também para aquelas que se livraram de seus respectivos tiranos. O mais impressionante do governo da jovem conhecida como Guerreira das Trevas, não era a forma que governava, e sim fato dela ter apenas 12 anos. A mais jovem governanta de todo o mundo. Além de ser muito jovem, ainda tinha o fato de Marina nunca permanecer no castelo. Ela sempre estava no meio do povo. Os escutando para saber o que melhorar e onde melhorar. Podemos até dizer que ela só ia para o castelo para comer e dormir.
Ou seja, todo o mundo seguia as idéias utilizadas em Hope e a paz se instaurou nas cidades. Somente dentro delas. Fora dos muros delimitadores de cada uma o perigo continuava. Ladrões, assassinos, mercenários, raptadores, entre outros. Sempre se aproveitando dos viajantes. E uma dessas viajantes, que corre perigo é Amanda.
Amanda?!
Não!
Ela é a Guerreira da Luz! Que perigo poderia correr?
Pois é. Muitos a queriam morta. Matar a Guerreira da Luz seria de extremo orgulho para quem o fizesse. Com certeza o nome do assassino de Amanda se espalharia por todo o mundo e ele (ou ela) seria respeitado.
Muitos tentaram. Ninguém conseguiu. Muitos ela teve que matar. Mesmo contra sua vontade. Outros ela simplesmente fez com que desistissem apenas com sábias palavras. Palavras essas que ela aprendeu durante o curto tempo que passou com seu irmão, após o reencontro dos dois. Seu irmão. O Guerreiro Dragão. Ele morrera na batalha de libertação de Hope. E morrera muito feliz. Amanda ainda não tinha conseguido aceitar a idéia, e sentia muito a sua falta.
Assim como de suas amigas. Isso era um sinal que estava na hora dela voltar para Hope. Ela retornara. Amanda estava de volta para onde tudo começara. Ela estava onde tinha visto o seu irmão pela última vez. Ela estava em casa. E ao ver o muro de Hope uma grande emoção lhe bateu, e seus olhos rapidamente se alagaram em lágrimas.
- Enfim em casa.


O Reencontro

            Era por volta das nove da manha quando o portão de Hope se abriu para a entrada de Amanda. Ela havia pedido para não ser anunciada. Queria passear tranquila pela cidade. Queria ver as mudanças feitas em um ano. E muita coisa havia mudado. Enquanto andava em direção ao Castelo, vagarosamente, deu-se para perceber a alegria estampada nos rostos de cada cidadão. As crianças podiam brincar livremente nas ruas, suas mães podiam comprar os alimentos com o dinheiro que seus pais ganham com o trabalho. Realmente as lendas que corriam pelo mundo eram verdadeiras: Hope se tornara uma verdadeira utopia. Sem violência, sem miséria... Tudo funcionava perfeitamente.
Em meio ao caminho, Amanda avistou um casal de irmãos. O irmão mais velho ensinava a menina algumas brincadeiras. Aquela cena bateu uma saudade... Mas logo ela respirou fundo e fez com que a saudade caminhasse junto. Em direção ao castelo. Em direção as suas amigas.
Após quase duas horas explorando a nova Hope, Amanda chega ao castelo. Um grande jardim na entrada fora feito. Várias flores de cores diferentes nasciam no meio dos canteiros que eram cercados por pequenos plantas que formavam uma cerca viva. Um grande caminho de pedra formava o caminho até a grande porta. Amanda atravessou todo o jardim observando todos os seus mínimos detalhes maravilhosos.
Finalmente, depois de tanto tempo, Amanda entra novamente no castelo. Rapidamente ela sai para o local onde Gabriel havia morrido. Havia sido construído um monumento no local para homenageá-lo. Ali ela ficou durante algum tempo. Ficou lembrando-se de tudo que havia acontecido, até ser interrompida por dois guardas.
- Minha jovem, o que faz aqui?
“Com certeza eles são novatos” – pensou. Para evitar confusão, ela logo respondeu:
- Vocês dois são novatos, certo? Eu sou Amanda. A Guerreira da Luz.
Os dois guardas rapidamente se desculparam e a cumprimentaram.
- Está tudo bem. Mas foi bom terem aparecido. Onde estão todos?
- Estão na sala de reuniões.
- Sala de reunião?! Realmente as coisas mudaram por aqui. Levem-me até lá, por gentileza.
Os guardas escoltaram Amanda até a sala. Ao chegarem a grande porta da sala outros dois guardas se encontravam postados um de cada lado. Ao verem que era Amanda que se aproximava, abriram a porta imediatamente, interrompendo a reunião.
- O que vocês pensam que estão fazendo?! – gritou Danilo levantando-se de sua cadeira.
- Abrindo a porta para mim! – exclama Amanda.
Todos se levantam rapidamente e ficam parados olhando para Amanda como se ela fosse uma miragem.
- Eu fico um ano sem ver vocês, e é essa a recepção que eu ganho? Estou decepcionada... – brincou.
Mais um tempo de silêncio e um grito. Um grito extremamente alto e fino, seguido de uma corrida. Quem fez tudo isso? Marina. É! A grande governanta, da grande utopia; gritou e correu por toda a grande sala de reuniões na frente de todos os nomes importantes de Hope. E quem liga? Ela com certeza não! Havia um ano que ela não via a melhor amiga. Para Marina tanto faz quem estava naquela reunião. Ela queria abraçar a sua amiga.
A Guerreira das Trevas gritou, correu e abraçou. Foi um abraço longo, apertado e cheio de lágrimas. Clarice, Daniela, Isla e Danilo foram os únicos que conseguiram entender aquela cena. Os outros que ali se encontravam, ficaram a observar tudo aquilo sem saber o que fazer ou dizer.
- Nina, as pessoas estão olhando.
Sussurrou Amanda ao ouvido da amiga, quando percebeu os olhares fixos nelas. Marina logo se postou a frente de todos e disse:
- Para quem não conhece esta é a Guerreira da Luz, Amanda; libertadora de nossa cidade; irmã do inigualável Guerreiro Dragão, Gabriel. Amanda esses são os Conselheiros do nosso governo. Senhores a reunião será adiada. Assim que eu tiver uma nova data, vocês serão comunicados.
- Mas Nina...
- Não Amanda! Não vou ficar em reunião! Você acabou de regressar. Temos muito que conversar.
- Isto é absurdo! – grita um dos homens.
Não era o mais bonito a mesa. Um velho, careca, com uma grande barriga. Seu rosto era tomado pelas rugas e ele possuía uma raiva constante. Jamais alguém havia o visto sorrindo.
- Desculpe-me Zéfiro, o que você disse?
- Disse que é um absurdo você ter interrompido a nossa reunião porque a Guerreira da Luz chegou. Se ela estivesse a esta altura não teria nos abandonado, ou melhor, se ela fosse tão poderosa como dizem, não teria deixado o Guerreiro Dragão morrer e ele estaria nos governando, e não um bando de crianças.
- Já chega Zéfiro! Mostre o mínimo de respeito...
Amanda somente põem sua mão no ombro de Marina, e esta se cala. Em seguida ela dá um passo à frente e diz:
- Zéfiro, este é o seu nome não é? – o velho olhou fixamente para a jovem - Durante a guerra onde o senhor estava? Estava neste castelo? Arriscou sua vida? Não! O senhor não estava aqui. Não sabe pelo que nós passamos para ter o que tem hoje. Sim nós somos jovens e com certeza preferimos festas a obrigações. Agora o senhor não tem direito a reclamar. Graças a nós Hope é uma utopia. Agora se a líder disse que a reunião acabou então ela acabou; você goste ou não.
Não houve mais discussões. Os outros conselheiros arrumaram seus pertences e logo se retiraram. O último a sair fora Zéfiro. Ele fez questão de passar em frente à Amanda e dizer:
- O seu irmão não lhe ensinou nada. Eu retiro que disse: nem o Guerreiro Dragão seria bom o suficiente para governar esta cidade.
Em seguida o velho conselheiro se retira da sala. Amanda só conseguiu ficar parada. Sua vontade era de chorar, e Marina sabia muito bem disso e rapidamente voltou a fazer festa.
A segunda a abraçar Amanda fora Daniela. Também foi um abraço bem prolongado e bem apertado. Podemos dizer que a cena fora a mesma que Marina, porém controlada. Depois veio Isla e Clarice. Estavam todas felizes. Agora faltava somente o abraço mais esperado, o de Danilo. Infelizmente esse abraço iria ter que esperar.
Chang entrou correndo na sala chamando por Danilo. Dissera algo sobre uma nova briga na cidade. Danilo não queria ir. Ele precisava abarçar Amanda. Acabar com toda aquela saudade que o corroia por dentro. A Guerreira da Luz queria a mesma coisa, porém, apenas o seu olhar liberou o seu amado para ir.
- Não demorarei. – diz Danilo, antes de sair correndo.
- Então meninas, vamos as fofocas!
Disse Amanda acabando com aquele clima nostálgico que havia se formado.

            E lá se foram as meninas conversarem, rirem, matar a saudade.

E o meu Irmão?

            Passaram-se várias horas de incríveis histórias contadas por Amanda. Cada detalhe de sua viajem fora contada. Das paisagens lindas às suas lutas contra os grandes guerreiros que cruzaram o seu caminho. Também contara como o mundo se inspira no governo de Hope e na coragem de Danilo.
- É isso gente. Foi isso que eu vi. Foi isso que aconteceu. Por aqui muita coisa mudou pelo que vi. Agora a paz não reina do jeito que eu imaginava.
- Há mais ou menos um mês começaram a ter brigas entre duas gangues que surgiram. Danilo tem tentado de todas as formas prender os seus lideres, mas toda vez que ele chega perto, eles conseguem uma forma de se afastarem. – explica Marina.
- Nós também já tentamos achá-los. – diz Clarice.
- Essas brigas tem assustado os moradores. – completa Daniela.
- E sem contar que isso começa a pôr a prova se Hope realmente é uma utopia. – comenta Isla.
- Vou esperar Danilo voltar e conversar com ele. Informar-me sobre todos os detalhes. Agora eu vou ir visitar o meu irmão.
- Não sei se isso é uma boa idéia. – diz Marina.
- Por quê?
Marina não soube responder. Melhor, ela não quis responder. Sem obter a resposta, Amanda dirigiu-se para o local onde o corpo de seu irmão havia sido colocado para repousar. A Guerreira da Luz se lembrava muito bem de onde era.
- Melhor nós irmos também – diz Marina – Melhor, Clarice corra até a cidade e ache Danilo e Taky. Mande-os vim para cá.
Clarice fora atrás dos dois, enquanto as outras meninas foram atrás de Amanda. Ela estava achando toda aquela situação estranha. Primeiro Martina não queria que ela visse o seu irmão. Depois Clarice corre atrás de Danilo e Taky (que foi quem levou o corpo de Gabriel da grande sala para o local desejado por Amanda), e por fim as meninas a seguem. Havia acontecido algo. Ela podia sentir isso, e mesmo assim não quis acreditar. Ela ia chegar ao local onde seu irmão estava e iria falar com ele.

. . .

            No meio da cidade Danilo, Taky e Chang estavam coletando informações com moradores e outros guardas sobre a briga, quando Clarice chegou ofegante.
- O que foi Clarice? – pergunta Taky.
- Você e Danilo tem que voltar para o castelo agora. A Amanda está indo ver Gabriel.
- É por isso que eu deveria ter ficado no castelo. Chang continue interrogando as pessoas. Vamos correr Taky.

. . .

            Uma grande porta de madeira. Era isso que separava Amanda de seu irmão. Marina e Daniela ainda tentavam impedi-la de passar pela porta. Esforço em vão. Amanda ignorou todas as investidas de suas amigas e abriu a porta. Dentro havia somente uma grande cama. A forrando um lençol branco e grosso. Parecia ser extremamente macio. Em sua cabeceira dois travesseiros um ao lado do outro. E para finalizar a beleza da cama toda a sua parte de madeira era trabalhada e formava belíssimos desenhos de dragões (uma homenagem a Gabriel).
A cama era linda, parecia extremamente confortável. Mas faltava um detalhe. Na verdade o detalhe mais importante. O corpo de Gabriel.
Estaticidade. Foi essa a reação de Amanda. Durou alguns segundos. A seguir ela se aproximou vagarosamente da cama. Ela retirou o lençol como se acreditasse que o seu irmão estivesse coberto por ele. Mas não havia nada. O corpo não estava ali.
- Onde vocês o colocaram?
- Nós não podíamos deixá-lo aqui. – responde Marina – Tivemos que enterrá-lo.
- Não minta para mim! Todas vocês sabem que o corpo dele iria permanecer daquele jeito para sempre. O que vocês fizeram com o meu irmão?
Nenhuma delas teve coragem de falar nada.
- Me respondam!
Neste momento chega Danilo e Taky ofegante ao quarto.
- Mandinha...
- Danilo, eu lhe pedi para zelar pelo corpo de meu irmão. Pelo visto você não teve a capacidade de realizar meu pedido. – um suspiro – Onde ele está?
- Sumiu. – responde Danilo.
Amanda ficou perplexa ao escutar a resposta de Danilo. Ela se sentou na cama sem dizer nada. Ninguém dizia nada.
Danilo aproximou-se e sentou ao lado de Amanda. Ela olhou para o jovem e depois para o chão.
- Como assim sumiu? Como que um corpo some? Eu mandei que ele fosse vigiado o tempo todo. Todos você me traíram.
- Guerreira da Luz, com a sua permissão, eu gostaria de te explicar o que houve.
- Seria muito bom Taky.
- No mesmo dia em que você resolveu viajar o corpo de seu irmão não estava mais deitado na cama. Eu ia avisar para a Guerreira das Trevas, mas ele não deixou.
- Quem é “ele”?
- Seu irmão!
Novamente Amanda ficou perplexa com a revelação de Taky. Dessa vez não só ela, mas como todos que ali estavam. Afinal o único que sabia que Gabriel estava vivo era Taky.
- Ele me pediu para não revelar para ninguém que estava vivo. Ele me disse que precisava sair de Hope para ir atrás de você.
Amanda se levanta e aproxima de Taky.
- Porque você não o impediu? – a Guerreira da Luz fez com que as suas Espadas de Luz aparecessem – Me responda! – ela colocou suas espadas cruzadas no pescoço de Taky.
- Calma Amanda! – diz Danilo.
- Calma?! – grita – Graças a esse homem o meu irmão não está mais aqui! Ele podia ter impedido e não o fez. Ele podia...
- Já chega Amanda! – grita Marina – Ele não deixou seu irmão ir porque quis. Era o desejo dele.
Amanda retira as espadas do pescoço do guarda e em seguida as faz desaparecer. Lágrimas escorriam pelo seu rosto. Ela procurava uma palavra, um gesto, algo que poderia demonstrar a tristeza e raiva que sentia naquele momento.
- Eu vou para o meu quarto. Desculpe-me Taky. Receber essa notícia foi... Desculpe.
- Esta tudo bem.
Amanda sai do quarto correndo até o fim do corredor. Antes que pudesse fechar a porta de seu quarto, Danilo aparece. A Guerreira da Luz olha para o jovem ofegante e lhe pergunta o que ele queria.
- Eu ainda não lhe dei as boas vindas! – brinca o jovem.
- Danilo, eu não estou para brincadeiras.
- Amanda, você tem que entender que o seu irmão fora embora por sua causa. Ele não queria ficar aqui sem saber se a irmã dele estava passando por algum perigo ou não. Ele não ia ficar sentado aqui esperando o seu regresso sem ter noticias suas.
- E porque você não foi com ele? Para protegê-lo?
- Como eu iria se eu não sabia que ele estava vivo? Assim como você eu só soube agora. Mas tenho certeza que se ele tivesse falado comigo antes de ir, ele pediria para lhe entregar isso, caso retornasse antes dele.
Danilo se aproximou de Amanda e lhe deu um forte abraço e um beijo no rosto.
- E agora o que eu vim lhe entregar.
O jovem a beija. Um beijo que durou o tempo equivalente ao tamanho da saudade que um sentia do outro.

New Life

            Há vários quilômetros de Hope, atravessando o grande Deserto do Desespero, se encontrava uma pequena cidade chamada New Life. A exemplo de Hope, esta cidade também tinha um grande muro a cercando. Ela era governada a mão de ferro por um tirano chamado Apelotis. Ele não gostava do rumo que Hope tomara após a morte de Smart e Rúbia. Ele tinha planos de dominar o mundo junto aos dois. Provavelmente seria traído por Rúbia. Bem, nunca saberemos.
Nesta cidade é onde Gabriel se encontra. Ele foi atraído para lá com uma falsa informação que sua irmã se encontrava lá. Ao chegar, Apelotis, juntamente com o seu mais confiável guerreiro, Vandsky, e o seu exército; prenderam Gabriel. O fizeram refém.
Obviamente Gabriel poderia escapar a qualquer momento de lá. E tão óbvio quanto isso, foi o pensamento de Apelotis: se ele tentasse destruir o local, boa parte da cidade também seria destruída. O Guerreiro Dragão não iria pôr em risco vidas inocentes em troca de sua liberdade.
Qual o objetivo de prender Gabriel? Na verdade é bem simples: Apelotis quer acabar com Hope. Sem o Guerreiro Dragão tudo se torna um pouco mais fácil. Para ele e o seu poderoso exército a Guerreira da Luz e das Trevas não é nenhum problema, quem dirá das outras meninas ou o exército comandado por Danilo. Claro que ele se mantinha informado de tudo o que acontecia em Hope e dentro do castelo. Ou seja, havia um traidor.
Por detrás de toda a raiva de Apelotis por Hope, haviam duas pessoas contra ele: sua esposa, Taya, que apesar de ser contra, é totalmente submissa ao marido. E a sua filha, Ana Carolina conhecida por Aninha. Ao contrário de sua mãe, ela sempre estava a discutir com o seu pai sobre as atitudes que ele tomava. De que nada adiantava. Ela sempre dizia que uma hora tudo que ele já fez se voltaria contra ele.
Aninha é uma jovem de faixa etária igual à de Gabriel, de pele macia e branca, com cabelos compridos castanhos claros, olhos claros e um pouco baixa. Esta jovem pode controlar a água, e possuiu uma personalidade forte, que não se deixa levar pelas atitudes do pai, e segue suas próprias regras.
Ela havia sido prometida em casamento com um jovem guerreiro muito bonito, Vandsky. Alto, forte, olhos azuis, cabelos loiros e uma lealdade a Apelotis inigualável. O homem que toda mulher de New Life desejava ter. Todas menos Aninha. Não que ela não o achasse bonito. Ao contrario, ela o achava lindo, porém o seu coração não.
A princípio Aninha (mesmo contra a sua vontade) aceitou casar-se. Só que essa idéia fora totalmente destruída quando os seus olhos se fixaram em um viajante que chegara a cidade. Seu coração logo se apaixonara por ele. Era o Guerreiro Dragão. Mas graças ao seu pai, os dois não tiveram oportunidade de se falarem. Ela não podia deixar de conhecê-lo. Por isso passou a visitá-lo todos os dias. Com o passar do tempo Gabriel também se apaixonara pela jovem.
Ela o visitou sempre, até o tirano de seu pai descobrir. Neste dia Apelotis junto com Vandsky a levaram até a prisão. Os dois entraram na cela e espancaram o Guerreiro Dragão por quase uma hora, enquanto Aninha assistia a tudo sem poder fazer nada. Depois de terminada a covardia, Apelotis pegou sua filha pelo braço a retirou dali, e depois a trancou no quarto.
Aquilo não impediu dela ver o seu amado. Havia duas pessoas em New Life que também eram contra Apelotis, mas diferente do resto da população eles brigavam pela sua queda, e tinha um outro detalhe: eles eram amigos de Aninha. Seus nomes? Ramma e Komatsu. A primeira controla o vento e o outro o fogo. Os dois ajudavam Aninha chegar até Gabriel sem que fosse vista pelo seu pai ou Vandsky. Assim foi até conseguirem bolar um plano de fulga.

. . .

            O dia chegara. No meio da madrugada Aninha juntamente com Komatsu e Ramma vão até Gabriel. Ele era vigiado por três guardas. Aninha foi até eles. Logo lhe disseram que ela não podia estar ali.
- Meu pai me deu permissão.
- Nós não fomos informados de nada.
- Se duvidam de mim, vai até ele perguntar. Tenho certeza que ele ficara feliz em saber que vocês não confiam na filha dele.
- Está certo. Iremos abrir a cela.
No momento em que o guarda abriu a porta, Gabriel pulou sobre ele o derrubando. Os outros guardas iam ajudar, quando Komatsu e Ramma utilizaram suas técnicas os matando.
- Vocês são idiotas! – grita Gabriel – Se fosse para usar poderes, eu já estaria longe há muito tempo. Você não contou para eles Aninha?
- Não. Eles não iam vim.
- Se vieram então deviam estar cientes de tudo. – se houve passos e gritos, e ao fundo uma sirene – Agora tanto faz. Eles já estão aqui.
- Komatsu e Ramma vão à frente e abram caminho para nós.
- Como assim “nós”? Eu irei sozinho.
- Você quer que eu fique?! Meu pai vai me matar. E sem contar que eu não poderia viver longe de você.
Gabriel não respondeu. Ele olhava para ela. Olhava em volta. Procurava uma resposta.
- Senhorita Ana Carolina, os guardas se aproximam. Se não formos agora...
- Gabriel! – um momento de silêncio – Por favor...
- Está certo! Vamos!
Os quatro saem correndo por New Life com o objetivo de chegar até o muro e consequentemente a saída. Na maior parte do percurso eles foram por lugares onde não havia guardas. Porém também teve muitos momentos, o encontro com eles. Depois de muito correrem eles conseguem chegar ao portão. Como iriam passar? A solução era voltar, se esconder na cidade e pensarem em um novo plano. Seria a melhor alternativa se o exército de Vandsky não tivesse cercado a rota de fulga.
- Aninha, porque você se aliou a ele? – pergunta Vandsky, apontando para Gabriel.
- Se afastem de mim. – diz Gabriel aos três.
Ele começou a acumular uma grande quantidade de energia.
- O que vai fazer? Autodestruir? – diz Vandsky, acompanhado de risos.
- Não. Melhor.
Gabriel estava de frente para Vandsky e todos acharam que ele iria atacá-lo. Pensaram errado. No último segundo Gabriel virou-se para o portão e soltou o sue poderoso Poder do Dragão contra o portão. No meio da fumaça da explosão, Gabriel conseguiu passar correndo por todos e saira da cidade.
A fumaça se dissipou. Rapidamente Vandsky ordenou que prendessem Aninha e sues protetores. Em seguida ele se aproximou de sua “prometida”.
- Se você me pedir desculpas, te livro do castigo de seu pai.
A resposta de Aninha fora um cuspe na cara do homem. Vandsky respirou fundo e em seguida lhe acertou um tapa no rosto.
- Tirem eles da minha frente! E comecem a reconstruir este portão imediatamente! Nós iremos nos ver novamente Guerreiro Dragão. – diz Vandsky, olhando para além dos muros da cidade.
Enquanto Aninha era levada até seu pai, ficou a pensar: “Porque me deixou para trás Gabriel?”.

. . .

            Ao se afastar bastante da cidade Gabriel parou no alto de uma colina para descansar e recuperar suas energias, enquanto observava New Life.
- Não se preocupe Aninha. Eu irei voltar para te buscar.

Invasão em Hope

            Já havia passado um mês que Amanda descobrira que seu irmão estava vivo. E durante todo esse tempo ela não saiu do castelo. Para falar a verdade ela não fez nada relacionado à Hope. A Guerreira da Luz fazia somente o básico e falava somente o necessário.
Danilo e as meninas tentaram animá-la de todas as formas possíveis. Nada adiantava. Ela sempre respondia a mesma coisa:
- Vocês trouxeram o meu irmão de volta? Não? Então me deixem em paz.
As meninas, cansadas de escutarem isso, desistiram. Com exceção de Marina e Danilo. Todos os dias eles tinham uma idéia diferente. Todas em vão.
Certa manha, Amanda estava no grande salão principal do castelo, quando dois guardas entraram correndo.
- Senhorita Amanda, há três invasores vindo para o castelo. Eles destruíram o portão. Todos os guardas tentaram impedi-los, mas não fora possível.
- Chame Danilo e as meninas. Você, – apontando para um deles – mande todos os guardas recuarem e dêem passagem livre.
- Mas Senhorita...
- Agora!
- Sim Senhorita!
Os guardas, mesmo não concordando com Amanda, acataram a sua ordem.
Em menos de um minuto as meninas chegam até Amanda. Pouco depois Danilo chega nervoso, perguntando para a Guerreira da Luz porque ela mandara os guardas recuarem.
- Se os invasores foram capazes de destruir o portão, então somente nós podemos derrotá-los. Você – olhando para o guarda – convoque trabalhadores para a reconstrução do portão.
- Amanda, isso é loucura! – Danilo – Chamar o inimigo para você?! Nós deveríamos deixar isso com o meu exército.
Amanda não responde nada. Não fala nada. Simplesmente fica parada olhando para o lado de fora. Esperando a chegada dos inimigos.
Em vez dos três invasores quem chega correndo é Taky e Chang.
- Senhor, os invasores já entraram no grande jardim.
Em seguida os três chegam à porta. Eram duas mulheres e um homem. E já são três pessoas de nosso conhecimento. Komatsu e Ramma. E atrás dos dois Aninha.
- Rendam-se ou preparem-se para a morte! – grita Danilo.
Imediatamente Taky e Chang desembainham suas espadas e tomam a frente das meninas.
- Nós não queremos lutar. Eu vim aqui atrás de Gabriel. – explica Aninha.
- Ele morreu. – responde Danilo – Vão embora!
- Eu sei que não. Eu estive com ele.
- Não adianta mentir para nós. Agora...
- Danilo, – Amanda coloca a mão no ombro do jovem – guarde sua espada. Qual é o seu nome?
- Eu me chamo Ana Carolina. Filha de Apelotis. Governante de New Life.
- New Life? – Clarice – Eu já ouvi falar desse local. O governo de lá segue o exemplo de Smart. Acho melhor acabar com eles agora.
Ao ouvirem isso Danilo, Taky e Chang, desembainham suas espadas novamente. Marina fez as Espadas das Trevas aparecerem. Clarice, Isla e Daniela também se preparam para a batalha. Ao mesmo tempo Komatsu e Ramma também se prepararam.
- Esperem! Esperem! Nós três viemos em paz.
- Claro! – Isla – Destruir o nosso portão e matar vários guardas realmente é um gesto de paz.
- Acalmem-se todos! – Amanda – Ela disse que esteve com o meu irmão. Quero ouvi-la.
- Eu sinto muito ter entrado dessa forma, mas não existia outra forma. Quando cheguei aqui impediram a minha entrada porque pedi para falar com o Guerreiro Dragão e me responderam que ele havia morrido.
- Os únicos que sabem que meu irmão está vivo somos nós.
- Eu insisti em falar com o governante da cidade. Achavam que eu estava somente querendo entrar e viver como uma clandestina na cidade.
- Mesmo percebendo que você não conseguiria entrar e muito menos falar com alguma das meninas, então porque não foi embora? Preferiu entrar a força. E ainda quer que confiemos em você?
- Não poderia sair daqui sem antes avisar-lhes das intenções de meu pai. Ele pretende invadir esta cidade.
Um breve momento de silêncio. Parece que um vídeo de um ano atrás passou pela cabeça de todos. A guerra contra Smart e Rúbia passara diante dos olhos desses jovens.
- Além disso – prosseguiu Aninha – meu pai vai querer a cabeça de Gabriel.
- E porque exatamente o meu irmão?
- Por minha causa. Eu e seu irmão tivemos um caso enquanto ele estava preso. Também fui eu, junto com Komatsu e Ramma – ela apontara para os dois atrás dela – que o ajudou a fugir de New Life. Mas ele me deixou para trás.
- Suponho que seu pai não aprovou o namoro de vocês e, que você está aqui sem ele saber.
- Isso.
- Você perdeu o seu tempo. Meu irmão não está em Hope. Eu e meu exército nos preparemos para a guerra. Muito obrigada pela informação. Agora Taky e Chang irão acompanhá-los até a saída.
Aninha não queria ir. Ela queria ficar ali e esperar por Gabriel. Mas já havia criado muitos problemas. O melhor era ela partir. Já tinha tido muita sorte de ter sobrevivido até aquele momento. Se não fosse pela calma e compreensão de Amanda, com certeza as outras meninas haviam a matado. Como também a Komatsu e Ramma.
A jovem de New Life abaixou a cabeça e virou-se para a porta e seguiu Chang e Taky até o grande muro.            
Durante o percurso olhos curiosos chegavam às janelas. Aqueles que estavam na rua abriam passagem. Mas uma coisa era comum a todos: os olhares. Uma mistura de medo com alívio. Foi neste momento que Aninha percebeu o erro que havia cometido. Se eles não a queriam, então teria sido melhor ter ido embora. Mas o que está feito está feito. Não tinha mais como ela voltar atrás. Não era à hora de se arrepender. E sim de arrumar alguma forma de ajudar aquela cidade.
O caminho acaba. No lugar do portão um buraco. Tinham vários guardas, já que a entrada estava vulnerável.
- Chegamos. – diz Chang – Agora vocês podem ir.
Aninha se recusa a se mexer.
- Venha Senhorita Ana Carolina – diz Komatsu – está na hora de irmos.
Antes que pudessem sair um vulto sai de dentro da floresta correndo e gritando:
- Fechem o portão! Fechem o portão!
Aquela voz era conhecida de Aninha. Quando o vulto se aproximou mais de Hope ela o reconheceu. Era Gabriel! Ela abriu um pequeno sorriso.
Os guardas confusos se perguntavam o que fazer. Taky e Chang se se aproximaram mais do lado externo de Hope e viram que o Guerreiro Dragão era perseguido por várias pessoas. Em uma reação rápida, Taky começou a dar as ordens.
- Livrem o caminho para a entrada do Guerreiro Dragão! Assim que ele passar nós entraremos na frente para impedir a entrada daqueles que o perseguem! Chang fique de olho nesses três.
Quando ele voltou a sua atenção para o lado de fora, Gabriel já havia passado pelos guardas.
- Gabriel, você está bem?
- Taky? Olá! Onde está o portão?
- Fora destruído por eles. – aponta para Aninha e seus protetores.
Gabriel se espanta ao ver quem era. Sem ter mais tempo para perguntas, Gabriel logo vez que uma grande parede subisse no lugar do portão.
- Isso vai resolver até outro portão ser construído.
Em seguida ele vai até o seu portão improvisado e abre uma pequena fresta. Por ela ele vê que os homens que o seguiam haviam ido embora. Agora sua atenção podia ser focada em Aninha. Antes que pudesse falar qualquer coisa com ela, ele avista Danilo e as meninas, com exceção de Amanda. Todos ficaram sem saber o que dizer ou fazer vendo a imagem de Gabriel.
- Estou vendo que vocês precisam de um tempo para acreditar que estou aqui. – brinca Gabriel.
As meninas riram e depois deram as boas vindas para ele. A mais empolgada de todas era Clarice que gritou, abraçou, enfim, fez a maior festa. Após toda a farra, Gabriel pediu um tempo para as meninas e voltou a sua atenção para Aninha.
- O que faz aqui?
- Vim lhe avisar sobre a invasão que meu pai está para realizar. E também saber por que você me abandonou em New Life.
- Pelo jeito lhe ouviram, mas recusaram sua ajuda. Bem, vocês três serão escoltados até o castelo.
- Mas Gabriel... – diz Marina.
- Essas três pessoas me salvaram e são de total confiança. Sem contar que é uma vantagem para nós nessa nova guerra. Tudo será explicado quando vocês chegarem ao castelo. Eu irei correndo na frente. Estou com saudades de minha irmã. E quanto a sua pergunta Aninha; logo te falarei.
Gabriel dispara em uma corrida frenética até o castelo, enquanto a Guerreira das Trevas organiza uma escolta para Aninha e seus protetores.
Após poucos minutos Gabriel entra no castelo. Pensando que sua irmã estaria em um dos pontos de observação, ele fora direto a todos eles. Não estava em nenhum. Restaram dois locais. O quarto dela ou o dele. Ele foi primeiro no seu, e nada. Ao chegar ao dela, a porta estava entreaberta. Gabriel entrou devagar e Amanda estava a olhar pela janela.
- Seja quem for vá embora. Não estou a fim de papo.
- Nem com o seu irmão?
Silêncio. Um momento de hesitação de Amanda. Vagarosamente ela se vira. Seus olhos miram à porta e vêem o seu irmão. A Guerreira da Luz fica paralisada. Nenhum músculo se move. Ela não estava acreditando no que via. O seu irmão estava ali. Estava vivo.
- Você vai ficar parada ou vai vim dar um abraço no seu irmão?
Amanda abre um largo sorriso e core em direção a ele. Um abraço forte. Muito forte. Em ambos os rostos escorriam lágrimas. Aquele abraço durou poucos minutos, mas a sua intensidade era tanta que para os dois durou uma eternidade. Uma eternidade equivalente ao tamanho da saudade que um tinha do outro.
- Você não sabe quanto falta me fez durante todo esse ano. – diz Amanda.
- Você também me fez muita falta.
E novamente os dois se abraçaram.

O Traidor é Revelado

O reencontro de Gabriel e Amanda fora muito comemorando o resto daquele dia. Houve uma grande ceia. Todos comiam, riam e se divertiam. Inclusive Aninha e seus protetores. Bem, se divertir e rir os três não fizeram. A princípio nem ficar eles queriam. Mas Gabriel insistiu muito, e eles cederam. A festa foi adentrando a noite. Muitos convidados começavam a ir embora. Gabriel como um bom anfitrião, acompanhava todos eles até a porta.
Em um desses acompanhamentos, Gabriel vira Aninha em um dos pontos de observação admirando a bela Hope noturna. Ele se aproximou dela e percebera em seu rosto, uma expressão de tristeza e preocupação.
- Algum problema jovem senhorita?
Aninha virou-se para Gabriel e lhe abriu um sorriso.
- A cidade de sua irmã é linda.
Gabriel anda até o beiral e dá uma olhada em toda Hope. Ele respira fundo como se quisesse sentir o cheiro da cidade.
- Não Aninha. Você está errada. – Um breve silêncio – Esta cidade não é dela. São deles. Do povo. Só porque é minha irmã que a governa, não quer dizer que a cidade é dela. É o povo que a reconstruiu depois da queda de Smart e da morte de Rúbia.
- Você tem razão. É uma pena que New Life nunca poderá ser assim.
- E porque não? – Gabriel vira-se para a jovem – Você tem o poder para fazer isso. Reúna o povo contra o seu pai. Junte aqueles que são contra ele e convença-os a lutar contra a tirania.
- Isso é o mais difícil.
Gabriel pega nos ombros de Aninha e a faz olhar para ele.
- O mais difícil você já fez: decidiu o seu lado. Decidiu enfrentar o seu pai.
Aninha abaixa a cabeça e sai dizendo que era melhor ela, Ramma e Komatsu irem embora de Hope. Gabriel a impede segurando o seu braço.
- Você vai ficar. Não me importo o que os outros pensem. Eu sei que você está do nosso lado. Irei providenciar quartos para vocês.
- É melhor não. Já causei muitos problemas a vocês.
- Você via ficar e ponto. Não vou aceitar um “não” como resposta.
- Está bem. Eu fico. Mas primeiro você vai me responder por que me deixou para trás em New Life.
- Fiz aquilo por você. Depois vou te explicar tudo. Agora vamos arrumar os quartos.

. . .

Em um beco escuro o velho anda em direção a um jovem. Sabia-se que era velho não pelo seu rosto e sim pela forma lenta de andar, pois ele usava uma roupa preta que lhe tomava todo o corpo, e o capuz o seu rosto. O velho chegou bem perto do jovem e lhe revela algo que o fez abriri um sorriso. Um sorriso de satisfação. De algo que ele queria estava muito perto de acontecer.
O jovem agradeceu ao velho e em seguida lhe deu as costas e fora embora. Depois o velho, assim que o jovem sumiu de sua vista, também foi embora.
O velho: Zéfiro. O jovem: Vandsky. Um tanto estranho, não?

. . .
Era uma linda manha, poucas nuvens, céu claro, o sol brilhava intensamente. Fazia muito calor apesar de ser cedo. A cidade já trabalhava. Podia ouvi-los da sacada. Aninha atentava para os detalhes que via e ouvia. “Eles parecem ser muito felizes. Um dia minha cidade também será assim.”. Uma batida na porta interrompe os seus pensamentos. Era Gabriel. Ele estava a conversar com um dos guardas. Assim que a conversa fora terminada ele volta a sua atenção para a jovem.
- Linda a qualquer hora do dia!
- Gentil a todo o momento! – devolve o elogio com um belo sorriso no rosto – Em que lhe posso ser útil?
- Deixe de formalidades. Não está aqui como uma diplomata.
- Então estou aqui como quem?
- Como a garota que me libertou. Como a garota que arriscou a vida para vim me avisar de uma guerra. Como a linda garota por quem me apaixonei.
Gabriel se aproxima da jovem e a beija.

. . .

- Você tem certeza disso?
- Absoluta! Minha fonte é de extrema confiança, meu senhor.
O governante de New Life abaixa a cabeça. Aparentava triste. O silêncio durou pouco tempo. De repente, em um movimento brusco, Apelotis levantou-se e caminhou até Vandsky. Este por sua vez estava assustado com aquela situação.
- Minha filha prefere ficar ao lado de nossos inimigos. Isso quer dizer que ela é uma traidora. Assim como aqueles dois que a seguem. – Apelotis estava ao lado de Vandsky – Todos os traidores devem pagar com a vida. Em nossa invasão os três devem pagar a punição dos traidores. Eles devem morrer!
- Com todo respeito, meu senhor, mas é de sua filha que falamos. Minha futura esposa. Eu não posso...
- Cale-se! – Apelotis olha nos olhos de Vandsky. Olhos raivosos, sedentos de sangue – Escolha o teu lado. Se amares mais a ela do que me temes, então será considerado um traidor. Lembre-se – agora ele deixava o salão – um dia poderás reinar toda esta cidade. E, após a minha morte, o mundo.

. . .

Já havia se almoçado no castelo. Aninha estava em seu aposento junto com seus fiéis protetores. Conversavam sobre o que fariam. Se ficassem até a invasão, ou se voltavam para enfrentar Apelotis. Na verdade, era isso que Aninha queria fazer. Porém, era desencorajada por Ramma e Komatsu.
- Se você for até lá, acha mesmo que o seu pai irá recebê-la de braços abertos? – questiona Ramma – Ele provavelmente já não a vê mais como uma filha.
- Melhor para mim. Depois de tantos anos o vendo fazer os outros sofrerem, fez com que meu ódio por ele chegasse ao limite.
A conversa é interrompida por um guarda que fora dar um recado. Ele disse que os três estavam sendo chamados à sala de reuniões, e que a presença era indispensável. Quererem ir eles não queriam, mas preferiram não relutar.
Chegaram a uma grande porta. Dois guardas estavam lá, a vigiando. Os dois abriram a porta imediatamente ao verem Aninha e seus protetores. Dentro estavam os dez membros do conselho, todas as meninas, mais Danilo e Gabriel. Existia somente uma grande mesa. Os dez membros ocupavam as cadeiras laterais, com exceção de Zéfiro, que ocupava a cabeceira próxima à porta. Do outro lado, de frente para a porta, Amanda ocupava a outra cabeceira; e as meninas as outras cadeiras laterais. Em pé sempre ficavam Danilo e Gabriel.
Aninha andou até perto de Gabriel. Danilo a encarou durante todo o percurso. E mesmo depois de ter parado o jovem continuou a encarando. Komatsu percebeu toda a rispidez do jovem e o também o observou. A troca de olhares entre os dois “esquentou o ambiente.”.
- Agora que a representante de New Life está aqui podemos começar logo está reunião? – pergunta Zéfiro, sempre grosseiro.
- Claro. – responde Gabriel – Mais uma vez Hope se encontra em uma situação difícil. O governante de New Life pretende invadir a nossa cidade. Ou melhor, ele vai invadir.
- Então não faz o menor sentido esta mulher estar aqui! – diz Danilo.
- Concordo com ele! – Zéfiro – Ela deve ser presa e expulsa de nossa cidade.
Aninha volta a sua atenção para o velho. Algo chamou a atenção dela. Ficou a observá-lo, até lhe vi um estalo e dizer:
- Eu já te vi em New Life. Você estava conversando com o braço direito de meu pai, Vandsky.
Amanda levanta de sua cadeira e com uma voz forte e imponente manda Zéfiro explicar-se.
A princípio o velho pensou em negar aquelas acusações. Ele abaixou a cabeça como se pensasse em alguma desculpa. Mas ele se pegou rindo daquilo tudo. Então preferiu revelar toda a verdade.
- Era eu sim. – espanto de todos – Não esperava ser descoberto. Ainda mais pela filha do grande Apelotis. E pior! Dentro de Hope. É muita falta de sorte. – Zéfiro mantinha uma profunda frieza – E provavelmente vocês se perguntam o porquê disso. – neste momento Zéfiro caminhava em direção a Amanda – É bem simples: Hope não merece ter esses jovens como governantes.
Zéfiro retira um punhal de debaixo de sua roupa e ataca Amanda. O golpe foi na direção do coração, e só não o atingiu porque a Guerreira da Luz conseguiu dar um passo para trás. O punhal cortou-lhe o braço. Zéfiro investiu novamente, mas desta vez Aninha interviu agarrando o braço do velho e em seguida o derrubou. Gabriel afastou sua irmã de perto do velho enquanto Chang e Danilo imobilizavam-no. Isso feito dois guardas entraram na grande sala e, juntamente com Chang levaram Zéfiro embora. Antes de sair o velho gritou que de nada adiantaria eles lutarem, Apelotis iria destruir Hope.
Amanda estava ajoelhada no chão segurando o seu braço cortado. Não era um corte profundo. Nem mesmo era grande. Porém sangrava bastante. Danilo aproximou-se dela e de Gabriel, que olhava a gravidade do ferimento.
- Como você esta?
- Estou bem. Esse corte não é nada. Agora que Zéfiro fora embora, podemos continuar a reunião.
- Continuar?! Nós vamos ir cuidar disso.
- Seu irmão tem razão. – completa Danilo – Eu a levarei até um médico. Gabriel pode continuar essa reunião sem a gente.
- Eu vou com vocês. Não se sabe se há outros traidores em nossa cidade. Você é forte, mas não será capaz de protegê-la e lutar ao mesmo tempo.
- Então eu vou com ele. – diz Isla – Você continua a reunião.
- Está bem.
Isla, Danilo e Amanda saíram da sala e foram até um médico.
Aninha ficou observando toda a cena. Gabriel aproximou-se dela e lhe agradeceu.
- Este ato que todos os presentes acabaram de ver prova que Aninha não esta aqui pela cidade de New Life. Ela não é a nossa inimiga.
Os membros do conselho ainda atordoados com toda aquela situação concordaram com Gabriel. As meninas também, com exceção de Clarice. A reunião acabara. O Guerreiro Dragão disse que nos próximos dias iria realizar uma nova reunião para decidirem sobre a defesa da cidade.
Todas se retiraram Gabriel fora o último a sair. Clarice o esperava na porta.
- Você realmente confia nela? As pessoas de New Life não prestam!
- No passado dizia-se o mesmo daqui, e mesmo assim haviam pessoas boas morando aqui.
- Você não pode comparar a nossa cidade com a dela. Nós lutamos para libertá-la.
- E ela fará a mesma coisa. Sem contar que a luta só ocorreu porque existiam boas pessoas morando aqui e quiseram levar a liberdade adiante. Elas podiam muito bem ter recusado a nossa ajuda.
- Como você pode ter tanta certeza que ela nos ajudara? Que ela vai voltar para cidade dela e libertá-la?
- Não tenho. Mas lutaremos. E mais uma coisa: você não confiou em mim quando nos conhecemos. Você não confiou na Isla ou na Dani. Mesmo assim deu uma chance para elas e para mim. Dê um para Aninha também.
Gabriel se retirou e deixou a Guerreira de Planta a pensar.

Assassinato

            Era noite em New Life. Taya preparava-se para dormir. Apesar da idade ela era uma mulher muito elegante. Usava uma camisola amarela de seda. Apelotis já se encontrava deitado. Esperava sua esposa.
- Apelotis, o que você fará em relação a Aninha? Você irá trazer nossa filha de volta, certo?
O tirano não disse nada. Só ficou a olhar para cima. Parecia longe. Tão longe que nem escutara sua esposa.
- Apelotis, está tudo bem?
O governante assentou-se na cama. Deu um profundo suspiro e começou a falar.
- Está chegando o dia de partirmos. Estou muito preocupado.
- Eu sei. Você não sabe como nossa filha estará. Se eles a usarão contra nós.
- Que se dane a Ana Carolina! – levantou-se da cama – Ela escolheu ir pra Hope ficar com o Guerreiro Dragão. Ela nos traiu. Não merece viver.
- Você está falando de sua filha!
- Ela era minha filha. Ela está contra mim, e, assim como toda a Hope; ela irá sucumbir diante de meu exército. Do meu poder!
- Você não irá fazer nada contra minha filha!
Apelotis virou-se para Taya, que se encontrava sentada no meio da cama. Ele a fitou raivoso. Um olhar nunca antes visto por ela.
- Tu estás contra mim...
Antes que Taya pudesse falar algo, fora agredida pelo seu marido. Ele a derrubou da cama. O medo lhe tomou conta. Não conseguia ter nenhuma reação. Apelotis ajoelhou-se no chão por cima da mulher e começou a enforcá-la. Taya começou a se debater na tentativa de se libertar dos braços de seu marido. Esforço este inútil. Logo ela parou de se debater e começou a sentir o fim. A última coisa que viu foi os olhos “em chamas” de ódio do marido.
Pouco depois de ter matado sua esposa, Apelotis mandara chamar Vandsky. Como fiel guerreiro, ele rapidamente apressentou-se, e ficou espantando com o que vira.
- Vandsky, tu sempre fostes como um filho para mim. Agora és a única pessoa que posso confiar. Não me decepcione.
O guerreiro logo entendera o recado. “Ou eu fico do seu lado, ou eu morro.”. Ele pegara o corpo de Taya em seus braços.
- Eu irei dar um jeito neste corpo, meu Senhor.
Apelotis não disse nada. Mediante à “resposta-silêncio” do tirano, Vandsky se retirou do quarto.

Explicação

            Noite em Hope. A mesma noite em que a vida de Taya fora retirada pelas mãos de seu próprio marido. Aninha dormia confortavelmente, porém em um dado momento da noite ela lavantou-se rapidamente da cama, involuntariamente. Ficou parada um instante. Não havia entendido o porquê daquilo. Organizou suas idéias e se concentrou. Finalmente tinha o controle novamente. Sentou-se na cama e logo sua mãe veio a sua cabeça. Lembrava de como, mesmo não sendo na frente de Apelotis, ela sempre a defendia. Porque pensar nela agora? Logo entendera. Algo havia acontecido.
Ela andou até a sacada e olhou para o céu brilhante. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto. E quando deu por si, já estava chorando. Mesmo sem saber por que, ela tinha certeza que sua mãe não estava mais naquele mundo.
A jovem enxugou as lágrimas e resolveu descer à cozinha. Como era distante de seu quarto, também serviria para fazer um passeio. Entrou na cozinha e sentou-se à mesa com um copo d’água nas mãos. Olhava para o copo fixamente. Pensava em todos os momentos que passara com sua mãe. Pensamentos tão lindos que a fez chorar novamente.
- Uma linda dama não deveria chorar e sim sorrir.
Aninha assustada com a voz olha rapidamente para ver quem era.
- Gabriel, é você!
- Desculpe-me, não queria assustá-la. Porque está chorando?
- Minha mãe morreu. Ou melhor, foi morta. Ninguém me contou, eu não vi nada... Mas eu sinto isso.
Gabriel levantou Aninha da cadeira e lhe deu um forte abraço. Não dissse nada. Não precisava. O abraço de seu amado era suficiente para confortá-la.
Aninha andou até uma porta de vidro que havia ali. Por ela se via um dos jardins. Tinha um pequeno caminho de pedras até um coreto. Este jardim era lotado de flores que se desabrocham a noite. Ele era realmente muito bonito. A jovem abriu a porta e caminhou até o coreto, e Gabriel a seguiu.
- Porque veio embora sem mim?
- Como eu disse antes, fiz pensando em você.
- Me dê o verdadeiro motivo.
- Se eu a trouxesse comigo, você estaria morta. Eu estava muito fraco. Não iria conseguir protegê-la até aqui.
- E Ramma e Komatsu? Eles também viriam com a gente.
- Sim, eles viriam. Sei o quanto eles são fortes. Mas eu precisava chegar rápido aqui. Vim pelo caminho mais curto, que também é o mais perigoso. Tenho certeza que eles não conseguiriam lutar contra todos os perigos existentes. Eu consegui passar porque poucos têm coragem de me desafiarem, mesmo naquelas condições em que me encontrava.
- Sabendo disso, você me deixou. Sabia que eu viria de qualquer maneira para cá.
- Não.
- Não?!
- É! Eu não sabia que você viria. Torci para isso, e estou muito feliz por você estar aqui. Quando lhe deixei lá foi pensando que, por mais que seu pai lhe castigasse, você continuaria viva. Eu ia voltar até lá e lhe trazer para cá.
Aninha sorriu para Gabriel e em seguida levantou-se. Olhou para o céu estrelado e soltou um profundo suspiro.
- Eu já nem sei se estaria viva. Depois do que ele fez a minha mãe eu...
Gabriel pôs um de seus dedos sobre os lábios de Aninha a interrompendo.
- Não diz nada.
Em seguida ele a beijou.

O Verdadeiro Reencontro

            Amanda encontrava-se em seu quarto. Seu braço ainda estava enfaixado devido à punhalada que Zéfiro dera. Já havia se passado dois dias desde então. A dor do corte já diminuira bastante, mas dependendo do movimento a dor era intensa.
Fazia muito calor. Na verdade os últimos dias têm sido muito quentes em Hope. Amanda estava em sua sacada tentando refrescar-se. Às vezes “batia” uma brisa refrescante.
A porta se encontrava entreaberta. Marina aproveitou para entrar sem bater. Amanda, assim que percebeu a presença da amiga entrou no quarto.
- Algum problema Nina? – a Guerreira das Trevas estava sentada em uma cadeira com uma expressão triste.
- Há um ano atrás estávamos arriscando nossas vidas para libertar esta cidade. Agora temos que lutar novamente para protegê-la. Será que estamos fardados a lutar para sempre?
- Você luta se quiser. Meu irmão sempre falou isso. Se você acha que todas as pessoas da cidade merecem a nossa proteção, então irá lutar.
- Você acha que merece?
- Eu acho. Agora é saber o que você acha. Nós já fizemos muito por eles, e eles retribuíram. Se os ajudarmos novamente, tenho certeza que irão retribuir novamente.
- Você tem razão! Seria muito egoísmo meu não lutar. Mudando de assunto: o que você achou da namorada do seu irmão?
- Acho que ela será muito útil para nós. Ela veio do outro lado, então poderá passar informações...
- Pára! Não é disso que estou falando. Pense nela somente como sua cunhada.
- Ela é muito bonita e parece deixar meu irmão feliz. É o suficiente para mim.
- Nossa quanta frieza.
Amanda riu. Ou melhor, gargalhou. Fora tão intensa que fez com que Marina também risse.
Em meio às risadas, Danilo entrou no quarto perguntando do que elas riam tanto.
- Nada não. Essa sua namorada que é muito engraçada.
Ao ouvir as palavras de sua amiga, Amanda parou de rir. Danilo, que esboçava pequenos risos também ficou sério. Ao perceber que era a única rindo, Marina achou melhor ir embora.
- Vou deixá-los a sós. Aliás, Mandinha, desde que retornou você não teve tempo para Danilo.
Marina saiu do quarto e encostou a porta.
Danilo andou até a cama e sentou-se. Ficou ali em silêncio. Só a observar a jovem arrumando suas coisas.
- Então...
- O que?
- Porque está aqui? Quer falar algo?
- Não eu vim aqui só para ficar te admirando.
Amanda riu.
- Que foi? Não posso mais observar a minha namorada?
Amanda parou de rir. Parou de arrumar suas coisas. Ela só olhava para uma blusa em suas mãos e apertava com força.
- Quando a Nina disse “namorada” você teve essa mesma reação. O que foi?
Amanda soltou a blusa e sentou-se na cama ao lado do jovem.
- É o seguinte... – Amanda buscava palavras – Quando eu saí em viajem, nós já estávamos juntos. E eu tenho certeza que você me ama muito, assim como eu o amo. Mas quando as pessoas dizem “namoro”, eu não sei...
- Você me ama, mas não quer namorar comigo? É isso?
- Não! Eu lhe quero como meu namorado. Mas eu não sei se você quer.
- Se eu quero?! É lógico que quero! Ou melhor, para mim nós já éramos. Se for por causa de pedido oficial eu peso. Peço até para o seu irmão!
- Não precisa disso. – risos.
- Eu sei que não. Mas se fosse preciso eu faria. Eu faria qualquer coisa por você. – ele se aproximou da jovem - Eu sei que os sentimentos que temos um pelo outro é mais do que suficiente para fazer o pedido.
Danilo acariciou o rosto de Amanda e em seguida a beijou. A beijou como nunca tinha feito antes. Naquele momento Amanda sentiu que tudo aquilo que ele dissera antes era verdade. Ele realmente a amava.

Preparação

            Duas semanas. Este era o tempo que havia passado desde a notícia da invasão ter chegado ao governo de Hope.
Pouco menos de duas semanas. Este era o tempo que passara desde Zéfiro ter se revelado um traidor. O mesmo tempo gasto por Danilo e seu exército vasculhar toda a cidade atrás de mais traidores. Logo fora descoberto toda uma rede de traição, comandada por Zéfiro. Todos alegavam a mesma coisa: não queriam ter jovens no governo. Ou como diziam: “crianças”. Todas essas pessoas foram presas.

. . .

Hope vivia uma calmaria antes da tempestade. A invasão de New Life aproximava-se. Se bem que esse “aproximava-se” era bem relativo, já que não se sabia ao certo quando Apelotis moveria seu exército. Por mais que Gabriel, Amanda e Marina tentassem esconder a ansiedade daquela guerra para não transmitir para as outras meninas, e principalmente para a notícia não se espalhar pela cidade; estava muito difícil esconder o sentimento.  

. . .

            Passou-se mais uma semana desde a notícia da invasão. Tudo seguia normal. Marina, Amanda e Isla sempre andavam pela cidade com a desculpa de irem saber o que as pessoas precisavam. Amanda cumpria sua palavra. Já suas amigas saiam à procura de aventura, afinal procurar meninos para ficar olhando era uma aventura.
Clarice preferia sair na ronda pela cidade com Danilo. Às vezes ficava com Chang ou Taky. Se fosse para estar com outro guarda, ela estaria. O importante para ela era estar perto da ação.
Já Daniela quase não saía do castelo. Ficava cuidado de toda a papelada que chagava para o governo. Ela também era o contato direto das meninas com o conselho e vice-versa. Não que ela não gostasse de olhar alguns meninos, ou estar perto da ação. Mas preferia a calma do castelo.
Gabriel era o mais agitado de todos. Cumpria todas as atividades que as meninas faziam. Só parava de trabalhar na cidade, e pela cidade; quando alguém o avisava que o dia tinha acabado.

. . .

Mais uma semana chegava perto do fim. As meninas estavam começando a duvidar da invasão. Até mesmo Aninha começava a se perguntar se seu pai iria realmente invadir Hope. Quando as dúvidas começaram a surgir, logo desapareceram com um mensageiro.
No mesmo dia em que a quarta semana de espera chegava ao fim, um mensageiro chaga a Hope. Ao dizer que vinha de New Life sua entrada logo fora impedida. Gabriel dirigiu-se até o portão (que há muito tempo já havia sido reconstruído). Queria ir sozinho, mas as meninas não deixaram. Nem Danilo, que havia pedido para reforçar a segurança. Ao ver tantas pessoas o mensageiro assustou-se e paralisou.
- Hei! Menino! Fale logo! – diz Gabriel.
O menino volta a si e diz o recado.
- Vim em nome do governante de New Life, Apelotis. – o menino retirou um papel de dentro da mochila e começou a lê-lo – “Venho através deste avisá-los que daqui a dois dias meu exército estará em frente ao seu muro e preparado para atacar.”.
O mensageiro guardou o papel e em seguida foi embora.

. . .

Já no castelo os conselheiros, Danilo e as meninas discutiam o que tinha que ser feito nesses dois dias, em relação à população. Todos falavam ao mesmo tempo. Estava uma verdadeira bagunça. Somente Gabriel permanecia sentado e calado. Pensava sozinho sobre o que fazer. Toda aquela falação começou a irritá-lo.
- Calados!
Todos pararam mediante o grito e olharam para Gabriel.
- Obrigado. Agora se sentem. A primeira coisa a fazer é retirar o povo da cidade. Embaixo deste castelo há uma rede de túneis que levam há várias cavernas. Elas darão para acomodar todas as pessoas. Danilo preciso que você e o exército levem todos a esses locais.
- Será impossível mover todos os cidadões neste período tão curto. – diz um dos membros do conselho.
- Se começarmos agora e trabalharmos sem parar dará. Danilo leve as pessoas. Deixe guardas com os grupos para que a ordem seja mantida. Peça-os que levem mantimentos junto com eles. Conselheiros peço que vão agora para o refúgio também.
Danilo imediatamente saiu da sala e foi reunir o exército e executar o plano de Gabriel. Os conselheiros também saíram para a proteção das cavernas. Na sala ficara somente Gabriel e as meninas, e Aninha e sues protetores.
- Como nós nunca soubemos destas cavernas? – pergunta Marina.
- Enquanto todos procuravam manter a vida normal, fazendo as mesmas coisas; eu me preparei, ou melhor, preparei a cidade para o dia da invasão. Uma das minhas preocupações era como proteger a população. Então criei os túneis e as cavernas.
- E eles realmente estarão protegidos? – pergunta Aninha.
- Sim. Já testei. Além de estarem bem escondidos estão bem protegidos.
- Porque se preocupa? Você nem daqui não é! E sem contar que é o seu pai que vem nos atacar. – diz Clarice.
- Porque não confia em mim?
- Não é você. É de onde veio.
- Chega! Parem com isso! – interrompe Amanda – Depois vocês acertam suas diferenças. Agora a prioridade é como iremos enfrentar Apelotis e se exército.
- Minha irmã tem razão. Prestem atenção: Amanda e Isla irão ficar no muro junto com o exército. A nossa segunda linha de defesa terá a outra metade do exército, Dani e Clarice. – Gabriel mostra o local em um mapa.
- Somente duas linhas? – pergunta Daniela.
- Isso. A terceira será eu e a Nina. Agora quero que todas vocês vá ajudar o exército a levar as pessoas para as cavernas.
Rapidamente as meninas foram para o meio da cidade ajudar a população a se abrigar. Só restaram Gabriel, Aninha e seus protetores.
- Aninha, eu preciso que você faça algo muito importante. Eu tenho certeza que Vandsky e seus homens irão passar pela primeira linha de defesa. Eu fiz com que a segunda linha ficasse a uma boa distância da primeira. Preciso que você esteja entre elas, e tente convencê-los a cessar o ataque.
- Por quê? Sem eles as meninas terão mais chances?
- Também. Se ele não estiver, seus homens também não estarão.
- E se ele resolver me atacar?
- Ramma e Komatsu estarão com você. E eu sei que você pode lutar.
- É. Mas eu não luto.
Gabriel deu um forte abraço em Aninha e ao pé de seu ouvido disse:
- Eu sei.
Em seguida lhe beijou rosto e saiu correndo para a cidade. A jovem não entendeu direito aquela última fala. Talvez fosse um recado. Bom seja como for, agora não era o melhor momento para pensar sobre isso. A guerra ia começar.

A Chegada de Apelotis

            Passaram-se os dois dias que Apelotis havia dado a Hope. Após muita correria conseguiu levar a população para as cavernas. Em cada caverna ficaram quatro guardas, o que dava um total de oitenta guardas a menos para a guerra. Mas tudo bem, estes que estavam lá eram aqueles mais novos no exército. Tinham pouca experiência em batalhas. Melhor dizendo, não tinham experiência alguma.
Esses guardas fizeram com que o exército diminuísse consideravelmente. No muro haviam quatrocentos homens, sendo que ciquenta deles estavam em cima do muro e o restante bem atrás do portão. Enquanto a segunda linha havia somente duzentos. Falando assim parece ser números bem elevados, mas não para uma guerra. Com certeza o exército de Apelotis tinha mais homens. Iria ser difícil.

. . .

            Já era noite. Danilo resolveu ficar na frente de batalha. muito porque Amanda estava lá. E depois pela emoção de estar no local aonde a guerra iria eclodir. A noite estava muito bonita. As estrelas e a lua brilhavam fortemente no céu límpido de nuvens. Amanda andava em cima do muro, em meio aos guardas assistindo ao show brilhante daqueles astros. Isla estava em baixo, na expectativa da abertura do portão a sua frente. Danilo também caminhava em cima do muro. Mas este não observava o céu. Estava concentrado no horizonte. Tão concentrado que não percebeu a aproximação de Amanda. Se a Guerreira da Luz não tivesse o alertado, os dois teriam trombado.
- Me desculpe. Estava tão concentrado no horizonte que nem te vi.
- É eu percebi. – risos – Você parece estar bem nervoso com o que está acontecendo. Há um ano atrás você estaria mais empolgado.
- São meus homens Mandinha. Eu sou responsável por eles. Pelas famílias deles. Muitos não voltarão, e eu terei que ir de casa em casa avisar para seus filhos que eles não terão mais um pai. Avisar para suas esposas que elas não terão mais um marido.
Amanda pega o rosto de Danilo com suas mãos e o força a olhá-la.
- Sei que não será fácil, mas eu estarei aqui com você.
Danilo sorriu para Amanda e a beijou. Era até um momento bem romântico se não fosse o fato de terem sido interrompidos por um grito:
- Inimigos!
Uma sirene ecoou por toda Hope. Todos se agitaram. Todos tomaram suas posições. O sentimento de medo, ansiedade e muitos outros tomaram conta de cada corajoso homem que arriscava a sua vida naquele momento.
Os homens de New Life tomaram toda a planície verde à frente dos muros. Deviam estar há uns quinhentos metros. Eram muitos. Danilo se assustara com aquela quantidade. Tinha uns dois mil homens ali! Como apenas seiscentos homens enfrentariam dois mil?! Não era hora de pensar nisso. Não havia mais como pensar em números aquela altura. Agora era hora de lutar!
- Preparem-se homens! A hora chegou! Vamos proteger o local que lutamos tanto para ter! Vamos lutar por nossas famílias! Proteger aqueles que amamos! Vamos lutar pelas nossas vidas! Vamos lutar por Hope!
Os bravos homens vibravam com as palavras de incentivos de Danilo. A coragem foi transmitida para seus corações. Nada agora os impediria de lutar.
- Senhor, vem alguns para cá. – diz um dos guardas.
Danilo rapidamente olha para o horizonte e vê três homens caminhando em direção a Hope. Eles se encontravam a uns cem metros do muro quando pararam e um deles gritou:
- Sou Apelotis. Governante supremo de New Life. Exijo falara com o Guerreiro Dragão imediatamente!
O portão se abriu. Amanda e Isla saíram.
- O que você quer? – pergunta Amanda.
- Já disse que aqui vim. Exijo falar com o Guerreiro Dragão.
- Meu irmão não está aqui. Ele se encontra em uma outra parte da cidade.
- Uma vez covarde sempre covarde. – comenta Vandsky.
- Ora seu...
- Acalme-se Isla.
- Então minha jovem – continuou Apelotis – se és a irmã do Guerreiro Dragão, então suponho que sejas a Guerreira da Luz. E também suponho que saiba onde seu irmão está. Então me faça o favor de ir chamá-lo.
- Não.
- Aqui estou Apelotis.
Gabriel surgiu por detrás das meninas correndo.
- Ah! Que bom! Agora tu podes mandar estas duas insolentes embora!
Isla estava extremamente nervosa com a arrogância de Apelotis. Queria avançar contra ele, mas fora contida por Amanda.
- Elas não irão a canto algum. Se você quer falar algo, fale na frente das duas.
- Assim como você, não quero pôr meu exército nesta guerra. Então vamos fazer um trato: vocês se rendem o meu exército não dizima o seu e, vocês ainda terão um lugar de destaque em minha nova ordem mundial. Não haverão mortes de ambos os lados e a cidade de vocês continuará como um exemplo para o resto do mundo. Obviamente após as mudanças que planejo.
- A sua proposta é encantadora. – responde Gabriel – Aliás, eu vou pensar nela. Quantos dias eu tenho?
Apelotis se surpreendeu com a resposta de Gabriel. Mais surpreendidas ficaram Amanda e Isla. Apelotis abriu um largo sorriso e respondeu a pergunta:
- Lhe darei dois dias para pensar.
- É muito pouco. Se eu tivesse mais tempo...
O largo sorriso de Apelotis se desfez.
- É uma pena que você respondeu a pergunta de forma errada. Eu sou uma pessoa difícil de negociar. Agora sua proposta não vale de nada para mim. Agora é a minha vez de te fazer uma: vá embora e leve o seu exército ou fique e morra!
Apelotis soltou uma forte gargalhada que ecoou no silêncio da planície.
- És um ótimo piadista! Espero que lute tão bem quanto.
Apelotis e Gabriel deram as costas um para o outro simultaneamente. Amanda e Isla ficaram alguns segundos a mais encarando os acompanhantes de Apelotis, e esses o mesmo. Depois deram as costas e retornaram para seus respectivos exércitos.
- Você não ia aceitar a proposta de Apelotis, não é? – pergunta Amanda.
- Jamais! Essa conversa só foi uma oportunidade de ficarmos cara a cara pela última vez.
- Mas vocês irão se encontrar dentro de Hope. – diz Isla.
- Apelotis é da Aninha. O meu oponente será Vandsky.
Gabriel e as meninas entram em Hope. Danilo rapidamente pergunta o que havia acontecido.
- Não se preocupe com isso. – Gabriel – Prepare os homens.
Danilo novamente começou a gritar palavras de incentivo e coragem para os homens. Gabriel retirou Amanda daquela confusão. Queria lhe falar algo.
- Mandinha, você sabe o quanto eu te amo...
- Pode parar! Não quero saber dessa conversa. Não vai acontecer nada a você. Nós iremos derrotá-los e viveremos em paz. Juntos.
- Eu tive muita sorte contra a Rúbia. Dessa vez aquele que me quer morto é muito mais poderoso que ela, então...
Amanda dá um forte abraço em Gabriel o interrompendo. Ele é pego de surpresa e a princípio não tem reação alguma. Depois ele abre um pequeno sorriso e a abraça forte também. Ao perceber que Amanda chorava Gabriel a olhou nos olhos, enxugou suas lágrimas e disse:
- Tenha cuidado.
Em seguida lhe beijou a testa e correu de volta para o castelo.
“Nos veremos em breve.”. – pensou Amanda enquanto observava seu irmão se afastando.
Um grito ecoou por Hope. Eram os homens de Apelotis. A guerra iria começar.

Inimigos Selecionados

            Todos estavam prontos. O exército de New Life. O exército de Hope. A guerra estava para começar. Vidas estavam prontas para serem tiradas. Lutas incríveis estavam para eclodir em meio ao caos. Mães estavam prontas para apertarem sues filhos contra o peito dizendo que “vai ficar tudo bem meu filho.”; sendo que na verdade são elas que estão com medo.
A guerra. Essa é uma palavra que deveria ser abolida da mente de todos. Homens lutando, se matando para um propósito sempre egoísta e sem sentido. Famílias sendo despedaçadas a troco de nada. Poderia até se dizer que ela foi bem utilizada na libertação de Hope. “Bem utilizada”? Mas e as vidas perdidas durante o seu decorrer? Quantos sofreram, e sofrem até hoje? Sem contar que foi por causa dela há vários anos atrás que Hope se encontra nessa situação. Não interessa qual o motivo: a guerra sempre foi e sempre será homens egoístas lutando por uma causa egoísta.

. . .

            Os guardas de Hope observavam seus inimigos no horizonte. Eles estavam prontos para se defenderem. Já do outro lado, os guardas de New Life estavam prontos para atacar. Quando menos se espera, estes correm em direção ao muro. Todos eles. Nenhum homem permaneceu na planície.
Imediatamente Danilo ordena que sejam disparadas as flechas. Deu certo. A princípio. Do meio da avalanche humana que corria um forte jato d’água fora lançado contra os arqueiros. Muitos não conseguiram escapar a tempo.
- Mas que droga! – Danilo – Desçam homens! Preparem-se para o combate corpo a corpo! Desembainhem suas espadas e protejam a nossa cidade!
O portão estava sendo forçado. Logo ele cederia. Mas antes que os guardas o fizessem, ele veio abaixo por uma mulher. Na verdade parecia mais um homem. Cabelos curtos pretos, alta e um corpo musculoso, todo definido. Utilizava uma camiseta branca e uma calça jeans toda rasgada. Era realmente muito feia. Em seguida entrou um belo jovem de pela clara e cabelos cinza, quase brancos. Era bem elegante, principalmente pelo fato de se estar na guerra. Utilizava uma roupa social. Muito estranho. Porque alguém usaria uma roupa social em uma guerra? Era realmente muito estranho.
Entrara agora uma terceira pessoa. Um segundo homem. Este realmente veio para a guerra. Não usava camisa e utilizava bermuda azul. Tinha olhos grandes negros e um cabelo curto castanho. E por fim entrarão três homens. Um era Apelotis e o outro era Vandsky; enquanto o terceiro era um homem de meia idade, loiro de olhos azuis, utilizando uma camiseta branca e uma calça que imitava a camuflagem do exército. Sem contar o seu físico. Era bem impressionante para sua idade.
- Senhores. Senhoritas. Esta é Hope. O nosso exército irá limpar o caminho até o castelo. É lá que está quem nós viemos buscar. – disse Vandsky – Ataquem homens! – grita agora se dirigindo ao exército.
Logo em seguida se ecoou o titilar das lâminas das espadas. Enquanto uns caiam outros derrubavam. Apelotis, Vandsky e os quatro poderosos guerreiros, andavam entre estes homens. Andavam tranquilamente, como se a carnificina que ali acontecia não existisse. Andaram até atravessarem toda a batalha dos guardas.
- Vocês não irão adiante! – Isla – Todos irão morrer aqui!
- Menina, saia da frente! – grita Vandsky.
- Ela tem razão. Vocês não irão adiante. – diz Amanda.
- Nós queremos somente o Guerreiro Dragão.           
Isla fez com que o chão se abrisse entre elas, e os inimigos.
- Amanda, volte para o castelo. Se eles entraram aqui para ir atrás do seu irmão, é melhor você ir protegê-lo.
- Mas e você?
- Eu irei atrasá-los.
A terra se fechou novamente.
- Te encontrarei no castelo. Vá logo!
Amanda correu para o castelo. Isla voltou a sua atenção para os inimigos. Estava séria. Queria concentrar toda a sua energia para poder, pelo menos, acabar com um ou dois deles; já que ela sabia que não poderia com todos.
A primeira investida fora dela.  Utilizara o Pedregulho. A grande pedra “voou” em direção aos inimigos. Nenhum deles se moveu. A técnica de Isla fora detida antes de atingir qualquer um deles. A grande pedra se espatifou. Virou farelo. A Guerreira de Pedra imaginou que o golpe não funcionaria, mas esfarelar? Aquilo a surpreendeu.
- Muito bem Hana – cumprimentou Apelotis, se referindo a mulher de corpo musculoso que parecia um homem.
- Esta menina está aqui só para nos atrasar. Não é necessário todos nós ficarmos ou irmos. Então eu vou dá um jeito nela.
Vandsky aceitou a proposta de Hana. Já Isla não. Ela fez com que todo o chão subisse ao redor deles. Todos estavam presos.
- Só irão seguir se me matarem.
- Que assim seja.
Hana avança na direção de Isla. A “mulher-homem” faz com que seus punhos se tornem sólidos e desfere vários golpes. A jovem desviou-se dos primeiros. Porém sua oponente era mais ágil e conseguiu acertar vários socos em Isla a jogando no chão.
- Vão embora! – grita Hana, fazendo com que o círculo de pedra desaparecesse.
Apelotis e seus homens retomam a caminhada até o castelo.

. . .

Andavam pela cidade deserta. Nenhum sinal de vida. Não haviam moradores. Não haviam guardas. A rua que eles estavam era larga. Era a principal da cidade. Ela os levaria até a porta do castelo. Imaginavam que não iriam mais ser interrompidos. Ficou só na imaginação. De um beco escuro sai Aninha e seus protetores bem a frente dos inimigos. Tanto Apelotis quanto Vandsky ficam surpresos ao vê-la.
- Espero que não tenha vindo até aqui para nos impedir. – diz Vandsky.
- Eu vim sim. Estou aqui pelo homem que amo. Ele pediu para que eu viesse convencê-los a irem embora.
- É um covarde mesmo. – comenta Apelotis
- Não fale assim Apelotis!
- Pelo que vejo não me tens mais como seu pai. Fique sabendo que também não a tenho mais como minha filha.
- Melhor para mim. Voltando ao que eu vim fazer aqui. Não irei impedi-los. Os levarei direto a Gabriel, para ele finalmente acabar com vocês.
- Irá nos levar até quem você mais ama, sabendo que ele pode morrer na sua frente?
- Isso mesmo. De nada adiantará eu tentar convencê-los a irem embora, pois sei que não iram. Sem contar que o que eu quero é tudo isso terminado.
- Ótimo! Kai e Arnook, vocês irão continuar pelo caminho principal. – diz Vandsky, referindo-se ao belo jovem de cabelos cinza e ao homem de meia idade, respectivamente. – Sukly, você vem conosco. – agora se referia ao homem loiro.
Aninha e seus protetores guiaram os três inimigos pelos atalhos que levavam ao castelo.

. . .

            Muitos guardas de New Life conseguiram passar pela primeira linha de defesa e corriam em direção a segunda. Era impossível impedir todos.
- Danilo, Danilo! – gritava Taky e Chang.
- O que foi?
- Muitos guardas correm em direção ao castelo. Precisamos fazer algo. – diz Chang.
Danilo pensou por alguns segundos.
- Vamos recuar. Mande os homens recuarem. Se chegarmos a segunda linha teremos chances de vencê-los. Nós estamos sem a proteção de Amanda e Isla. Lá teremos a vantagem de Dani e Clarice.
Imediatamente Chang e Taky gritam para os homens recuarem. Os guardas imediatamente começam a correr em direção ao auxilio que precisavam. Ao contrário que pensavam os guardas de New Life não os seguiram. Eles ficaram vibrando como se a guerra tivesse terminado.
- Eu não entendo. Porque não nos seguir? – pergunta Chang.
- É bem simples. Eles irão proteger a entrada da cidade. – explica Danilo.
- Ou seja, ninguém entrará ou saíra da cidade. – completa Taky.
- Nós precisamos chegar rápido a segunda linha. Taky, Chang; vamos cortar caminho. Temos que avisar o mais rápido possível as meninas sobre a situação.
Os três rapidamente pegam um atalho. Em meio ao caminho apareceram duas figuras. Uma mulher jovem de cabelos castanhos longos e um corpo bem esbelto. E um homem aparentando por volta de trinta anos.
- Quem são vocês? – pergunta Taky. 
- Somos quem procura. – responde o homem – Eu sou Bóreas e ela é Valere. Somos os lideres das gangues que vocês tanto procuram.
- Não temos tempo para vocês.
- Terá que ter Danilo. – diz Valere desembainhando sua espada.    
Danilo ao perceber que a intenção dos dois era lutar pensou rápido e mandou Chang e Taky continuarem, que ele resolveria aquela situação. Os dois guardas obedeceram a Danilo e prosseguiram.
- Então vocês querem lutar. – Danilo desembainha duas espadas que estavam em suas costas em forma de “x” – Que assim seja!

. . .

Kai e Arnook chegam à segunda linha de defesa. Logo Daniela e Clarice tomam a frente e os impede de prosseguirem.
- Meninas façam um favor a vocês mesmo e nos deixem passar. – diz Kai.
- Não! Vão embora! Nós não estamos a fim de machucá-los. – diz Clarice.
Kai ri bem alto.
- Você é bem corajosa para sua idade. E é bem bonitinha também. Pena que é muito nova para mim.
Clarice fica nervosa com a brincadeira de Kai. Ela estava pronta para atacá-lo, mas fora impedida por Daniela.
- O que foi? Ela quer brigar. Deixe-a.
- Ela não irá brigar. Você será meu.
- Eu sei que sou irresistível. É um problema que eu tenho. Se bem que isso pode ser uma vantagem para mim.
Cansada daquela falação, Daniela usa o Jato d’Água em Kai. Ele foi lançado vários metros para trás.
- E você? – Daniela, voltando-se para Arnook – É mudo?
- Eu não vim para falar e sim para lutar.
- Ótimo! Clarice cuide dele.
Daniela andou até Kai. Este se levantou no momento.
- Isso será realmente uma pena: vou ter que matar uma jovem tão linda. Sabe, você teria chance comigo.
Daniela aproximou-se de Kai com um sorriso e põem a mão no rosto de seu oponente. Ao pé de seu ouvido diz:
- Nem morta.
Em seguida lhe acertou uma joelhada na barriga e uma outra no rosto o derrubando.
- Você fala demais.

. . .

            Aninha e seus protetores chegam ao castelo junto com os inimigos.
- Muito bem. – Vandsky – Nos leve até o Guerreiro Dragão.
Todos entraram no grande salão do castelo e encontraram Gabriel e Marina parados bem ao centro.
- Eu tinha certeza que ela não era confiável!
- Nina...
- Não! Olha só! Ela trouxe os inimigos até aqui!
- Eu sabia que isso ia acontecer.
Aninha aproximou-se de Gabriel, seguida de Ramma e Komatsu. Os dois se cumprimentaram com beijo rápido. Aquela cena irritou bastante Vandsky.
- Me desculpe, mas eu não poderia simplesmente lutar contra todos eles. E eu sei que nada adiantaria mandá-los embora. Eles não iriam. Eu...
- Está tudo bem. – interrompe Gabriel, com uma fala bem calma – Eu já sabia que você não iria lutar e os traria até aqui. Era exatamente o que eu queria.
- Este papo está muito bonito, mas você, Guerreiro Dragão, me deve muito. – diz Vandsky.
- E qual seria o valor dessa dívida?
- Você acha tudo isso uma brincadeira?! Quero ver o que você acha quando eu brincar com a sua vida! Sukly acabe com eles!
O homem loiro obedeceu imediatamente e correu na direção de Gabriel. Porém, Marina pulou na frente, impedindo a corrida de Sukly.
- Você lutará contra mim!
Sukly olha para Vandsky, e este autoriza o seu guerreiro a lutar.
- Meu senhor, você me concederia destruir o Guerreiro Dragão?
- Gostaria de lutar contra ele, mas podes sim destruí-lo. Tenho outros planos. – responde Apelotis, olhando para Aninha.
Neste momento Marina e Sukly já lutavam. Vandsky já havia tomado à frente de Gabriel. Não havia jeito de impedir Apelotis. Ramma e Komatsu teriam que lutar.
- Então Ramma e Komatsu, o que farão?
- Eles nada. Você irá lutar contra mim.
Era Amanda, que chegara ao castelo bufando devido ao tanto que havia corrido.
- Acha que poderás me derrotar nestas condições?
- Eu ainda tenho muita energia!

Cai a Primeira Guerreira

Todos os guardas de New Life se encontravam na entrada de Hope. Todos eles permaneciam ali caso alguém tentasse fugir, ou se alguém viesse em socorro. Estariam todos eles entediados se não fosse pela sensacional luta que Hana e Isla travavam. Trocas de socos, chutes e poderes. Grandes buracos se abriam e se fechavam. Pedras rolavam e voavam uma contra a outra.
- Você é bem poderosa. – elogia Hana – Mas essa luta já passou da hora de acabar.
- Tem razão. Por isso irei acabá-la agora. Fenda!
A técnica prendeu Hana até a altura da cintura. Esta se esforçava para se libertar, mas não conseguia.
- Não adianta tentar empurrar o chão para se libertar. Somente eu posso controlá-lo. Eu poderia deixá-la aí e vim buscá-la somente quando a guerra acabasse. Mas eu prefiro vê-la morta. Esse é o único castigo para pessoas como você.
- Então terá que fazer melhor que isso.
Hana conseguiu se soltar da técnica de Isla. Esta fora pega de surpresa e não demonstrou reação. A inimiga aproveitou para atingir vários socos e chutes até Isla ir ao chão.
- Você lutou bem. Agora morra: Meteoro Negro!
Do céu apareceu uma grande rocha em chamas e descia em alta velocidade na direção de Isla. Esta tentou levantar, mas fora impedida por Hana, que segurava seus pés a impedindo de fugir. Pensando rápido, Isla fez com que duas grandes rochas ficassem sobre ela. Inteligente, mas não eficaz. As duas grandes rochas se quebraram e o poder de Hana afundou Isla alguns metros no chão.
- Bem, agora irei até o castelo. As lutas devem estar interessantes lá.
- Está cedo para ir embora.
Hana vira-se e vê Isla bem ferida. Ela tinha escoriações por todo o corpo, mas o pior dos ferimentos estava na perna. Parecia estar quebrada. A Guerreira de Pedra mal conseguia apoiá-la no chão.
- Como pretende lutar com essa perna?
Isla tornou todo o seu corpo em pedra. Sua perna, com isso ficou imobilizada e ela conseguiu apoiá-la no chão. Bom pelo menos para conseguir um apoio. E sem contar que a dor diminuira.
- Parabéns! Está é uma habilidade bem interessante. Mas sua perna ainda não lhe permite um deslocamento perfeito.
- Não preciso me mexer para acabar com você. Na verdade estou assim só para aumentar a potência de meu poder. Terremoto!
Isla soca o chão com as duas mãos e todo ele ao redor de Hana tremeu e em seguida se abriu em uma grande cratera. Hana não pode fazer nada pare evitar a queda. Mas Isla sabia que ela não iria morrer com aquilo. Ela fez com que toda a rocha de seu corpo se transformasse em uma única rocha e se tornasse o Pedregulho.
Hana fez com que todas as paredes da cratera formassem um chão e em seguida o fez subir. Não estava ferida, mas estava furiosa. “Como uma menina tão fraca pode estar me dando tanto trabalho?” – pensou.
- Agora você passou de todos os limites!
Antes que chegasse a superfície, ela pulou em direção a Isla, e no ar ela foi atingida pelo Pedregulho. Ela voou por cima da cratera e parou somente ao colidir suas costas contra uma casa.
Isla ajoelhou-se no chão. Não aquentava mais ficar em pé. Sua perna doía muito. “Vou ter que utilizar. Não tenho mais condições de lutar.”.
Hana livrou-se das pedras que a soterravam. Estava furiosa. Ela andou em direção a Isla com um único pensamento: “Vou exterminar essa menina!”. Isla não conseguia mais se levantar. Pelo menos não sem ajuda. Hana se pôs a frente da Guerreira de Pedra. Esta olhou para o rosto sangrando e furioso de sua oponente. Ela praticamente “espumava” de raiva.
- Vou esmagar a sua cabeça!
Hana fez com que seu punho se transformasse em pedra. Estava prestes a socar o rosto de Isla até ela morrer; porém esta fez com que o chão virasse uma rampa, e Hana escorregou por ela.
- Eu que irei esmagá-la. Avalanche de Pedra!
Várias pedras rolaram pela rampa abaixo. Hana desviou das primeiras, destruiu as segundas e depois fora atingida pelas outras. Eram muitas. Nada podia fazer. Terminou sendo derrotada pelo poder de Isla.
- Agora... – Isla precisava pegar fôlego entre as palavras – Vamos ver se está morta.
Ela fez com que a rampa ficasse no nível do chão e em seguida retirou todas as pedras, revelando o corpo de Hana. Ela havia conseguido vencer aquela batalha. Ainda sentada no chão Isla percebeu que o exército de New Life ainda estava lá. Precisava livrar-se deles. Ela fechou os olhos, pôs as duas mãos no chão e utilizou o Terremoto. Todos os homens caíram no grande buraco que aparecera. Em seguida ela o fechou, livrando-se de uma fez por todas do exército inimigo. “Agora é só esperar alguém vim me buscar quando a guerra acabar.”.

O Desafio de Danilo

            As lâminas soltavam faíscas pela rua escura. Valere e Bóreas atacavam insistentemente Danilo. Este por sua vez não conseguia fazer outra coisa a não ser se defender. Os três chegaram a uma das várias praças de Hope. Danilo agora tinha mais espaço para lutar. Ele apontou sua espada na direção de seus inimigos.
- O que foi? Vai se render? – diz Bóreas.
Danilo manteve-se calado.
- Decida-se logo se vai lutar ou acorvadar. – diz Valere.
Danilo então reinicia o duelo de espadas. O jovem guerreiro mal conseguia investir contra os dois. Ele mais se defendia do que atacava. Quando conseguia uma brecha para o ataque, era ineficaz.
Um dado momento os dois pararam com os ataques.
- Sabe Danilo isto está sem graça. Você só se defende e foge. Bem que Apelotis disse que você era um covarde. – diz Bóreas.
- Apelotis?! Vocês estão trabalhando para ele?
- Claro! – Valere – Ele nos prometeu lugares de destaque em New Life. Basta acabarmos com você.
- Pena que isto não dará certo.
Danilo corre na direção dos dois e a cada movimento que seu braço fazia era um ataque em um dos dois. Neste momento os papéis se inverteram: ele atacava muito e os dois se defendiam. Essa troca não durou muito tempo. Valere conseguiu fugir para trás de Danilo e lhe aplicou um golpe. Este, por sua vez, percebeu e conseguiu se defender a tempo. Coisa que não pode fazer em relação ao Bóreas que lhe feriu o braço. Na mesma hora Danilo deixou uma de suas espadas cair. Seu braço esquerdo sangrava e estava inutilizado. Naquele momento.
- Como pretende lutar assim?
- Um braço é mais do que suficiente para derrotar vocês.
Os dois riram e avançaram contra o jovem. Ele conseguiu defender os dois primeiros golpes. Depois Valere conseguiu acertar o seu rosto. Ao contrário do corte do braço este corte não foi grande e nem profundo.
Danilo a atacou e as duas espadas se encontraram no ar soltando faíscas. O equilíbrio se manteve. Bóreas aproveitou para atacar Danilo. Este fez sua espada deslizar pela a de Valere, a tirando do caminho, e abrindo espaço para o poder dar uma cabeçada no nariz da mulher; e, com tempo para se defender do golpe de Bóreas. O homem ficou furioso e foi com tudo para cima dele. O jovem desviou, e encontrou tempo para acertar um golpe em Bóreas que o jogou no chão.
Danilo corre na direção de Valere e chutou a mão dela, jogando sua espada para longe. Os dois se encararam durante algum tempo. De repente, Valere teve a iniciativa de correr na direção da espada. Danilo, em um movimento rápido, a impediu lhe cortando a perna. A mulher foi ao chão na hora. Ao virar-se para Bóreas, ele estava de pé bem a sua frente e mais nervoso do que antes. Ele correu na direção de Danilo determinado a matá-lo. Tanta determinação que não o fez pensar direito. Ele correu com sua guarda aberta. Danilo percebeu isso, e quando Bóreas chegou perto dele, o jovem lhe acertou um golpe fatal no peito.
Em seguida, ele voltou-se para Valere. Ela continuava no mesmo lugar. O jovem poderia poupá-la. Poderia deixá-la ali e quando a guerra acabasse a levaria presa. Poderia. Naquele momento passou por sua cabeça: “Pelo menos se perdermos a guerra, eles estarão com menos um.”. E sem piedade a matou.
Agora me pergunto: para que? Que diferença iria fazer uma pessoa em meio a centenas que participavam daquela guerra? É. A guerra sempre revela o pior de nós.

Água e Planta

            Em um outro ponto da cidade Daniela e Clarice brigavam contra Kai e Arnook, tendo direito a platéia. Os guardas assistiam ao belo espetáculo, enquanto esperavam os guardas de New Life, sem saberem que eles já haviam sido mortos.
Daniela enfrentava Kai. Ele era um jovem bem exibido que achava graça de tudo. Sempre estava a fazer piadas das situações. Porém o que mais irritava era o jeito dele se achar o “gostosão”. De achar que todas as mulheres estariam “aos seus pés”. Não que ele fosse feio. Ao contrário, era muito bonito. Daniela concordava com isso. Ela não concordava com o fato dele ter ido para a guerra como se fosse para uma festa.
Já Clarice enfrentava Arnook. Este estava pronto para a guerra. Estava ali para brigar e não para ficar de falação. Isso era o grande problema. A Guerreira de Planta estava tendo dificuldades para lutar contra ele.
Aquela luta já se estendia por algum tempo. Socos para cá, chutes para lá, troca de poderes... Mais nada de alguém ceder. Os guardas estavam cansados. Eles queriam participar de algo. Até que finalmente eles viram dois rostos conhecidos: Taky e Chang.
- Onde estão os guardas de New Life?
- Já era para algum deles terem chegado aqui. – responde Taky – Algo deve ter acontecido.
Daniela cai perto deles. Chang a ajuda a levantar.
- Obrigada. Vi que vocês chegaram sem Danilo.
- Ele ficou para enfrentar os líderes das gangues. Eles devem ter si aliado à Apelotis. Nós viemos para poder alertar que a nossa primeira linha foi vencida. Restou somente Isla. Que estava enfrentando uma mulher.
Kai vinha se aproximando dos dois. Sempre com um sorriso “maroto” no rosto. Aquele sorriso irritava muito Daniela.
- Chang, você e Taky têm que voltar. Levem o exército com vocês.
- Mas Senhorita...
- Hei! Cara! Será que você poderia parar de conversar com a minha futura namorada?!
Chang ignorou Kai.
- Está certo Senhorita. Só mais uma coisa: este cara está fazendo um jogo.
Daniela não entendeu direto o que Chang queria dizer. Ela ficou parada encarando Kai, enquanto Chang e Taky removiam o exército.
- Não tentará impedi-los?
- Para que? Eles são pesos mortos. O interessante para mim está bem na minha frente.
Foi aí que Daniela entendeu a fala de Chang. Para Kai, aquilo era como um jogo, então estava na hora de começar a jogar.
- Então Kai, o que você acha de mim?
- Eu?! Acho você sensacional. É linda, é forte, não se abala diante o perigo. Eu só acho uma pena a gente estar lutando. Preferia ter te conhecido em outras circunstâncias.
- Eu ainda posso ser sua.
Kai espantou-se com aquela proposta. Provavelmente era uma armadilha. Mas, ele não podia perder a oportunidade de ter, por incrível que pareça, a única menina por quem ele realmente se apaixonou.
- Está certo. O que eu tenho que fazer?
- Me vencer. Se você conseguir me deixar sem condições de lutar eu serei sua.
- E se isso não acontecer?
- Você desistirá de Apelotis. Desta guerra. Não irei obrigá-lo a ficar e lutar por Hope. Só pedirei para ir embora.
- Eu não tenho motivos para matá-la, mas quem me garante que você não fará?
- Não se preocupe. Eu sempre cumpro as minhas promessas.

. . .

            Chang e Taky voltavam com o exército para o muro pelo caminho principal, imaginando encontrar os guardas de New Life. Em meio ao caminho Taky parou.
- Chang, continue com o exército. Eu vou por outro caminho para encontrar Danilo.
- Está certo.
Taky convoca mais três homens para ir com ele.

. . .

            Clarice contra Arnook. Esta luta parecia que não ia durar muito mais. Arnook, apesar de ter apanhado muito, tinha uma clara vantagem sobre Clarice, que já estava bem ferida.
- Você não irá me derrotar. Eu não posso ser derrotada.
- Menina, você é muito nova para compreender uma guerra. Você tem que reconhecer quando o seu inimigo é mais poderoso e desistir com honra.
- Honra?! Desde quando desistir é honroso? Realmente eu sou uma criança ainda, mas se tem uma coisa que eu aprendi nessas duas guerras que estive que é muito mais honroso perder lutando do que desistir.
- Então você realmente quer morrer nova?
- Eu não morrerei! Chuva de Pétalas!
O corpo de Arnook ficou tomado por pétalas, e em seguida ele é transformado em um cravo. Pena que foi durante poucos segundos. A técnica de Clarice falhara.
- Ridículo. Veja e aprenda. Águas Negras!
Clarice é atingida por uma correnteza, sem ter chances de defesa. Ela foi jogada contra uma parede e pressionada por toda a força do poder. Em seguida ela caiu no chão. Arnook, vagarosamente aproximou-se da Guerreira de Planta. Ele ajoelha-se e a levantou, apoiando-a contra a parede.
- Eu tentarei ser rápido.
Antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, fora atingido por um chute. Ao olhar para saber quem havia o atingido, ele levou um susto ao ver que era Kai.
- O que pensa que está fazendo?
- Eu fiz um acordo com aquela jovem. – apontando para Daniela, que estava ao lado de Clarice – Se eu ganhasse a luta, ela viria comigo. Mas eu perdi e deveria ir embora. Se eu não tivesse me apaixonado, eu realmente teria ido. Agora eu vou ficar e lutar por Hope ao lado de quem eu amo.
- Você não irá me derrotar neste estado lamentável em que se encontra.
Os dois começaram uma incrível batalha corpo a corpo. Mesmo estando bem cansado e ferido, Kai demonstra ter muita energia para lutar. Aquilo impressionou Daniela. Há poucos minutos atrás ele era um esnobe que ligava somente para si. Agora lutava por ela.
- Eu não entendo: o que você fez para ele nos proteger?
- Absolutamente nada Clarice. Agora eu sei que ele gosta de verdade de mim. Que não é mais um joguinho.
Kai é lançado para perto das meninas, seguido do poder de Arnook. Daniela toma-lhe a frente e utilizando a Hidrobomba consegue parar o poder do inimigo.
- Vejo que tem mais uma querendo morrer.
- Calado! Tsuname!
Kai levanta e também utiliza a sua técnica contra Arnook. Este cria uma muralha d’água e envolve o seu corpo em uma bolha para se proteger. Funciona. Bem, pelo menos de certa foram. Toda aquela proteção fez com que a potência dos poderes diminuíssem, causando menos danos a ele.
- A idéia foi boa. A execução foi falha.
- Sabe você sempre me irritou com essa sua tentativa de ser “o sábio”.
Kai corre na direção de Arnook e novamente os dois travam uma batalha corpo a corpo. Neste momento os primeiros raios de sol começaram a aparecer. Já havia se passado uma noite que a guerra havia começado. Parece pouco tempo, mas para aqueles que lutavam era uma eternidade. Aqueles raios de sol não era apenas um indicativo de tempo. Eles poderiam ser a salvação de Clarice, Daniela e Kai.
- Dani, – Clarice levantando – mantenha Arnook ocupado.
Rapidamente Daniela entendeu o plano de sua amiga.
- Você vai ter energia suficiente para acabar com ele?
- Não se preocupe. É só acertar de primeira.
Kai recua para perto das meninas.
- Espero que estejam combinando uma forma de acabar com Arnook.
- Nós já temos.
Daniela e Kai começaram a distração de que Clarice precisava. A Guerreira de Planta se posicionou ao sol e começou a acumular toda a energia possível e preparar sua técnica.

. . .

            Taky e mais três guardas chegam ao local onde Danilo havia enfrentado Bóreas e Valere. Logo viram Danilo sentado no chão, tentando fazer algo em relação ao seu braço.
- Olá!
- O que faz aqui Taky?
- Vim te buscar e lhe informar sobre a guerra.
Taky conta todas as novidades, que ele sabia, para Danilo, enquanto um dos guardas fazia um curativo em seu braço.
- Está certo Taky. Vamos voltar para o muro. Preciso saber o que ocorre lá.
Os quatro iniciaram a caminhada até a entrada da cidade. Não demoraram a chegar. Os outros guardas já estavam lá, inclusive Chang, que cuidava de Isla.
- O que aconteceu aqui? – pergunta Danilo.
- Eu acabei com todos os guardas, e com uma das guerreiras de Apelotis.
- E onde está Amanda?
- Provavelmente no castelo. A mandei ir para lá.
- Está bem então. Eu vou para lá.
- Não sozinho. – diz Taky – Eu vou com você.
- Preciso de você aqui para comandar este exército.
- Hei! Meninos! Não se esqueçam de mim!
- O que?! Isla olhe a sua perna! Não tem condições de lutar.
- Não interessa. Minhas amigas estão lá. Eu vou e pronto.
- Eu a levo nas costas. – diz Taky – Vamos rápido.
Danilo aceita que os dois vão com ele, e ordena que Chang fique no comando do exército.

. . .

            Clarice já estava pronta. Já havia preparado a sua técnica. Esperava somente Daniela e Kai saírem da frente. Eles saíram. Não porque quiseram, e sim porque foram atingidos por uma das técnicas de Arnook. Cada um deles fora lançado contra uma casa.
- Vocês não irão me derrotar. Desistam de uma vez!
- Morra Arnook! Raio Solar!
Arnook olhou assustado para Clarice e viu toda a energia do sol indo ao seu encontro. Ele tentou se proteger utilizando a água. De nada adiantou. O poder atravessou todas as defesas e atingiu Arnook fatalmente.
- Consegui!
Clarice ajoelha-se no chão e em seguida sentou-se. Procurava Daniela com os olhos e a viu perto de Kai.
- Você está bem?
- Que bom que você está bem Dani. – responde o guerreiro – Ele já era não é?
- Porque você resolveu lutar contra ele?
- Por você. – ele põe sua mão no rosto de Daniela – Você tinha que se poupar para enfrentar Apelotis.
- Você vai ir com a gente.
Ela o ajudou a ficar sentado e em seguida os dois se beijam. Neste momento Danilo e Taky, que carregava Isla; chegam. Os três vão em direção a Clarice.
- Esse cara não é um guerreiro de Apelotis? – pergunta Danilo.
- Acho que eu vou vomitar. Ele era. Apaixonou-se pela Dani, e agora vai dá um de bonzinho. – explica Clarice.
Daniela e Kai aproximaram-se dos outros. Danilo e Taky colocaram suas mãos em suas espadas. A Guerreira da Água pede para que eles se acalmarem e explica tudo para os dois.
- Está certo. Mas eu ficarei de olho em você. – diz Danilo.
- Olha só, alguém vai ter que me carregar até no castelo. – diz Clarice.
- Pode deixar.
Kai a põem nas costas e todos correm para o castelo.

Mortes Para a Vitória

            Gabriel contra Vandsky. Amanda contra Apelotis. Marina contra Sukly. E a observar tudo isso Aninha e seus protetores. Todas as três lutas sacudiam o castelo. Principalmente quando algum poder atingia alguma das pilastras.
Gabriel e Vandsky eram quem mais as atingiam. A luta dos dois era extremamente violenta. O ódio entre os dois chegou ao limite. Os dois estavam chegando ao limite de seus corpos e de suas energias, mas não iriam parar. Não até um deles cair.
- Quando vim para cá, o meu único objetivo era acabar com você. Eu pouco me importo se eu morrer depois.
- Eu também não! Para mim o importante é ver você morto.
- Eu sou melhor que você. Raio de Gelo!
Gabriel desviou-se do poder que atingiu uma estátua a congelando na hora. O Guerreiro Dragão olhou assustado para Vandsky. Os outros poderes não haviam feito aquilo.
- Com medo?
Gabriel não respondeu. Ele não estava com medo e sim preocupado. Se fosse atingido, seria uma vez só. O Guerreiro Dragão também percebera que a energia dele diminuíra significamente com aquela técnica.

. . .

             Na luta de Marina contra Sukly não havia tanta violência. Muito porque a Guerreira das Trevas mais apanhava do que batia. O inimigo era impiedoso. Muitas vezes Marina ainda no chão, era atingida por algum poder.
- Que droga! Nada funciona. Preciso pensar em algo e rápido.
Pensar? Ela mal tinha tempo de se recuperar de um golpe e já tomava outro. Dessa vez ela foi atingida por uma das técnicas mais fortes. A Guerreira das Trevas foi lançada contra uma parede, bateu as costas e depois o rosto no chão. A única coisa boa disso foi que ela conseguiu se afastar do seu inimigo. Isso daria tempo para ela pensar.
- Isso vai acabar comigo, mas não tenho outra opção.
Marina faz aparecer as Espadas das Trevas e corre na direção do oponente. Ela desfere vários golpes de suas espadas. Sukly desvia de alguns, e é atingido por outros. Mas em nenhum momento ele demonstra dor. Até que um golpe da espada é parado em sua mão. Ela sangra muito, mais o Guerreiro de Apelotis não muda a sua expressão fria. Marina tenta atingi-lo com a outra espada, e ele a segura com sua outra mão. E então pela primeira vez ele abre a boca na batalha:
- Morra.
Uma grande quantidade de energia saiu das mãos ensanguentadas, e utilizaram as espadas de Marina como condutoras para lhe dar um choque. Ela foi ao chão na hora.
- O choque não foi suficiente. – ele ajoelha ao lado dela – Lhe darei um mais poderoso.
Sukly levanta Marina por um dos braços. Esta por sua vez, utilizando a outra mão, dispara o Raio das Trevas no rosto do guerreiro. Este a solta, e dá alguns passos para trás. Olhando para o rosto de Sukly dava para ver somente algumas escoriações. Ela não podia acreditar. Tinha usado boa parte de sua energia e de nada adiantara. Ele vinha andando em sua direção com as mãos a pingar sangue.
- Não tenho outra opção. Tomara que isso funcione.
Marina mal conseguia se manter em pé. O seu inimigo não era afetado por golpes ou técnicas. A sua única opção era usar o restante de sua energia, para pelo menos feri-lo de alguma forma mais grave.
- Eu não sou de falar, mas desta vez irei abrir minha boca para poder te elogiar. Você é realmente muito poderosa. Foi uma honra lutar contra você. E será uma maior ainda te matar.
- Obrigada! Mas você não irá me matar. Poder das Trevas!
Essa técnica conseguiu afastá-lo bastante de Marina, e pela primeira vez, derrubá-lo. Marina estava em seu limite. A única coisa que podia fazer agora é assistir às outras lutas. Ela conseguiu se arrastar até uma parede.
Sukly andou até lá também. Agora não só as suas mãos, mas como todo o seu rosto sangrava de pingar. Mas antes de chegar até ela, um jovem impediu o seu caminho. Tinha mais ou menos a mesma idade de Marina. Olhos pretos, cabelos curtos e uma pele morena.
- Saia da frente moleque.
- Não!
Aquela voz era conhecida de Marina.
- Diego?! – o jovem olhou rapidamente para Marina – O que você está fazendo?
- Não poderia deixar a menina que amo sozinha.
Esse Diego era um garoto que Marina havia conhecido já há algum tempo.
- Então você é o protetor dela?
- Isso! E eu vou te matar por ter a machucado.
Diego desfere vários golpes. Sukly desfia de todos sem dificuldade alguma, e, já cansado daquela palhaçada, segura os punhos de Diego e lhe acerta uma joelhada na barriga. O jovem ajoelhou no chão imediatamente, procurando recuperar o fôlego.
- Não tente bancar o herói se não puder bancar.
Ele o levantou pela camisa, usou sua energia para lhe dar um choque e em seguida o jogou no chão.
- Sukly! – o homem olha para Marina – Deixe-o em paz! É a mim que você quer!
- Você ainda pode falar? Impressionante.
- Para quem não gosta de falar, você já abriu de mais essa sua boca imunda!
Sukly não gosta das palavras de Marina e utiliza uma de suas técnicas nela. A Guerreira das Trevas recebe o impacto direto, mas não se move. Neste momento a sua determinação de matá-lo era indestrutível.
Sukly então resolve aumentar a dosagem. Ele a agarra pelos braços e lhe dá um poderoso choque. Ela se debatia de todas as formas, mas não conseguia se livrar. Ele só a soltou após um grito estridente. Era Diego que havia lhe enviado uma faca nas costas. Ele dá um chute no jovem que o joga longe. Ao virar-se novamente, é atingido pelo Poder das Trevas. A fúria de Marina era imensa. A sua técnica fora tão poderosa que jogou Sukly para fora do castelo. O seu corpo quase atingiu os guerreiros que chegavam.
- Está chovendo gente agora? – brinca Clarice.
- Este era Sukly. Isso é um sinal que falta somente Vandsky e Apelotis para serem derrotados.
Eles olham em volta e veem Amanda enfrentando Apelotis e Gabriel Vandsky. Mais próximo à porta, Marina estava sendo encostada em uma das paredes por Diego.
- O que você faz aqui? – pergunta Daniela.
- Eu vim ajudar vocês.
- Você queria era morrer isso sim! – briga Marina.
- Nós temos que ajudar Amanda e Gabriel. – diz Danilo.
Aninha e seus protetores aproximam-se do grupo. Ramma e Komatsu ao verem Kai o interrogam querendo saber o que ele fazia ali. Daniela logo explica tudo. Os dois não acreditaram naquela história, mas preferiram ficar só a observá-lo.
- Se quiserem ajudar alguém, ajudem Amanda. – Aninha – Se alguém interromper a luta de Gabriel e Vandsky será morto.
- Para mim você não quer que atrapalhemos para proteger Vandsky. – Clarice – Você ainda não me convenceu que é boazinha.
- Então vá lá e tente ajudá-lo! Depois, se você sobreviver me conte como foi.
- Nós não precisamos confiar nela. Só que ela tem razão. Aquela batalha é uma questão de honra entre os dois. Eles pouco se importam com a guerra, e nem lutam pelo coração de Aninha. A batalha é para provarem para si mesmos que são fortes. E a única forma disso acontecer é um deles morrer.

. . .

            Amanda tinha muita vontade, mais não conseguia muito sucesso. Os seus golpes e suas técnicas não estavam surtindo efeito.
- Você está me fazendo perder tempo.
- Há duas formas de você sair daqui: matando-me ou morto. Advinha qual é a sua?
- Te matando. Chamas Negras!
A técnica de Apelotis atinge Amanda que é lançada contra o grupo. Danilo correu até ela, e Taky tomou a frente dos dois com sua espada em mãos. Daniela e Kai tomaram a frente de Clarice, Marina, Diego e Isla; ao verem que Apelotis se aproximava.
- Amanda você está bem?
- O que faz aqui?
- A guerra agora é só aqui dentro. Todos foram derrotados.
- Você está ferido.
- Não se preocupe não é nada de mais.
Apelotis chega até o grupo e vê Kai junto a eles.
- Vejo que também preferes a eles a a mim.
- Desde sempre eu nunca gostei de você. Ficava ao seu lado só para poder ter várias mulheres. Mas agora que eu achei aquela que me fará feliz, você é dispensável.
- Pena que não desfrutarás desta felicidade.
Aninha, Ramma e Komatsu aproximam-se de Apelotis. Houve um breve momento de silêncio.
- Os dois que mais me desejam ver morto e minha filha traidora.
- Hoje você terá o fim merecido! – diz Komatsu.
Apelotis ri. Este não gosta do deboche do tirano e parte para cima dele.
- Senhorita fique a salvo. – diz Ramma e se junta à luta.
Amanda levantou-se e foi até Aninha.
- Você sabe o que deve fazer. – em seguida correu na direção da luta.
Os três tentavam atingir golpes em Apelotis, mas não conseguiam. Só ele que batia. Daniela e Kai resolveram ir ajudar, mas Marina os convenceu a ficar. Em seguida falou com Aninha:
- Você não escutou o que Amanda disse?
- Escutei. Mas não posso fazer isso.
- Então qual a razão de estar aqui? Qual a razão de ter fugido? Quando chegou aqui disse que o odiava e que não o considerava mais o seu pai, e agora não tem coragem de lutar contra ele? Com essa atitude de nada vai adiantar se nós conseguirmos matá-lo. New Life continuará a ser a mesma, pois não terá um governo de atitude.
Aninha ficara a pensar nas palavras de Marina até escutar um grito de Ramma. Olhou rápido para a luta e vira Komatsu no chão morto e ao seu lado Ramma. Apelotis aproximava-se dos dois, mas fora impedido pelo Raio de Luz de Amanda. Novamente Daniela e Kai queriam ir para a luta. Desta vez quem os impediu fora Aninha.
- Se algo acontecer a nós vocês são os únicos com condições de lutar.
Ela andou até Komatsu. No caminho ela olhou para o lado e viu a luta de Gabriel. Lá continuava tudo a mesma coisa.
Aninha olhou para o corpo de Komatsu e em seguida para Apelotis.
- Ele morreu porque não quis ficar do lado forte.
Ramma com lágrimas nos olhos, disparou um olhar odioso contra Apelotis, e Amanda preparou suas espadas.
- Querem ter o mesmo destino dele? Por mim tudo bem.
- Eu lutarei contra ele. – diz Aninha.
Ramma e Amanda olham para ela. A sua protetora não podia aceitar aquilo. Já Amanda, conseguia entender os seus motivos. Assim como ela no passado teve que lutar pelo seu destino, Aninha também precisava.
- Está tudo bem Ramma. Daqui a pouco estaremos a conversar.
Amanda arrastou Ramma para perto do grupo.
- Vejo que ela finalmente entendeu. – diz Marina.
- É Nina. Agora é a vez dela cumprir o destino que lhe foi reservado.
Pai e filha. Apelotis e Aninha. Isso não fazia sentido algum, e fazia todo sentido. Um pai não deve brigar com sua filha. Mas uma guerreira pode lutar contra a tirania e libertar o seu povo.
- Queres mesmo fazer isso, minha filha?
- Não me chame de filha. Meu nome é Ana Carolina, futura governanta de New Life.
E a luta começou.

. . .

            Gabriel e Vandsky chegaram ao verdadeiro limite de seus corpos. Os dois se encontravam na mesma situação: não podiam mais se dar ao luxo de atacar, e tinham pouca energia.
- Então Guerreiro Dragão. Aqui estamos.
- É! Chegou à hora da decisão.
- Nós deveríamos acabar isso de forma justa.
- Agora você me vem falar de justiça? Depois de tudo o que fez? 
- Antes desta luta eu era igual à Apelotis. Porém a sua determinação e daquelas meninas, e também a de Aninha; fez-me perceber que o que eu fiz até agora não tem nenhum sentido em minha vida.
- Se você se arrependeu, então para que um desfecho nesta luta?
- Porque eu não mereço viver. Não depois de tudo que eu fiz. E, para mim, seria uma honra morrer pelas mãos do Guerreiro Dragão.
- Me recuso a fazer isso!
- Então irei te forçar. Nevasca Negra!
Por mais que Gabriel não quisesse, ele teve que se defender. Utilizou o Raio dos Quatro Elementos que, a princípio se equilibrou, mas depois “engoliu” a técnica de Vandsky, e depois o atingiu. O impacto do poder o lançou entre Apelotis e Aninha.
- Vandsky?!
- Olá Aninha.
A jovem olhou para o lado e viu Gabriel se aproximando.
- Aninha, abaixe aqui.
A princípio ela se recusou, mas depois com cautela ela fez o que o guerreiro lhe pediu.
- Me perdoe por tudo o que lhe fiz. Quero morrer sabendo que a mulher que eu amo me perdoou.
- Do que tu falas? Perdera o juízo? – pergunta Apelotis.
- Cale a boca! – grita Gabriel – Deixe-o terminar a conversa.
- Então tu me traíste também. Que seja. Morra!
Apelotis ia aplicar uma de suas técnicas, mais foi impedido por Amanda, que chagara de surpresa aplicando-lhe um golpe.
- Eu me certifico de manter ele ocupado.
Amanda voltou a brigar com Apelotis, enquanto Vandsky, Gabriel e Aninha conversavam.
- Então Aninha, como que eu fico?
- Eu nunca acreditei que você um dia pudesse mudar. Para mim você iria ficar igual à Apelotis. – uma pequena pausa – Por outro lado você provou o contrário. Isso prova que há alguém aqui dentro. – Aninha põem a mão no peito de Vandsky.
- Obrigado! Guerreiro Dragão, cuide de minha amada.
Em seguida Vandsky fecha os olhos e morre. Ao mesmo tempo, Amanda vai ao chão perto de Gabriel e Aninha.
- Mandinha, você está bem?
- Não tem como lutar contra este cara.
- Vou acabar com todos vocês agora! – grita Apelotis, e começa a acumular uma grande quantidade de energia.
- Droga! – reclama Gabriel – Mandinha, além de você, quem ainda tem condições de lutar?
- A Dani e o namoradinho dela.
- Quem?! - para Gabriel aquilo era novidade.
- Esqueçam! – interrompe Aninha – Eu vou acabar com ele.
- Mas Aninha...
Ela anda até Gabriel o beija e em seguida lhe dá um forte abarco.
- Eu já volto.
Deu alguns passos à frente e ficou a poucos metros de Apelotis.
- Tanto faz se és você ou outra pessoa. Todos morrerão de qualquer forma. A ordem é o menos importante. Poder dos Sete Mares!
Aninha esperou o poder aproximar dela, e revidou com a mesma técnica. Os poderes se equilibraram e ficaram assim durante vários segundos. Até o momento em que a técnica de Aninha se tornou mais poderosa e arrastou a de Apelotis contra ele. O tirano foi atingido pelas duas técnicas, jogado contra uma parede, esmagado pelo impacto e depois caiu morto no chão.
Do outro lado Aninha sentou no chão suspirando aliviada. “Eu disse que um dia você pagaria por tudo o que fez.”. Rapidamente Gabriel chegou até lá. Ao vê-lo, ela o abraçou forte. E deixou as lágrimas descerem.
- Está tudo bem. Já acabou.

New Life Livre

            Passou-se um mês. A população de Hope já havia tomado ao seu dia-a-dia normal. Os governantes também já haviam se recuperado das batalhas. Amanda, Marina e Gabriel organizavam novamente um conselho. Desta vez com mais cautela. Danilo reorganizava o seu exército, que agora contava com Diego como um novo guarda. Clarice, Daniela e Isla voltaram a ficar por rodar a cidade para também ajudar na guarda e coletar informações sobre mudanças. Agora elas tinham a companhia de Kai; que depois de muita conversa ganhou a confiança de todos.
Falando em confiança, quem também conseguiu esse feito fora Aninha e Ramma. As duas não saiam do castelo. A maior parte do tempo as duas procuravam fazer algo dentro dele. Mas quase não conseguiam. Elas eram tratadas como convidadas.
Uma tarde Aninha e Ramma foram até o quarto de Gabriel. Elas precisavam dizer algo importante para ele.
- Voltar?!
- É! Nós já estamos aqui há um mês. Eu preciso retornar para minha cidade. A guerra aqui em Hope acabou. Mas e lá? Eu não sei como está.
- Isso significa que não poderemos ficar juntos?
- Eu vim lhe pedir para ir comigo.
Houve um breve silêncio. Aquela decisão era difícil para Gabriel.
Sem perceberem, Amanda escutava tudo aquilo no corredor. Ela já havia imaginado que iria ficar mais um tempo sem o seu irmão.
- Não posso. Já fiquei muito tempo longe de minha irmã. Não posso deixá-la sozinha novamente, e nem posso pedir que ela se afaste de suas amigas.
- Eu lhe entendo...
Houve novamente um momento de silêncio, porém desta vez tinha uma profunda tristeza no ar. Amanda também a sentia, mesmo estando fora da conversa.
- Não tem outro jeito. Você precisa ir e eu preciso ficar.
- Se for para ficarmos juntos, ficaremos.
- Claro!
Os dois se abraçaram fortemente e se beijaram intensamente. Amanda saiu rápido de lá antes que alguém a visse. Não queria que o irmão soubesse que ela escutara aquela conversa.

. . .

 

            Passou algumas horas, Gabriel e Amanda estavam na saída de Hope com Aninha e Ramma.
- Então é isso. – diz Gabriel – Obrigado pela ajuda de vocês.
- Era necessário. – responde Aninha.
Os dois ficaram se encarando até Ramma chamar Aninha e vagarosamente ela começar a caminhar em direção à sua cidade.
As duas já haviam sumido no horizonte quando Amanda perguntou:
- Porque você não foi com ela?
- Porque eu amo mais você do que a ela.
Gabriel entrou em Hope e dirigiu-se para o castelo. Amanda olhou para o horizonte durante algum tempo e depois observou Gabriel. “Não existe irmão igual a você!”

. . .

            Depois de alguns dias de viajem Aninha e Ramma entram em New Life. Lá estava a mesma coisa que quando elas saíram. Até parecia que Apelotis não havia saído dali.
Elas foram à direção ao castelo, e todo o povo as olhavam curiosas. Havia se passado um longo período que a filha de Apelotis, e Apelotis; tinham saído da cidade. E agora ela volta sem ele? Para o povo aquilo era estranho.
Ao chegarem à entrada do castelo Aninha e Ramma foram impedidas de prosseguirem.
- Como assim eu não posso entrar? Eu moro ai!
- Ordens do senhor Fegali.
- Fegali? Quem é esse?
Apareceu um velho senhor gordo careca e com várias rugas espalhadas pelo rosto e corpo.
- Eu sou Fegali. Meu senhor Apelotis me deu ordens para proibir a sua entrada neste castelo. Eu sou o governante desta cidade, até o seu regresso.
- Ele não irá voltar. Ele perdeu a guerra. Então agora, por direito, sou a governanta desta cidade.
- O senhor Apelotis me ordenou que se ele não retornasse, eu iria ficar com o governo, então...
Antes que ele terminasse a frase Ramma matou Fegali.
Aninha olhou assustada para Ramma.
- Que foi? Ele tava enchendo o saco!
O guarda olhou para as duas, e não teve coragem de se opor a elas.
- Guarda avise a população que haverá um pronunciamento no final do dia.
Ele rapidamente obedeceu às ordens de Aninha.
As duas amigas passaram o resto do dia organizando o castelo. Deu bastante trabalho. Haviam muitas coisas para se colocar no lugar. Enfim, o tempo passou rapidamente e o momento do pronunciamento havia chegado.
- Você está pronta?
- Como nunca, minha amiga.
Aninha saiu de dentro do castelo e abaixo dela estava toda a população de New Life, que ficaram chocados ao virem que não era Apelotis.
- Povo de New Life, vocês não verão o rosto de Apelotis. Ele morrera na guerra.  – houve uma comemoração – De agora em diante quem comandará esta cidade será uma pessoa que odeia injustiças e não forçará vocês a nada. Não haverá mais uma tirania, somente um governo justo que vocês ajudarão a construir. E vocês também ajudarão a reconstruir a cidade. New Life terá paz sendo governada por uma pessoa que é mais que uma amiga. É uma irmã para mim e eu confio plenamente nela. Ramma!
A Guerreira, que estava ao seu lado, assustou-se com o anúncio de sua amiga. Ela não sabia o que dizer. Não sabia se aceitava ou se negava. Depois de muita indecisão, Ramma puxou Aninha para dentro do castelo. O povo ficou ali se perguntando o que estava acontecendo.
- Você ficou louca?
- Não. Eu preciso que você faça isso por mim. Eu preciso de você aqui.
- Eu não posso governar esta cidade. Ninguém me conhece, ninguém sabe quem eu sou. Como que vou governar uma cidade onde eu não tenho prestígio algum?
Lá fora, o povo impaciente começa a gritar: “Ramma! Ramma! Ramma!”. Eles ovacionavam a Guerreira!
- Sem prestígio? – ironiza Aninha.
- Está certo! Eu vou aceitar este desafio por você. Só porque é por você!
Ramma sai, o povo grita e depois se cala. Estavam à espera de uma fala. Não vinha nada a boca de Ramma.
- Só diga o que eles querem ouvir. – sussurra Aninha ao seu ouvido.
- Estou surpresa. Queria primeiramente agradecer a Aninha por confiar a mim esta cidade. Ela confiou a mim, mas isso não quer dizer que ela é minha. Esta cidade será nossa. Nós iremos juntos fazer com que New Life seja um excelente lugar para se viver. Tirania nunca mais!
O povo saiu em festa! As comemorações se espalharam por toda a cidade, e avançou noite adentro. New Life finalmente podia dizer: “Nós somos livres!”.

. . .

            Passou algum tempo, e a cidade já começa a tomar um aspecto de nova. O povo trabalhava dia e noite para fazer com que New Life ficasse do jeito que eles sempre sonharam.
Ramma estava no castelo. Mais precisamente no quarto de Aninha. Esta arrumava suas coisa.
- Eu sempre soube que quando me passou o governo sua intenção era voltar para Hope.
- Eu te amo minha amiga, mas não posso mais viver longe de Gabriel.
- Eu te entendo. E te apoio. Porém...
- Porém...
- Vai ter que prometer que virá me visitar.
- Com certeza! – risos.
As duas se abraçam forte, e em seguida Aninha toma rumo em direção à Hope.

Retorno à Nova Morada

            Após a caminhada de alguns dias, Aninha avista o muro de Hope. Ela logo apressou seus passos. Não via à hora de se encontrar com Gabriel. Ao chegar ao portão, não teve dificuldades de entrar. Ao contrário da primeira vez que fora a Hope.
Andando pela cidade, muitos habitantes foram até ela para lhe cumprimentar pela ajuda na guerra. Ela impressionou-se. Nunca imaginou que aquilo viesse a acontecer.
Depois de muito parar para cumprimentar o povo, ela finalmente chega ao castelo. No portão os guardas também não dificultaram sua passagem. Enquanto andava pelo jardim em direção a grande sala, ela avistou Chang e Taky.
- Senhorita Ana Carolina? O que faz aqui? – pergunta Chang.
- Pensávamos que havia regressado para New Life.
- Já disse para me chamarem de Aninha. E sim, eu regressei a minha cidade. Lá eu fiz o que tinha para fazer, e agora eu voltei para ficar.
- Então seja bem vinda! – diz Taky.
- Obrigada! Vocês sabem onde Gabriel está?
- Provavelmente no quarto dele. – responde Chang.
- Está certo. Vou até lá. Obrigada. Tchau rapazes!
- Até logo.
Os dois guardas foram para a cidade e Aninha adentrou o castelo. Logo na entrada ela encontrou com Isla e Clarice.
- Aninha? O que faz aqui? – pergunta Clarice.
- Acho que essa vai ser a pergunta que eu mais vou responder hoje. – brinca - Eu voltei. Agora poderei viver aqui, junto de Gabriel.
- E New Life? – pergunta Isla.
- Ramma é a governanta de lá agora. Bem, meninas; com licença, preciso achar o Gabriel. Depois explico melhor.
Elas se despedem de Aninha e seguem com os seus afazeres. A jovem sobe as escadas em direção ao quarto do Guerreiro Dragão, e no largo e cumprido corredor que dava acesso até lá; ela encontra com Marina e Daniela, que estavam acompanhadas de Diego e Kai. Eles, não diferente dos outros, também lhe perguntaram o que fazia ali. Novamente a jovem explicou tudo o que havia acontecido, e rapidamente se livrou do quarteto. Estava com muita vontade de ver o seu amado. Já havia perdido muito tempo com essas paradas.
Finalmente ela conseguiu chegar ao quarto. A porta estava entreaberta. Dentro, Gabriel discutia com Amanda e Danilo. Aninha preferiu não interromper. Primeiro queria saber o que era para decidir o que fazer. Ela ficou somente a escutar.
- Não Gabriel! Eu já disse que você não vai sozinho!
- Quantas vezes eu vou ter que repetir Amanda: eu vou sozinho!
- E eu já disse que você só vai se for comigo. Não vou ficar longe de você novamente!
- Eu não vou ir morar em New Life. Eu vou até lá para ter noticias da Aninha. Desde que ela partiu não me deu nenhuma notícia. Preciso saber como ela está. E eu não vou por você em perigo!
- Eu desisto! Danilo converse com ele.
- Gabriel, eu posso mandar um mensageiro até lá. Ele regressara rápido e ninguém precisará se arriscar.
- Não! Eu tenho que fazer isso pessoalmente.
- Então me deixe ir com você.
- Já disse que não irei arriscar a sua vida!
- Você é muito engraçado: eu vivi não sei quantos anos dentro do Vilarejo, que tinha mais perigos do que o mundo externo; participo de duas guerras, onde enfrentei pessoas extremamente fortes; e agora não posso lhe acompanhar até New Life? Eu vou viajar ao lado do Guerreiro Dragão, e eu sou a Guerreira da Luz. Quem seria louco o suficiente para nos enfrentar?
- Smart, Rúbia e Apelotis foram. O que impede os outros de não serem? Você mesmo disse que quando voltava para cá, muitos tentaram lhe matar. Não irei arriscar a vida de minha irmã.
- E eu não deixarei você arriscar a sua!
A discussão é interrompida por um bater à porta.
- Ninguém precisará sair daqui.
Os três olham assustados ao perceberem que aquela voz era a de Aninha.
- Antes que vocês me perguntem: Ramma ficou como a governanta de New Life, e eu voltei porque precisava muito te ver Gabriel.
Amanda desfez a cara de espanto e abriu um sorriso de canto de boca. Em seguida ela puxou Danilo pelo braço e saiu do quarto.
- Vamos deixar vocês conversarem em paz.
Danilo ficou sem entender direito aquela situação e perguntara para Amanda porque eles saíram do quarto.
- Você não me escutou? Os dois precisam conversar. Eles precisam tomar uma decisão se vão ou não ficarem juntos.
- E porque não ficarmos por lá já para saber o que vai acontecer? Você vai ficar sabendo de qualquer forma mesmo. Melhor saber agora.
- Porque eles precisam de privacidade? – ironiza a situação – Ai, ai! Vocês homens nunca entendem nada.

. . .

            Dentro do quarto Gabriel estava a olhar Aninha tentando acreditar que era ela mesmo que estava ali.
- Então? Posso sentar?
Gabriel, como se tivesse acordado de uma hipnose, reage tirando as coisas que estavam jogadas na cama. Logo em seguida os dois se sentam e ficam algum tempo sem dizerem nada.
- É verdade? Você voltou por minha causa? – pergunta Gabriel, quebrando o gelo.
- É sim! Eu pensei que poderia ficar em New Life e governar sem problemas. Na verdade eu poderia, mas não seria feliz. Não longe de você. Estava realmente indo atrás de mim?
- Estava preocupado. Não recebi nenhuma notícia sua.
- Pena que você não conseguiria ir. Sua irmã não queria de jeito nenhum. – uma pequena pausa – Quando eu fui embora, você me disse que não podia abandonar esta cidade por causa dela, e agora a pouco dizia que ela não podia te impedir de ir atrás de mim. Não dá pra entender.
- Você queria que eu morasse com você. Isso seria impossível. A discussão era porque ela queria ir comigo, e eu não iria deixar. Ia apenas ter notícias suas. Não precisava que ela fosse comigo.
- Ou seja, você iria até lá, ver que eu estava bem e voltar.
- E te trazer comigo.
Aninha olha surpresa para Gabriel.
- É sério! Eu iria te convencer a vim comigo. Eu só sairia de New Life quando você aceitasse.
- Então eu poupei o seu tempo. – brinca – Eu já aceitei ficar com você.
Gabriel se aproxima de Aninha e a beija intensamente. Depois Gabriel ficou a acariciar-lhe o rosto e a olhar em seus lindos olhos durante um bom tempo.
- Só falta um detalhe para esse momento se tornar perfeito.
- O que?
Gabriel pega em meio as suas coisas uma pequena caixinha e a entrega a Aninha. A jovem, achando tudo aquilo muito estranho abriu a caixinha, e dentro havia um lindo anel.
- O que é isso Gabriel?
- Isso é uma aliança. Aninha eu quero ser o seu homem pelo resto de minha vida, e quero que você seja a minha mulher. Aceita?
Os olhos de Aninha encheram de lágrimas na mesma hora. Ela não conseguiu conter a emoção que sentia naquele momento. A felicidade que estava naquele momento fora extravasada com um abraço forte, e com a resposta:
- Sim! É claro que eu quero! Quero sim ser a sua mulher pelo resto de minha e sua vida!
Os dois se beijam novamente. Um beijo mais intenso do que o outro. Mais intenso de todos que já haviam dado. Aquele beijo. Aquele momento. Ali eles podiam dizer que selaram o amor que sentiam.

. . .

            Passou-se algum tempo e o dia da cerimônia chegara. Gabriel estava bem nervoso. No seu quarto estava Kai, Danilo e Diego. Todos os três muito elegantes.
- É tão difícil assim se arrumar? – pergunta Danilo.
- A culpa é dessas roupas complicadas. – responde Gabriel - Não sei pra que tanta frescura. Seria muito mais fácil se agente se casasse de camisa e bermuda.
- Será que você poderia ficar quieto para eu dar o nó nessa gravata? – reclama Kai.
- Se continuar assim, quem vai atrasar vai ser o noivo e não a noiva! – brinca Diego.
Todos no quarto riem. As brincadeiras continuaram até eles serem interrompidos pelo bater na porta.
- Eu não acredito que você não está pronto até agora! – era Amanda que entrou brigando com o seu irmão.
- Essa roupa é muito complicada.
- Nós mulheres, que temos muito mais coisa estamos todas prontas e você não! – diz Marina, que entrou logo depois acompanhada de Daniela.
Todas as três estavam realmente muito bonitas. Elas nem pareciam aquelas jovens determinadas e valentes que se sujaram de suor e sangue em duas guerras. Nem pareciam aquelas jovens que arriscaram as suas vidas contra guerreiros muito mais poderosos que elas. Toda aquela beleza encantou imediatamente os respectivos namorados.
Todos eles foram até as suas namoradas e deram uma calorosa recepção. Elas corresponderam. Tirando Amanda, que foi, podemos dizer; um pouco fria com Danilo. Não que ela quisesse. Só que ela estava com a cabeça totalmente voltada para o seu irmão.
Depois de muito alvoroço, Gabriel finalmente conseguiu ficar pronto. Agora era só correr para a grande sala do castelo, onde os convidados e o padre o esperavam.
- Que bom que você está pronto. – era Isla junto com Clarice – A Aninha já está pronta. Só está esperando você descer para ela ir.
- Nós poderíamos descer juntos e...
- Ficou doido! – grita Clarice – O noivo não pode ver a noiva antes. Dá azar! Agora vai andando.
Clarice e Isla, não diferente de suas amigas também estavam muito bonitas.
Gabriel chega até a grande sala e é recepcionado por todos os convidados com aplausos. Ele cumprimenta a maioria deles, antes de ser interrompido pelo soar das cornetas que anunciavam a chegada da bela noiva.
Todos os olhares se voltaram para a escada. E entre todos eles o que mais se concentrava nela era a de Gabriel. Apareceu. Um lindo vestido branco que lhe cobria o corpo todo. Somente os seus braços estavam de fora. Segurava um lindo buquê de rosas. Ela veio descendo as escadas bem devagar enquanto olhava para o seu lindo noivo no fim de seu trajeto. Assim que chegou ao pé da escada, Clarice e Amanda lhe tomaram a frente e foram andando até Gabriel. Elas eram as daminhas de honra. Danilo, a levou até o altar improvisado.
A cerimônia demorou pouco tempo. O momento que se é mais esperado em todas chegou rapidamente.
- Eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.
E o beijo ocorreu. Aplausos. Assobios. Gritos. Tudo pode ser ouvido naquele momento. A partir dali começara a festa.
Depois de passado algumas horas de festa, chegara outro momento que também sempre é muito esperado: a noiva ia lançar o buquê. Todas as mulheres foram para o local. Inclusive Amanda, Daniela e Marina. Aninha depois de fingir várias vezes lançar o buquê, o lança bem alto. Todas as mulheres se empurram se espremem, e, por acaso do destino (ou não), ele cai na mão de Amanda. Ela logo olha para Danilo, e, este por sua vez; abaixou a cabeça na mesa, enquanto Kai e Diego riam dele.
Gabriel se aproximou do jovem e lhe disse:
- Para se casar com ela, você ainda vai ter que passar pela minha aprovação. E lhe garanto que será mais difícil do que essas duas guerras.
Após a brincadeira, Gabriel continuou a aproveitar a festa. Festa que podia ser aproveitada sem preocupações. Não seria interrompida por gangues ou por tiranos. Não seria interrompida por Smart, Rúbia ou Apelotis. Não havia mais ninguém para atrapalhá-los. Festa que esbanjava alegria nos rostos ali presentes. Principalmente do grupo de heróis, que por duas vezes arriscaram suas vidas para salvar a de várias outras pessoas. Não só em Hope. Mas como no mundo todo.

 

 

 

 

 

F I M